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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

27 de Setembro, 2014

Uma semana depois

Inês

Esta semana foi de fases. A expectativa do início da semana universitária foi demasiada. É o que concluo desta primeira semana. Nem tudo é festa nem animação nem diversão e amigos. Há momentos mortos, solitários, de muito trabalho, de muita pressão e momentos onde se erra a grande escala. E eu já passei por estas coisas todas na primeira semana à séria de universidade. A coisa que mais me deitou abaixo foi a extensão e complexidade da matéria e a tão reduzida probabilidade de passar a todas as cadeiras aproveitando todos ou quase todos os outros aspetos da vida universitária. Porque admito que gosto de sair, de me divertir, de me dar com as pessoas, da praxe, dos concursos entre cursos, de montes de atividades que o Campus oferece e o programa das aulas não dá tempo para aproveitar nada se eu quiser passar a todas as cadeiras. Mas os momentos bons e espetaculares continuam a acontecer e eu eu continuo a adorar.

23 de Setembro, 2014

Dois dias depois

Inês

As aulas são uma merda. Ou porque são palestras de duas horas e quase adormeço, literalmente, ou porque é matemática que não consigo acompanhar. Só cálculo se aproveita até agora. Voltar para o quarto sozinha também é uma merdinha. Estou merdinha hoje. A diversão prometida não se aplica a todos os dias.

E amanhã terei uma tarde de brincadeiras de crianças numa competição intercursos. E, sabe-se lá empurrada por que espírito, fui eu que me cheguei à frente para a inscrição. É que ser criança todos os dias fica mal e o dia de amanhã serve para isso mesmo. Há que aproveitar! :D
21 de Setembro, 2014

Primeira semana

Inês

Tanto para dizer. Durante a semana fui fazendo apontamentos mentais para vos contar aqui tudinho mas foi-se tudo como se foi assim a primeira semana num instante. Foi das semanas mais movimentadas e ocupadas da minha vida. A receção foi gigante. Literalmente. Ninguém, naquela universidade, pode dizer que foi mal recebido ou se sentiu meio abandonado. Acho que mesmo que quisesse isolar-me e andar por lá sozinha não conseguia tal era o espírito de acolhimento de todos. Só posso dizer que estou a adorar a forma que a minha vida está a tomar. Amanhã mudo-me de malas e bagagens para o meu quarto a dois passos da universidade numa residência universitária. Que sonho. Há quanto tempo é que idealizo isto mesmo? Sentir a confiança que a minha família deposita em mim é ótimo mas assusta. Todas as mudanças que foram acontecendo nos últimos tempos foram tão subtis que até é estranho notar a diferença entre o eu de agora e de há uns meses. Sou um ser tão diferente. Integro-me. Ninguém teve de o fazer por mim, na verdade, nem de dar um empurrãozinho. Naturalmente, meti conversa e criei relações com as pessoas que me rodeavam quer no comboio, na universidade ou na residência mesmo. Quanto a isso não podia estar mais satisfeita comigo mesma. E as pessoas foram correspondendo. Tenho contactos nos mais diversos cursos, anos e zonas do país. A praxe foi muito soft. Eu estava bastante assustada até admito. Tinha receio das exigências e quando fico muito nervosa tudo se torna pior. Agora estou muito mais descontraída em relação a esse aspeto. Tudo o que é necessário é ir com espírito aberto e vontade de alinhar nas brincadeiras. E a verdade é que quase tudo tem como objetivo nos divertirmo-nos mesmo. Voltarmos a ser crianças, a fazer figuras parvas e danças também. E cantar muito e bem alto. Em uníssono com a esta nova grande família que é Economia. O grito e as canções são o que mais me fascinam e apaixonam. O amor pelo curso é transcendente. Apaixonei-me por essa paixão. Acabei a semana a gritar e cantar com eles. Foi a melhor parte de tantas coisas boas que aconteceram. A próxima semana já se avizinha. As aulas assustaram um pouco. O trabalho e estudo é todo fora aulas e isso é um grande desafio para mim. Andar na universidade significa tirar um curso superior mas não só. A vida académica importa muito e ocupa todo o nosso tempo se assim desejarmos. Pensar em ir para a universidade só para ser licenciada em Economia e sonhar com rios de dinheiro depois disso não é para mim. Quero viver o agora e não me arrepender de ter apenas passado por esta fase. Quero vivê-la. Fazer destes os melhores anos da minha vida como toda a gente diz. E quero tirar o curso nos exatos três anos que ele dura com os melhores resultados que conseguir. Quero integrar-me, ser parte da universidade, do Núcleo de Estudantes de Economia, talvez até da Associação Académica, quero fazer parte do grupo de dança no qual já me inscrevi, quero sair muito, dar-me com as pessoas, conhecer mais gente. Viver muito e conseguir o equilíbrio necessário para dar o melhor de mim às cadeiras como sempre fiz até. Só me quero perder nas coisas boas da experiência universitária. Isso quero muito. E é possível. Se conheci muita gente que se perdeu demasiado também houve os que viveram muito sem deixar nada para trás. Esse é o novo sonho.

