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Teenage Dirtbag

O stress do subconsciente

por Inês, em 24.08.14

Estas férias têm sido diferentes. Tudo agora me parece sempre diferente o que faz sentido quando se deixa de ter uma rotina fixa. Julho foi mês de exame de matemática e o resgate de uma relação arriscada que não se define. Agosto foi viagem medieval e umas saídas aqui e ali que pouco me entusiasmam. Há coisas na minha cabeça que, embora pareçam pouco presentes e leves, acho que são as grandes culpadas de umas noites mal dormidas, de sonhos e pesadelos estranhos, de um humor revoltado e perigoso, de uma obsessão que teima em não ir embora pelo que deve mesmo ser o meu maior vício, a comida. Se tais coisas pouco têm a ver com este stress estúpido que não me deixa estar plenamente bem então estou pior do que o que penso e vou culpá-las na mesma até afundar de vez. Tais coisas são nada menos que a grande incerteza que define o meu futuro. Estou divida entre duas cidades. Uma será a minha casa no próximo ano e não sei, nem com cem nem sequer com setenta por cento de certeza, onde prefiro entrar. As duas têm pontos favoráveis mas também têm aspetos mesmo desfavoráveis que me enchem de receio só de pensar que é o que me espera. Sair de casa e encontrar a melhor forma de o fazer é também para mim a grande questão, a maior de todas mesmo. É algo que quero, de facto, fazer seja necessário ou não devido à maior ou menor distância à faculdade. Até ao final de dois mil e catorze já me vejo longe de casa num quartinho meu mas ultimamente apercebo-me de que essa minha decisão não será sinónimo de resolução de alguns dos problemas que tenho aqui em casa. Pior que isso, é bem capaz de os engrandecer. Ninguém tem noção do quanto a comida é um problema para mim. É o meu vício, já não tenho dúvidas. Não sei se como porque estou triste ou porque estou contente. Como sempre que tenho desculpa para isso e faço as maiores asneiras quando ninguém está a ver. É dos fatores que mais pesa para sair daqui. Não me controlo aqui e quero encontrar esse controlo num sítio gerido por mim mas... é sozinha que como mais e pior e ninguém me garante que num apartamento que eu vá dividir com mais jovens, com gente que não posso controlar, eu consiga gerir essa parte da minha vida como quero ou sequer melhor do que o que tenho feito aqui em casa. O problema central sou eu como é claro. Outra das conclusões a que cheguei nos últimos dias é que, ao contrário do que pensava, sou super influenciável pelos ambientes em que me insiro. Se não o fosse, seria capaz de controlar a minha alimentação como o resto dos mortais assim como a minha vontade e motivação para me mexer e fazer o que precisa de ser feito. Mas não. Cá em casa é sempre a mesma inércia de sempre. Em casa do meu pai, de forma diferente, tudo se faz com a maior calma, sem decisões bruscas nem conversas emocionantes nem aquela dinâmica de união. E eu, lá, totalmente inundada por esse ambiente, deixo-me ir, deixo de me importar sequer em estar com as pessoas, entrego-me ao telemóvel e à mesa e desisto assim. A relação com o Lid é uma das outras coisas que me tem dado que pensar. Não muito, não pouco. Qualquer coisa que pouco explica. Desde a nossa grande jornada na viagem medieval, em que todos os dias eram dias nossos, que só o vi uma vez mais. Tenho aquela sensação de poder 'cair' num poço de desgosto deprimente a qualquer momento como toda a gente pensa que me aconteceria embora eu sempre tenha delimitado de forma correta e precisa na minha cabeça as expectativas que devia e não devia ter e a realidade e até agora não me tenho dado mal, verdade seja dita. O que esperava e o que fiz por acontecer, aconteceu e, ainda que a vida nos obrigue a uns afastamento físico, o que desenvolvemos continua cá e lá. Mas não posso negar que aquela tal sensação existe o que é estranho porque, de forma consciente, protegi-me previamente e continuo a acreditar que o fiz de forma segura e convicta e que deu resultado. Mas a sensação ainda cá está e não sei como a combater. Está no subconsciente. Rói-me assim devagarinho por dentro. Como a incerteza da faculdade. Como a questão de sair de casa. Como o raio da merda da comida que mal aparece à minha frente desaparece logo e me deixa frustrada e deprimida. Merdas.