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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

27 de Junho, 2014

Controlo

Inês

Acho que a principal razão para querer sair de casa, afastar-me da minha família e mudar de vida é o facto de não conseguir controlar a minha vida como queria estando neste ambiente. Não controlo o que como, os gastos desta casa, os transportes que preciso, as saídas que quero fazer e isso irrita-me, perturba-me, deixa-me com uma vontade imensa de ter, finalmente, um espaço de poucos metros quadrados, onde não entrem chocolates, pão e coisas que tais, onde não seja gasto dinheiro em comida que acaba por nunca ser comida, onde se poupe na água e na luz, onde se possa ir correr, caminhar ou fazer exercício sem perguntas e olhares inoportunos, que possa decorarar a meu gosto, viver sob os meus horários, onde faça a minha vida do jeito exato como quero fazer, onde controle a minha vida. Porque aqui não consigo controlar. Chateio-me com as coisas que vejo acontecer à minha frente uma vez e outra e outra, sempre em repetição. Desisti de querer mudar as coisas. Parte de crescer é apercebermo-nos de que poucas são as coisas que conseguimos mudar, quase nada na verdade. O mundo é como é e nós é que somos os novos seres dele. Cabe-nos adequarmo-nos a ele. E cabe-nos a nossa vida. Só a nossa. De mais ninguém. E é difícil entender isso! Mas é verdade. A minha vida é a única coisa que consigo controlar e mesmo isto não é cem por cento verdade. E aqui em casa, por mais que tente, não consigo esse controlo e depois fico triste, frustrada, comigo mesma. Quero ser colocada numa situação só minha, quero ter que desenrascar-me, quero viver sozinha. Quero tanto! Preciso de ter coisas a acontecer na minha vida constantemente. Aquela agitação, a ansiedade! Os dias ocupados, a correr. Gosto disso. De poucas coisas gosto mais que não uma semana cheia de planos. Abomino esta estagnação, esta inércia, este poço de nada da minha família. Não quero ficar neste ciclo vicioso. Já foram quase dezoito anos. Sinto que se não sair agora, durante este ano, neste ponto tão fundamental que é o fim de secundário, corro o risco de cá ficar mais outra vida, como o meu irmão (que exemplo tão familiar!), tem trinta anos e continua cá. Não quero ser como ele. Permanecer aqui é morrer. Adoro a minha mãe e o meu irmão. São as pessoas mais importante. São a minha família. Mas ninguém pode viver a minha vida por mim. E, mais forte que isso, é o facto de eu querer muito vivê-la.

25 de Junho, 2014

Repensar tudo

Inês

A maior parte das pessoas mais próxima de mim lá da escola são de cursos profissionais. Há cerca de três meses começaram todos a fazer o estágio e eu sempre olhei para esta experiência deles com alguma inveja. Eu gostava também de ter uma experiência profissional na área que estudo há três anos. Adorava! É, sem dúvida, das coisas que mais quero fazer agora, neste momento, já. Não daqui a três ou cinco anos, depois de mais o que parece ser outra vida de escola. Estou saturada deste sistema de aulas e testes e estudo. É verdade e tal não significa que seja daqueles alunos que detesta a escola. Não detesto e claro que aguentava bastante mais se fosse preciso mas a realidade é que estou simplesmente saturada deste esquema. Quero mudar, quero aplicar os conhecimentos que aprendi, quero ver as coisas a funcionar, quero fazê-las funcionar, quero fazer parte de uma equipa de trabalho, entrar nesse mundo do trabalho. Quero muito isso agora. Sei que passado algum tempo o meu discurso muito provavelmente mudaria e mudará mas no presente é isto que quero. Esta época de exames deita-me um bocado abaixo. No inicio ainda estava super motivada e conseguia estudar mesmo bem mas agora nestes últimos dias só tive maus estudos atrás de maus estudos. E vejo os meus colegas a estudar de forma super regrada e rigorosa, fechados em casa só com livros à frente e penso porque é que não consigo ter a vontade deles e aquele poder de concentração. E depois penso no que me espera daqui a uns meses: faculdade. Exames e mais exames. O que é agora um acontecimento especial, tornar-se-á normalidade. Exames, trabalhos, recursos, tudo para ontem. Tenho bem a noção de que tudo se torna mais difícil enquanto que também nós nos tornamos melhores e então tudo se adapta mas conseguirei adaptar-me assim a um estilo de vida que mal tenho aguentado nestes dias? E é que se me matasse a estudar, andasse aí toda lixada mas os resultados aparecessem até ficava satisfeita mas não. a concentração vai e vem e assim não dá para ter um bom estudo e os resultados mantém-se negativos ou medianos. E isso envergonha-me. Não estou habituada a resultados medianos, nunca estive nem quero estar mas vejo-me perante eles na matemática e detesto. Faço exames e exames e as notas aparentes que tenho continuam a não ser suficientes para o que preciso, o que 'quero'. E isto de precisar de notas, deixa-me revoltada com o sistema e comigo mesma por estar dentro dele e já ter interiorizado os seus mecanismos. Preciso de 14,5 no estúpido exame de matemática de amanhã. A questão nem sequer se põe em dominar a disciplina. Dê por onde der, 'só' preciso de 14,5 valores e lixo-me para tudo o resto. Estou mesmo desmotivada agora para estudar e até considerar sequer o futuro na faculdade. A faculdade é para mim uma opção imposta pela família, pelos profs e pela sociedade em geral. "Tens boas notas, és boa aluna, claro que vais para a faculdade, era um desperdício se não fosses"... Honestamente, não sei o que refletir, se há plano B para considerar, se o deveria ter em mente sequer. Daqui a quinze horas ou estou muito bem ou muito mal. Até lá, vou dormir e tentar não pensar sobre coisas menos complexas que para complexos já me bastam os números.