10 de Setembro, 2014

O Primeiro Dia

Inês

Ontem foi o meu primeiro dia na universidade. Não a sério, só a matrícula e mais um montão de assuntos que precisavam de ser tratados. Mas foi o primeiro contacto com as pessoas, as instalações, o sistema, este mundo novo. Não consigo deixar passar a maior dor de cabeça de sempre que já tive que foi ontem ao final do dia quando finalmente acabei por sair do Campus. As filas, a ansiedade e a pressão estragaram-me o sistema todo por dentro ainda que inconscientemente. Não é que estivesse muito nervosa. Queria estar lá, queria que tudo começasse. Adorei estar lá. Mas o tempo de espera faz aumentar exponencialmente os nervos que nem sabia que existiam. E depois há uma certa pressão, porque há, para parecer descontraído, sociável, de bem com a monstruosidade da mudança. No final, não consigo pensar em nada que tivesse corrido menos bem. Fiquei muito surpreendida com a qualidade dos serviços, do sistema, a proximidade das pessoas, tanto colegas como assistentes sociais da universidade, com a boa-disposição de todos, o acolhimento, as brincadeiras, o à vontade. A integração não é dos processos mais fáceis. Para alguns é mesmo o pior. Ajuda-me pensar que, como eu, existem muitos e muitas e que estamos todos nas mesmas circunstâncias. E é bom aperceber-me que outros também pensam como eu quando falo com eles. Ontem, meti conversa com umas raparigas do grupo em que fui colocada e era percetível a igualdade do nosso estado: nervosas, ansiosas, pouco à vontade mas com imensa vontade de comunicar e criar desde logo ligações para que todos ficássemos mais confortáveis e acompanhados. Acompanhada e apoiada foi como mais me senti ontem. Como se fosse um objetivo supremo para o Campus: integrar, apoiar e acompanhar os novos alunos. Nós somos o centro em tudo aquilo e isso faz-me sentir bem, especial, integrada, apoiada e bem acompanhada. O sistema está bem desenhado e resulta. Outra surpresa foi conhecer tanta gente da minha terra lá que nunca antes tinha visto. A grande maioria era de cá mesmo e isso originou umas situações engraçadas. Outra surpresa foi ver que quase todos se mudam para perto da universidade assim da noite para o dia. Cá em casa, quando falava sequer em sair era o maior problema do mundo. Depois foi se simplificando e agora é quase ponto assente. Ontem quando me informei sobre as residências universitárias e ouvi "a menina vai ser alojada na próxima segunda" fiquei chocada. Que eu quero sair de casa não é novidade nenhuma. Já quis muito mais, diga-se. Estar aqui tem sido bom, sem stresses mas arranjar o meu espaço continua a ser prioridade. Mas adiante, eu fico chocada e a minha mãe sai dali a chorar. Estava mais nervosa do que eu. Foi tudo muito mais estrondoso para ela e eu entendo. É uma mudança gigante e se eu anseio por ela por mil e uma razões, a minha mãe receia tal coisa. Mas apoia e eu apoio-a a ela que precisamos as duas. Sobre o meu horário só poderia dizer maravilhas não fossem as aulas de duas horas que me assustam. Tenho um dia livre e tudo! Ah sortuda! :D De resto, fala-se muito em festas, bares e festivais. Já em Outubro teremos o 'Integrate' especialmente concebido para o caloiro. Esse mundo também me assusta um bocadinho. Não sou de festas e não quero fingir uma coisa que não sou. Não sei se gostarei do ambiente. É algo a experimentar como tudo o resto. A próxima semana vai ser das mais cheias, exaustivas e divertidas da minha vida, acredito. Tudo é para a semana. Não sei ao certo o quê mas tenho a certeza que me ficará na memória e que adorarei. É esse o espírito!

