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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

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11 de Maio, 2013

O drama familiar que eu nunca tive e agora tenho

Inês

A questão da minha educação nunca se colocou aqui em casa. Seguiria, sem quaisquer problemas, o exemplo do meu irmão. Até me saí melhor, com melhores notas e assim. Não entrei no colégio que estava planeado, no qual o meu irmão andou, e segui uma área diferente numa escola pública. As notas continuaram boas e nunca foram um problema do tipo "não posso entrar nesse curso porque não tenho média". Acontece que o tempo de deixar a secundária aproxima-se a passos largos (falta um ano mas ainda assim) e eu penso no que vou fazer a seguir. Porque o que vou fazer a seguir já não é brincadeira nenhuma. É um assunto seríssimo que mais do que nunca decide mesmo o meu futuro. Tal como o meu irmão, o passo seguinte para mim deveria ser a faculdade. No Porto, sem dúvida. Mas eu debato-me com isto. Não tenho vocação nenhuma nem gosto especialmente da área em que estou (economia). Apenas a escolhi porque gostava menos de todas as outras. Portanto, não tenho pressa nenhuma por ter um curso superior. Desde que falámos em inglês do gap year que tenho matutado neste assunto para mim. Não falo aqui em casa porque sei exatamente a resposta. A verdade é que eu não quero ir para faculdade e a principal razão é porque não me sinto preparada. Não me sinto preparada para enfrentar um mundo de pré-adultos, uma escola enorme cheia de exigências, um tipo de ensino completamente diferente. Tenho receio disso. Não quero mandar-me já para um mundo assim tão diferente sem ter crescido em alguns aspetos da minha vida primeiro. Esta é principal razão e vocês são os principais a conhecê-la porque dizê-la em voz alta é complicado. Para além disto, gostava de começar a trabalhar mas aqui se põe outro problema. Se eu digo que quero fazer uma pausa na escola antes da faculdade para trabalhar e arranjar algum dinheiro para mim, os meus pais caem-me logo em cima porque eu tenho mais é que estudar, fazer tudo direitinho para depois ter um emprego melhor. Blá, blá, blá. Gostava ainda (mas isto é mesmo só gostava porque eu sou realista e aqui em casa não há dinheiro para uma coisa destas) de levar a cabo a ideia de gap year. Ir uns meses para um país nórdico e trabalhar lá. Mas isto é para esquecer. Outro argumento com o qual eu concordo a cem por cento foi me transmitido pela Gehenna no seu blog nesta publicação: "Já me tinha queixado por aí algures sobre o quão enfadonho é este ritual que nos é imposto: estudar, trabalhar e consumir. Quereremos mesmo basear a nossa vida nisto? Quereremos mesmo chegar aos 80 anos e recordarmo-nos como escravos de um sistema que funciona em prol de uma minoria?". Não podia ser mais verdade. Os meus pais, principalmente o meu pai, não considera nada mais que isto: estudar, tirar o curso superior, casar, ter filhos, comprar uma casa de campo e para ele isto é a felicidade, é o objetivo de vida. Não entende que há outras formas de viver, outras perspetivas sobre a vida e que esta nem sequer é minimante satisfatória (ele falhou totalmente na dele e vê o meu irmão a ir pelo mesmo caminho - ainda hei-de vos falar do meu pai). Mas explicar-lhe o meu ponto de vista é uma luta quase impossível. Ele é exatamente o estereotipo de homem de sessenta anos português com as ideologias que vocês estão a imaginar. Mas continuando, eu, parva e a pensar em algum tipo de milagre, disse ao meu pai que estava a pensar em trabalhar depois do secundário durante um ano e entrar na faculdade depois e pumba! Para quê que falaste Inês... Para além do sermão que levei e de o único argumento do meu pai estar mais que discutido, ele foi dizer à minha mãe. E ainda não lhe tinha dito nada e ela ficou chocada e disse que eu estava maluca. Mas com ela ainda dá para discutir que ela ouve-me mas leva-me pouco a sério. Odeio quando não me levam a sério. Odeio quando não levam os jovens a sério. É tão difícil para nós fazermos valer as nossas opiniões. Desvalorizam-nas completamente. Somos jovens, não sabemos nada da vida, dizem eles. Mas queremos saber e têm que nos deixar vivê-la segundo as nossas vontades e opiniões. Temos espírito critico, deixem-nos utilizá-lo. Anyway, arrasta-se aqui por casa uma 'conversa séria' que ainda não aconteceu. Falando realisticamente (porque não vale a pena sonhar), o que eu gostava mesmo de fazer era acabar o secundário e sair daqui. Ir para um outro ponto de Portugal e trabalhar. Arranjar um trabalho que pagasse razoavelmente e me desse experiência e me ajudasse a crescer. Se não fosse demasiado pesado em termos de horas, faria também voluntariado numa qualquer área que precisasse. Se me deixassem, era isto que fazia. Mas ainda falta um ano e num ano muita coisa pode mudar (I wish!). Lutemos então pelas mudanças.

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