20 de Junho, 2014

Estudo

Inês

Tenho ficado bastante satisfeita com o meu próprio comportamento em relação ao estudo que imponho a mim própria. Tem sido regrado quanto baste, diário, autónomo e deixa-me, a cada dia, orgulhosa de ter conseguido ser assim. Depois há hoje. Começo com as probabilidades logo de manhã, chateio-me com aquela porcaria e passo a tarde a dormir. Amanhã vai ser o dia todo na matemática, e sábado de manhã e domingo mais outro dia. Mal posso esperar!...

18 de Junho, 2014

A saber-se

Inês

  • o exame de hoje correu muitíssimo bem. um dos três pesos que tinha já se foi, e em grande, e isso deixa-me com aquela sensação de objetivo cumprido.

  • depois desse exame, perdi autocarro. olha o azar! como se eu me importasse depois de um exame assim...

  • o low cost é dos melhores sítios do mundo porque, para além das natas e croissants de chocolate por cinquenta cêntimos, consigo almoçar lá uma sopa e um prato de salada de atum, ovo cozido e alface por um euro e trinta e cinco. o que é que eu havia de querer mais?

  • descobri uma coisa que me sabe melhor do que pão com queijo! iogurte natural com cereais, trigo e aveia. o snack perfeito. e eu gosto!

  • comprei vestidos suuuuper giros na feira para o verão por dois euros e meio!! dois euros e meio! se há há coisa que eu gosto nos ciganos, é essa!

  • é estranho mas, depois de mais de uma semana sem ver o Lid, falo mais com ele do que falava quando o via todos os dias na escola. ontem falamos durante uma hora e meia ao telemóvel. falamos de muita coisa, desde ele, a nós e até sobre Salazar! um ano depois e é tudo tão igual e tão diferente.

16 de Junho, 2014

A melhor desculpa para comer

Inês

um pacote inteiro de bolachas maria cuidadosamente misturados com quadradinhos de chocolate preto é passar um par de horas a estudar. Estudei. Logo, um dos objetivos da minha vida cumpriu-se. O outro, bem o outro, foi por água abaixo. Ou garganta, neste caso.

06 de Junho, 2014

12º

Inês

Foram: tardes passadas no low cost agarrada aos livros, passar de zero, a um e até dois cafés por dia porque café sabe muito bem, foram discussões e discussões com a minha mãe, atrasos constantes às aulas porque os intervalos são curtos e muito bem passados e quase só eles é que temos para estar com as pessoas mais fixes, foi uma crush surgida de uma única conversa que infelizmente nunca se chegou a repetir,foi meio ano bem em baixo, e outro meio bem em cima, foi one direction e criminal minds e bing bang, foi uma turma fragmentada mas divertida, divertida, divertida, foi uma batalha constante contra a comida e a favor do desporto e ainda é ,foram amigos, amigos e amigos, foi Lid,Lid, Lid mesmo quando ele não lá estava, mesmo quando eu pensava que já não o queria lá e afinal ele se calhar nunca esteve. Acabo a minha experiência de secundário mudada, muito diferente do quando entrei naquela grande escola. Saio muito mais descontraída, confiante, segura de mim, feliz, sociável, independente, conhecedora, com um horizonte longe e bem o quero longe. Tenho um caminho imenso para percorrer. Vejo que tudo posso fazer nesse caminho. É meu. Passar por estes três anos foi das maiores e melhores experiências da minha vida. E assim o deve ser para todos. E que venham mais três anos de faculdade. E mais três depois desses e que venha a vida toda. Ah que bom!