10 de Setembro, 2014

A Praxe

Inês

O ano passado afirmava que nada quereria ter a ver com as praxes, esse mundo de masoquismo, hierarquias e humilhação. Este ano, embora tenha a certeza que continue a concordar numas quantas coisas com a visão anti-praxista, há uma outra faceta associada que me faz querer pertencer ser praxada. Acho que quero encontrar algo na minha vida que não tem existido e tenho a sensação que existe na praxe. E acho que vou gostar disso, das brincadeiras, das emoções, das pessoas, das aventuras, das criancices até. De ser obrigada a viver, a rir, a falar e a conhecer. Não sou tímida nem sequer muito reservada. Sou perfeitamente capaz de falar do nada com a rapariga que estiver ao meu lado e criar ali logo uma relação mas o empurrão da praxe oferece isso e muito mais. Libertar-me representa muito para mim neste momento, e sujar-me ou fazer figuras tristes no meio da rua pouca me assusta. Ontem contactei pela primeira vez com a praxe da minha universidade, a de Aveiro, e sobretudo com a do meu curso claro está. Escreveram-me na cara o curso e a minha média e propuseram-me fazer uma declaração de amor à minha mãe com as palavras "mosquitos", "zorro" e "paradoxo estático". Insistiram imenso na minha mãe, "viste sozinha?, onde está a tua mãe?, ela que te venha a ver. trá-la cá." e trouxe e falaram com ela, explicaram-lhe o que era a praxe, descansaram-na. Eu só me ria. Lá me ajoelhei, peguei na mão da minha mãe e comecei a declarar. Eles à minha volta na brincadeira, "é para chorar" diziam eles. E a minha mãe chorou, também não era preciso muito que ela estava super sensível. E eu cá chorava também mas daquela emoção. De resto, foram todos mesmo porreiros e prestáveis. Caloiros ou não conversávamos em círculo na boa sem grandes diferenças, exceto quando uma outra caloira se dirige a um trajado por tu e a mestre de curso corrige logo para a terceira pessoa. Ofereceram-nos ajuda na procura de casa se fosse o caso, apontamentos e tal... Gostei mesmo. Senti-me apoiada, acompanhada. A mestre de curso avisou que nos acompanharia sempre e não estaríamos sozinhos. Ah! E perguntaram-nos imensas vezes antes se queríamos ou não ir à praxe. Em três alturas distintas mesmo e por várias pessoas também. E se tínhamos alergias, fobias ou problemas de ossos, joelhos, etc. Ninguém ali estava obrigado nem sem voz. O assunto das praxes é aquela coisa... Em certos sítios e cursos é um abuso e tudo não passa da humilhação. Noutros a coisa é excelente. Acaba por ser uma questão de sorte quase neste sistema. E eu sinto que tive e vou aproveitá-la.

07 de Setembro, 2014

"Entrei na Universidade de Aveiro em Economia"

Inês

Já o disse umas quantas vezes desde ontem à noite quando finalmente os resultados saíram. Isso e "Entrei na faculdade. Já sou aluna universitária". Estou feliz e ansiosa para que tudo comece. Tudo, tudo, tudo. Tenho as próximas semanas para me habituar às viagens de comboio, à casa dos tios onde vou ficar a dormir, à faculdade, à cidade que é nova para mim, aos colegas, às pessoas, aos professores, a tudo, tudo, tudo. E espero nunca me habituar. Se me habituo, farto-me, saturo. Quero sentir-me sempre bem lá. Quero nunca me cansar de lá estar. Quero ser feliz em Aveiro.