Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Teenage Dirtbag

É para viver.

por Inês, em 08.12.14

Pensar que faltam duas semanas para acabar o semestre é surreal. Mas isto é assim? Seis semestres prometidos na universidade para fazer a licenciatura e um já foi? Como? A continuar assim, saio desta vida num piscar de olhos. Que pena. Estou a adorar. Mas nem tudo são rosas. Os últimos meses serviram para entender que não há memórias só boas, não há sítios que só apetece visitar de tão bons momentos ali se passaram, não há alturas do ano que só se desejem por prometerem felicidade. Tudo tem uma conotação negativa associada. Só a infância não é assim. Só a infância foi paraíso de felicidade. Agora tudo promete do melhor e do pior que a vida tem para dar. Posso ser tremendamente feliz e infeliz de um dia para o outro. Posso ter dias mais felizes que dias infelizes mas os infelizes nunca tardam a fazer-se notar. Vão e vêm para eu não me esquecer deles. Aquela apatia, aquele vagar, aquela falta de vontade, aquela vontade de chegar a casa, de me isolar, de achar que só faço merda, que só digo asneiras, que me enterro a cada coisa que faço, que ninguém nota a minha presença, aquele fosso que se criou entre mim e os que eram para mim tudo, família, amigos. Aquela sensação tão deprimente que mói e volta sempre. É de mim. Sou uma pessoa assim e isso é triste. Dava muita coisa para ser daquelas pessoas sempre alegres, bem-dispostas, carregadas de energia sempre. Sei o que isso é porque muitos dos meus dias são assim mas não são todos e o pior que pode acontecer é ter a felicidade e esta ser-nos retirada só porque a vida é assim. Ah mas que deprimente! Muitos dos meus dias passo a rir e, se tenho a certeza absoluta de que os dias maus voltam sempre, tenho também a certeza absoluta sintética e analítica que de que os dias felizes nunca me abandonarão. E, no dia que isso acontecer, no dia em que deixar de ter essa certeza, tirem-me deste mundo que não vale a pena viver. Até lá tenho um monte de planos para pôr em prática, um monte de gente para conhecer, montes de sitios para visitar, concertos para ir, dinheiro para ganhar, livros para estudar, viagens para fazer e gargalhadas para dar.