05 de Junho, 2014

Blimunda e Baltasar

Inês

Desde que fiquei a duzentas páginas do final d'Os Maias, disse a mim mesma que não tentaria sequer fazer o esforço de ler o Memorial porque entender a obra e os mais diversos excertos não dependem, de jeito nenhum, de ler aquele livro inteiro que me interessava tão pouco. E é verdade. Não fiz esforço nenhum para ler o Memorial. Li-o por vontade própria e gostei bastante. Comecei por ler um capítulo apenas dada a obrigação de o apresentar à turma e a curiosidade foi tão grande que acabei por ir lendo a história de trás para a frente. A verdade é que pouco me surpreendeu porque já tínhamos dado grande parte da história nas aulas mas ler aquela forma de escrever tão particular interessa-me assim só por ser tão estranha, bonita e assertiva. Saramago, com as suas longas frases e críticas, prendeu-me bem. E a dinâmica de Blimunda e Baltasar mais ainda. Gostei muito, muito, muito.

04 de Junho, 2014

As disciplinas do 12º ano

Inês

Gostava de ter lido mais testemunhos acerca das disciplinas que se têm ao longo do secundário quando estava a chegar o tempo de fazer as minhas opções. Por isso, vou deixar aqui algumas considerações acerca das diversas disciplinas que tive durante os três e que podem ser úteis para futuras escolhas de quem por aqui passa porque acho muito necessário que se entenda que tipo de matéria é ou não da nossa área de interesses para abordagens mais profundas. Caso contrário, arriscamo-nos a perder tempo e a baixar a média com maus resultados.

Matemática - bem, por onde começar... saí do nono ano com cinco a pensar que dominava a matemática. Só pensava mesmo porque logo nas duas primeiras ou três aulas de décimo, declaro rendição.  A diferença é, mesmo, gigantesca. Levam-se os números e letras (que são mais que os números) a um nível muito superior e não aconselho ninguém com já algumas dificuldades a enveredar por cursos onde leva a matemática mais além. Uns quantos colegas meus ficaram pelo caminho por causa desta disciplina e isso é que ninguém quer porque tal só significa o desperdício de um ou dois anos. O ritmo das aulas é super rápido, a quantidade de matéria imensa, se querem ser alunos bonzinhos têm que fazer TODOS os exercícios que o manual tem e, se quer ser mesmo bons, há mais manuais de exercícios para serem feitos. Não há estudar, há trabalhar a matemática.

Economia - exclusiva para alunos de socioeconómicas, a Economia A de décimo e décimo primeiro é quase toda ela relativamente fácil e acessível. A matéria é, na maior parte teórica, mas também prática com a utilização de fórmulas e tabelas para certos temas. A nomenclatura desta disciplina é, provavelmente, o aspeto mais importante. As designações e conceitos próprios de economia têm que ser todos sabidos. Depois, dá-se uma relevância ennnnorme ao desenvolvimento e da forma como este está relacionado com o crescimento. O décimo segundo de Economia C é só sobre isso: desenvolvimento e crescimento. O segundo aspeto mais importante para se ser bem sucedido aqui é a capacidade de comentar, opinar, relacionar e argumentar situações, fenómenos sociais, processos e coisas que tais. Basicamente, alguém que reflita, se saiba exprimir facilmente e esteja atento à história e à atualidade faz a disciplina e não custa nada.

Geografia - no décimo e décimo primeiro, dá-se muita geografia física (a meteorologia, as rochas, etc...) e alguma política também (a UE, as políticas europeias, etc.) e esta é daquelas onde se tem que marrar. No décimo segundo, tudo é muito mais interessante do meu ponto de vista. Dão-se os conflitos a nível mundial, atuais sobretudo, o desenvolvimento e alguma política também. E eu adorei tudo isso! Principalmente porque são assuntos atuais ou recentes e a abordagem que os profs lhes dão pode ser muito mais atrativa. O ambiente também é muito referido tanto a em Geografia como em Economia de todos os anos. Acho que não há curso que se livre disso.

E, das disciplinas que se podem escolher, é isso. Da minha experiência, não me arrependo de ter escolhido nenhuma estas áreas (a matemática não conta ok?). Com aulas mais ou menos aborrecidas, os temas foram quase sempre do meu interesse. Isso é fundamental, escolher algo pelo qual nos interessemos.

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