Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

25 de Dezembro, 2019

Felicidade = 0 Expectativas

Inês

Tenho um grave problema com dias de festividades. Principalmente, o meu aniversário e a passagem de ano mas também o Natal. Tudo o que seja encarado como festividade com dia marcado tem uma alta probabilidade de correr mal para mim. Isto porque não consigo domesticar o meu mood para estar conforme esperado e também porque a felicidade está, para mim, intimamente relacionada com as expectativas. Se há festividades com dia marcado, existem quase que automaticamente expectativas para que as coisas ocorrem de uma certa forma e isso é que para mim estraga tudo. Sou mais feliz no dia-a-dia, no quotidiano, no trabalho, na universidade quando tinha aulas, a ouvir música, a fazer as coisas random que faço quase de forma automática e que no dia-a-dia pouco significam mas que são, sem qualquer dúvida, os meus momentos mais felizes, mais leves e mais sorridentes. O único dia feliz que recordo que foi marcado e planeado e que mesmo assim correu bem foi a minha Benção das Pastas que tinha o propósito de colocar um ponto final na licenciatura. Recordo-me que, apesar de alguns contratempos, na generalidade do dia, senti-me imensamente feliz. Nos meus aniversários é para esquecer. Não há um que se aproveite dos anos recentes. Nas passagens de anos, idem aspas. Recordo-me até de uma passagem de ano, há uns anos, em que não saí de casa e fui dormir antes da meia-noite. Acordei chateada à meia-noite com os foguetes e fui estudar noite dentro. A minha mãe ficou chateada nesse ano porque não fomos a lado nenhum. Não me quis deixar sozinha e não acreditou quando eu disse que ia simplesmente dormir e encarar a passagem de ano como uma noite em tudo igual às outras.

As épocas mais felizes da minha vida aconteceram quando conheci a Amelie pois conhecê-la foi uma completa surpresa e a cada dia que passavamos juntas mais e mais surpreendida ficava. Outra época feliz foi o primeiro ano de universidade. O primeiro semestre foi um completo completo choque. A praxe, a cidade, a nova estrutura, toda a gente nova, a residência, as noitadas. Tudo, tudo, tudo uma novidade sobretudo para mim que vim da "aldeia" e de uma adolescência quase nula para um mundo completamente díspar. Foi dos melhores tempos da minha vida. A seguir, Erasmus. Apesar de ter a expectativa que iria ser um período fantástico da minha vida, não havia expectativas concretas e reais do que iria acontecer e, once again, tudo novidade, tudo fora da caixa, a única via era a constante surpresa, o constante ultrapassar das expectativas (porque na verdade, não havia expectativa de nada em concreto, apenas tudo no geral). A experiência de verão em Itália também foi um momento marcante. No início, houve choque pela negativa pois não estava nada à espera do que encontrei (expectativas...) mas depois apaixonei-me por aquela realidade e fui tremendamente feliz. Desde esse momento para cá (exceto a Benção das Pastas), não ouve ainda acontecimento de felicidade equiparável. Defender a Tese e ouvir a apreciação e avaliação do jurí foi um momento bastante entusiasmante e feliz porque, lá está, ia mesmo com baixas expectativas pois estava ciente das limitações que o meu trabalho tinha. Fui completamente surpreendida com as palavras deles e isso trouxe-me umas boas horas de felicidade.

Acredito que apenas as crianças são verdadeiramente felizes. Ou pelo menos as que o conseguem ser durante mais tempo. As crianças não tem perceção do passado nem do futuro. Apenas do presente e isso é essencial para conseguir ser verdadeiramente feliz. Quem vive no presente consegue estar mais disponível para sentir-se feliz. Está mais despegado de tudo e qualquer coisa que possam interferir ou bloquear essa sensação. Creio que o budismo também usa muito esta filosofia (ouvi no Podcast Janela Aberta) mas penso que eles não encaram tanto como "felicidade" mas mais no sentido de bem-estar contigo próprio.

