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Teenage Dirtbag

Evolução Esperada ou Não

por Inês, em 28.02.16

Quando tens dezanove anos, andas a estudar no ensino superior, tudo regularizado, nada de atrasos na vida académica, tudo em dia, tudo razoável e olhas para o teu currículo e te apercebes no quão atrás estás em comparação com tantos outros. I mean, eu não quero ser razoável. Eu não quero fazer todas as cadeiras e ter média de 14. Eu quero mais do que isso. Muito mais. Se eu já tenho 19 anos eu já devia ter feito muito mais na vida. Ando há anos a tentar arranjar um part-time jeitoso mas ainda não consegui encontrar algo sério e que tivesse valido a pena. Tenho noção que muitos há, com a minha idade, que fazem muito menos do que eu mas eu sinto uma pressão enorme sobre os meus ombros para estar na categoria dos melhores e me comparar apenas com eles. Mas essa era já passou e eu deixei de os acompanhar. Agora, recentemente, nas cadeiras, consegui tirar umas notas altas que surpreenderam muita gente (até a mim) mas fazer cadeiras com 17's e 18's é fácil (pelo menos no meu curso e universidade, acho eu, sendo radicalmente honesta - o processo passa por estudar para um exame e resolvê-lo, não tem muito por onde enganar até agora). O que nos diferencia é tudo o resto, todas as soft e hard skills que as cadeiras não ensinam, todas as formações, cursos e certificados que custam pequenas fortuna, todas as experiências, todos os trabalhos (no literal sentido da palavra), todas as associações/organizações que fomos ou somos parte. E nisso, admito sem qualquer orgulho, sou pobre. Há uns anos atrás sinto que era mais rica, neste contexto, que hoje. Com o meu projeto da Feira dos Guarda-Sóis (que saudades, que saudades!! quando organizei do inicio ao fim uma feira de artesanato na minha terra, desde as autorizações legais, ao contacto com os artesãos, ao marketing próprio, gráfico e de divulgação, à gerência financeira, tudinho) eu tinha uma força de vontade e um espírito empreendedor muito maior do que hoje aqui sentada na cama a escrever este texto. Entrei na universidade e isso foi-se por água abaixo. Agora sei capitalizar empréstimos, calcular taxas de juro ou explicar como é que o Banco Central funciona mas, no fundo no fundo, será que eu evoluí alguma coisa como profissional? Como pessoa, então, fazendo uma retrospetiva, acho mesmo que não evoluí, talvez pelo contrário. É que, há uns anos tinha um espírito, uma vontade, tinha ideias! e tudo isso era inflacionado por só ter 16, 17 anos... Era a empreendedora precoce. Agora, com 19, tudo piora. Com 19, o que esperar altera-se muito. As expectativas estão, só pela idade, num patamar superior. Acho que me desiludi ao longo do tempo. Deixei de achar que valia a pena. Talvez seja essa a razão. Embora eu vá tendo pequenas vitórias ao longo do tempo, esperava muito mais de mim. A Inês de 17 esperava muito mais desta Inês de 19. Afinal já tenho 19. Daqui a 5 meses faço 20 anos. 20!! Imaginem. E onde é que eu me vejo daqui por 5, 10 anos? Sei lá eu!! Antes, diria logo: a viajar!, a trabalhar numa organização ONG, em Bruxelas, no Parlamento Europeu quem sabe!, mas e agora?? Eu não sei se era capaz de realizar qualquer um desses sonhos. Agora estou muito mais ligada à minha família do que antes. Agora sinto saudades de tanta coisa, estou tão agarrada ao que é cómodo e confortável que parece que tenho uma corda em volta da cintura. Estou desiludida comigo própria. Quero mais, quero melhor. Quero entrar na Aiesec, quero fazer Erasmus, quero tirar o mestrado no Porto! Quero ser uma pessoa melhor depois destas experiências, quero ser uma pessoa melhor daqui a um ano, e uma melhor ainda daqui a cinco. Quero ser feliz, sobretudo, e melhor do que hoje.

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