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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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08 de Novembro, 2013

Cinzento

Inês

Os meus dias continuam das maiores tristezas. É uma fase má. Não há volta a dar. Ando triste, cabisbaixa, rabugenta, chateada, desmotivada, sem entusiasmo e muito pouca coisa me faz rir. Não sou assim. Nem de perto nem de longe. Sou uma pessoa de riso muito fácil, o sorriso e os dentes fazem parte do meu rosto normal, sem esforço e tal não se tem visto. Já lá vai para semanas. Casa, escola, ginásio, volei, pessoas, tudo está uma merda. Na verdade, merda tem sido uma palavra recorrente e tal também não é de todo normal. Dizem que dizer estas asneiras alivia uma certa tensão e ajuda mas não concordo. Não vejo isso a acontecer comigo. Tenho vivido tempos de contrastes. A minha cabeça anda sempre numa roda vida e, ao mesmo tempo, parece-me morta, sem vida, sem vontade de fazer isto e aquilo. Ao longo do dia, inúmeras coisas me parecem novidade ainda que já as tenha feito umas quantas vezes e a vontade de as repetir seja reduzida. Os meus dias andam da cor do céu. Passo as minhas tardes a sentir-me sozinha. Sabem aqueles velhotes chatos que metem conversa com toda a gente no autocarro? Nós, a sociedade, somos capazes de os achar chatos mesmo, falam tanto, se pararmos um pouco para pensar no assunto chegamos a sentir pena porque nos apercebemos de que aquelas pessoas passam os dias sozinhas, em casa provavelmente, vêm muito pouca gente e, portanto, quando se vêm 'cá fora' falam pelos cotovelos porque querem muito, quase desesperadamente, conviver com pessoas, algo tão natural e humano quanto isso. Tenho-me revisto, identificado, com essas pessoas. Tenho falado assim do nada com gente, tentando inserir-me nos grupos do volei, tentando ocupar o meu tempo a falar com pessoas porque assim passa muito mais rápido e abre-se a possibilidade de até ser divertido. Tenho tentado isso e mais mas acabo por perder a vontade, deixo de fazer esse esforço porque é um esforço, não o nego. Ontem, quebrei. Pela primeira vez, chorei na escola. Não é grande coisa na verdade mas, para mim, é uma acontecimento. Chorar dentro daquele recinto nunca tinha acontecido. Na escola, sempre fui forte, a imagem que passo de mim é uma imagem forte penso. E ontem quebrei. Felizmente, só uma professora e talvez umas colegas viram mas mesmo assim não deixo de sentir vergonha por terem acedido a esse meu lado fraco. A dor física despoletou uma dor emocional que, momentos antes, tinha já alertado a sua existência e que eu tentei esconder, claro. E depois, pumba!, soluços e soluços que não me deixavam respirar nem chorar convenientemente. Fiquei perto de arrasada. Saí logo da escola, mochila às costas e, mais uma vez, a estrada era o meu caminho, comigo como companhia. Não via a hora de chegar a casa e de lá não sair. Finalmente cheguei e foi das melhores coisas. De facto, as coisas mudam. Se há uns meses dava tudo para sair e ir para a cidade ter com aquelas pessoas (daí o título do blog) agora nada disso faz sentido. Elas não estão lá. Não passam de ruas cheias de ninguém, de vazio, de memórias. Com a minha mãe, contei tudo o que se passava na minha cabeça e mais lágrimas vieram claro. O dia de hoje foi passado em casa, principalmente porque não quero pôr a vista em cima daquela escola nem daqueles lugares nos próximos tempos, e, sob a justificação do médico, isso é possível para minha satisfação. Vou aproveitar esta greve e nem amanhã lá ponho os pés. Vou dormir e levantar-me à hora que me apetecer como hoje e estar em casa a ver séries até me fartar. Sábado e domingo vêm em boa hora. Estou a tirar mini-férias para mim. E adorava, adorava!, que o sol mandasse estas nuvens e esta chuva embora e viesse cobrir, de luz e alegria, também os meus dias.