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Teenage Dirtbag

É da sorte ou é de mim?

por Inês, em 08.12.14

Estava eu à conversa com o meu irmão sobre isto da vida e numa categorização do sucesso dos membros da nossa família quando me apercebo que o mais inteligente (que nós achamos claro) não foi longe na vida. Coitado, foi pai aos dezanove. Grande azar. O mais rico não é especialmente inteligente nem possui nenhuma arte mas é ambicioso e esperto. Criou um negócio que lhe valeu tudo o que tem hoje o que não é nada pouco que casa com vista para o Rio Douro não é para todos. E depois temos um outro primo que vai vivendo cheio de projetos tal é a iniciativa que aquele rapaz tem. Iniciativa e ideias. Não é caso de lhe valerem muito mas deduzo que uma pessoa ativa, que pôe em prática os seus sonhos, viva mais feliz que muitos. Sorte? Destino? Carácter? Educação? Ambiente envolvente? Mas afinal o que define o sucesso de uma pessoa? Grande questão esta. Para mim, não há nada como os nossos sonhos para nos moverem, nos tirarem da desgraça, dos azares da vida. Há mais ou menos um ano, toda eu era sair de casa, viver sozinha, healthy life style, média alta, economia para a cabeça e tudo não passava de um grande sonho, um projeto enorme que, embora fosse sério na minha cabeça, poucos o tomavam com a mesma seriedada. E agora aqui estou eu. Fiz as coisas acontecer. As ideias persistiam na minha cabeça, agarrei-me a elas e deixaram de ser ideias para se tornarem realidade. Mas também é verdade que tive muita sorte. A quem dar mais crédito? A mim ou à sorte? Não posso deixar de achar que não fosse a minha persistência, a minha visão, a minha dose de loucura como lhe chamaram, os meus objetivos eu não estaria onde estou agora. Também a educação que a minha mãe me deu ajudou e não foi pouco. Infelizmente, ela arrepende-se todos os dias disso. Cresci sob bases do género 'o mundo é a nossa casa' e 'ser independente é que é bom' e agora que tenho essas ideias mais que enraizadas na minha cabeça, ela passa-se porque a ligação que tínhamos foi por água abaixo. Também tenho pena que assim seja mas não sei ser de outra forma. Mas essa educação fez de mim o que sou hoje e estou deveras satisfeita com tudo o que a minha mãe me ensinou. E depois claro o ambiente envolvente. Já Eça de Queirós numerava estes fatores como determinantes do nosso destino. Viver envolvido por energia, sorrisos, planos, proatividade, sonhos que andam para a frente é meio caminho andado para também nós sermos assim. Por isso gosto de estar fora. Cá dentro tudo não passa de aguentar mais um dia, esperar pelo próximo. Eu não aguento isso. Não me peçam para ser assim quando há tanto além disso. Eu escolho não desistir do que penso, imagino e sonho. Daí acontece a vida que tanto adoro. Pelo meio agarro-me a toda a sorte que encontrar nem que esteja perto só, faço-a minha e afasto aos pontapés os azares e continuo a tentar. E esforço-me, faço as coisas acontecer. E depois life happens. Good life happens. Awesome life happens.