"A Inês convidou um rapazito"
Fiz uma coisa. Se calhar fiz mal. Talvez sim, talvez não. Lembram-se de um projeto do qual fiz parte o ano passado de danças medievais e que atuei diversas vezes na viagem medieval? Foi ótimo, fantástico (podem ver os meus posts da altura) e este ano há mais. E já se pensa nisso cá em casa. Os ensaios começam em julho, está quase. Acontece que este ano o meu irmão não vai participar e eu assim fico sem par. Desastre! Podem imaginar que, visto que existe uma linha que me separa dos boys, a questão de arranjar um par para o quer que fosse (em física, tenho a sorte de o stôr dar essa tarefa sempre aos rapazes o que é um bocado discriminatório mas facilita-me a vida) seria horrível. E dada esta noticia do meu irmão, a minha continuidade no grupo de dança estava por um fio já que se punham dois problemas fundamentais: ter boleia para os ensaios e para as atuações (dezasseis kms de distância ainda são chatos) e ter um par. O primeiro penso estar resolvido já que tanto a minha mãe como o meu pai aceitaram alternar para que eu tenha sempre um que me leve e um que me traga. O segundo é que é a verdadeira pain in the ass. Chegar lá sem par é um risco demasiado grande que eu não quero correr. Então eu comecei a pensar 'eu tenho que resolver isto'. Quero ir. Mesmo sem o meu irmão. Não tinha mais nenhuma hipótese a não ser arranjar um rapaz qualquer lá da escola. E numa conversa mais ou menos banal eu perguntei ao curly se ele conhecia a viagem medieval, se gostava... e se lhe interessava entrar num grupo de danças medievais... e ser o meu par já que eu preciso de um. Tudo como se estivesse a falar duma outra coisa qualquer. Descompliquei o assunto e fi-lo porque não tinha planeado falar-lhe disto mas surgiu na minha cabeça a ideia de que ele daria um bom par e ainda por cima morava perto do local da viagem o que não traria problemas como o meu primeiro. Felizmente, ele mostrou-se interessado e até se ofereceu para me dar boleia (ele não deve saber bem onde eu moro porque se soubesse não fazia esta proposta). Também desdramatizou a situação ao não reagir como se eu lhe tivesse proposto um casamento o que me deixou contente. Ele coloca as pessoas à vontade e evita awkward moments o que é ótimo. Basicamente foi isto que fiz. Não me pareceu, na altura, grande coisa mas hoje ao ouvir a Diana a falar disto (e segundo a reação da Amelie por mensagens) dei conta que o meu convite pareceu aos outros algo do tipo convidar um rapaz para o baile (o que por só por si já é surpreendente, os rapazes é que deviam convidar as raparigas - eu admito que nestes assuntos pouco me importo quanto à discriminação feminina, a tarefa de convidar e tal é demasiado complicada para mim, se pudesse deixaria-a para os rapazes mas apoio o girl power, há que reconhecer coragem às que tomam a iniciativa). E agora que penso nisto, realmente eu convidei um rapaz para ser o meu par e dançar comigo nas danças da corte. Eu fiz isso e ele aceitou. Sem querer e sem me aperceber ultrapassei algo que pensei ser uma barreira natural em mim. E agora? A verdade é que tenho um bocado de receio do que fiz. Então eu convidei-o e ele não pôs qualquer problema, até se mostrou entusiasmado mas e se daqui a uns meses (Julho e Agosto) estivermos um bocado afastados e sermos um par em danças medievais seja super awkward e esquisito e algo que eu queira evitar a todo o custo? Nesse caso, estou feita. Não há voltar atrás porque ele já me disse que ia cancelar cenas que tinha planeadas para entrar nisto. E uma vez dentro do grupo, não quero ser a complicadora que estraga os planos à última da hora. Pensando também no lado positivo, tento encarar isto como algo que precisava de ser feito. Se não tivesse arranjado um rapaz, não poderia ir à viagem e aí perderia das melhores coisas que já fiz parte. E, visto bem a situação, ele era o único que conheço que realmente poderia gostar de fazer parte de um grupo de danças medievais. Talvez não esteja tudo perdido. Talvez até tenha encontrado exatamente o que precisava.
Depois de uns minutos:
Ocorreu na minha mente algo que ainda não tinha ocorrido. E se o curly encarou o meu 'convite' como a Diana e a Amelie o encararam? Será que agora pensa coisas muito mais à frente do que, na realidade, são? Aí tenho que pôr um travão. Resta saber como.