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Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

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24 de Novembro, 2013

A diferença venceu na minha escola

Inês

Isto das listas tem muito que se lhe diga. Se andam no secundário, sabem do que se trata. Dois ou três dias em que o assunto das listas reina e na prática isto traduz-se em grandes cenários arranjados pelas agências de viagens de finalistas entre outras coisas como a sporjovem e tal. Cenários estes compostos por um palco, colunas até dizer chega e, conforme as possibilidades da lista, pode haver presenças de famosos, bolos e sumo entregues aos alunos, brindes, muitos brindes desde rebuçados até telemóveis (que não são nenhuma porcaria) e, enfim!, o necessário para serem os melhores e com isto entenda-se, reunirem o maior número de gente em frente ao lugar da lista em questão durante os intervalos. Qual saída noturna! A grande festa é feita ali em plena escola, à luz do dia, com profs a assistir, só faltava circular as bebidas. Isto é o normal.

Na minha escola, há sempre a lista 'top' de um conjunto de alunos que se davam com os da associação de estudantes (AE) do ano anterior e que deixarão outros tantos para a AE do ano seguinte. É como uma família, um partido, a elite, que domina sempre, de ano para ano, a corrida à AE e a AE em si no resto do ano. Depois há sempre outra lista, lista da oposição que segue toda esta artimanha de festa durante a campanha mas nunca é forte o suficiente para derrotar a 'top'. Este ano, a juntar a estas duas, surgiu uma nova lista, diferente, que em quase nada igualava as outras duas. Primeiro, porque surgiu do nada, do zero, sem antecedentes. Depois porque não fez campanha, praticamente. Era quase invisivel nos intervalos. O lugar que lhe estava reservado possuía apenas um sofá e umas quantas mesas que seguravam faixas onde se podia ler, por exemplo, 'a música são dois dias; as ações são o ano inteiro'. Não havia colunas, música ou brindes. Nada a não ser as pessoas que compõe a lista. O presidente desta lista é que não é nada invisível. Faz se notar pelas calças justas que veste todos os dias e pelo lenço que nunca tira da cabeça. Também é importante pois claro! De gente normal, estamos nós fartos. O debate, última etapa desta corrida das listas, teve, este ano, o papel mais importante, arrisco-me a dizer. O debate é importante e devia sê-lo sempre mas, nisto das eleições nas escola, há que ser honesto: o que tem mais peso é a popularidade, os brindes, as ofertas, os amigos. As ideias valem pouco. A segunda lista que refiro saiu claramente derrotada pelas outras duas e a última de que falo saiu vencedora, não dando lugar a muitas dúvidas. A lista 'top', habituada a vencer e a não ter competição à altura, saiu pouco notada, mais frágil do que alguma vez alguém pensara.  Ainda assim, qualquer pessoa afirmaria que a AE pertenceria à 'top', mais não fossem os putos de quinto e sexto ano bajulados pelos brindes que receberam. No momento da contagem dos votos, eis que o inesperado, improvável, surreal acontece. Mais estranho que a lista dita diferente ganhar é o facto de a lista habitualmente vencedora, da elite, perder. Isto sim é o acontecimento. E aconteceu! E, na verdade, no momento da escolha, no momento mais importante para nós, estudantes, a decisão recaiu sobre o que realmente interessa, sobre o que realmente pode acontecer no futuro, sobre as mudanças que queremos ver acontecer no futuro. E não nos amigos que pertencem a esta ou outra lista; não nas coisas que nos foram atiradas por essa elite de alunos que se distanciam dos demais através de um palco, de gestos, roupas, astutos, redes sociais; não nas inúmeras promessas que pouco valem de serem tantas e não serem cumpridas.

Começou um novo ciclo na minha escola. Acredito nisso. Fiz parte dessa mudança. Contribui para que tal acontecesse e sinto que fiz bem. Se as coisas vão realmente melhorar, para nós alunos, isso é uma incógnita. Uma nova lista, com novas ideias e novas pessoas é certo mas promessas, poucas ou muitas, todos as fazem. Levá-las a cabo é outra história. Nós, estudantes da mesma escola, apostámos neles, demos-lhes a oportunidade. Ninguém quer ver esta aposta perdida, nem eles, com certeza, nem nós.