Claro que o pior é ter a noção disto e que a nossa oportunidade para acumular momentos de felicidade já terminou há largos anos. Por outro lado é curioso pensar que apesar de ter a certeza que fui mais feliz em criança, não tenho memórias desses tempos e os que recordo de forma mais marcante são os mais recentes. Apesar de mais escassos, ficam mais marcados. Funny way our brain works.

Anyway, este é o primeiro Natal sem o meu avô cá. Este era o principal desafio a ultrapassar. Tinha muita coisa para ser um Natal muito triste e creio que, pelo menos até ao momento, está a ser um Natal com saldo positivo.

19 de Dezembro, 2019

Ligaste

Inês

Ligaste porque tens tido problemas e os relacionas comigo. Ligaste porque não te sentes bem e não sabes bem porquê. Ligaste porque começas a sentir falta de algo. Afinal não és assim tão "forte" como me disseste na nossa última conversa. Ligaste porque começas a ficar nervoso e ansioso antes de voltarmos a estar juntos ao fim de tanto tempo. Ligaste porque sabias que as coisas não estavam bem mas nunca pensaste que estivessem tão mal. Nunca me ouviste porque sempre to disse. Ligaste porque precisas de falar com alguém e não tens ninguém com quem falar. Nunca gostaste de falar. Dizias que falavas mas não falavas. Passava-te tudo ao lado. Falaste comigo. Ligaste porque não fui eu a ligar primeiro e isso mexeu contigo. Eu disse-te que me desapaixonei por ti. Não acreditaste. Ficaste surpreendido por para mim estar a ser "tão fácil". Não o foi durante muito tempo. O meu luto aconteceu dentro da relação e não o viste. Ligaste porque estás a refletir e não sabes a que conclusão chegar. Ligaste porque comecaste a perceber algumas das coisas que te disse. Ligaste e a tua chamada não me foi indiferente. Continuo desapaixonada por ti e a tua chamada só me fez perceber que há coisas que não quero mesmo com toda a certeza do mundo voltar a ter na minha vida. Terás que refletir muito mais e eu terei que fazer o esforço de não me esquecer de tudo o que não quero. Espero manter-me assim.

15 de Dezembro, 2019

A ti,

Inês

Tens dito que eu tenho andado estranha e afastada e tens razão. Penso que talvez não saibas o verdadeiro motivo. A partida do meu avô foi um momento de viragem para mim, sobretudo neste ano de mudanças e várias dificuldades. A tua ausência e falta de empatia para com o que se estava a passar foram, para mim, graves, tendo em conta o papel que temos na vida um de outro. Este foi o momento de não retorno. Foi aqui que percebi que essa falta de empatia foi comum a muitos outros momentos da nossa relação de três anos e meio. Muitas das nossas desavenças basearam-se nos mesmos temas o que significa que durante todo este tempo não nos conseguimos aproximar em aspetos que, pelo menos eu, considero essenciais. Temos discussões a mais e, para mim, as diferenças ultrapassaram aquilo que nos unia. Como sempre te disse, para mim uma relação de amor, de amizade ou até de outra natureza é uma sequência de acontecimentos e memórias, boas e más. É impossível esquecer e ignorar coisas que aconteceram. Está tudo ligado como num colar de pérolas. Sinto que essa falta de empatia liga, de facto, a maior parte das discussões que tivemos. Sinto que negligenciaste muitas das conversas que tivemos, não lhes deste importância. Penso que uma relação deve ser feita de compreensão e entendimento, de querer o bem um do outro. Faltaram coisas simples, sabes bem. Coisas muito simples que escolheste ignorar uma vez e outra e outra. Talvez não sejamos simplesmente os pares um do outro. Sei que there's no such thing as the one mas não podemos estar tão errados. Acho que também somos ambos maus a dar a volta à rotina e isso não ajuda, bem pelo contrário. Talvez seja assim porque em vez de namorarmos, estamos apenas habituados e conformados um com o outro. Não é isso que quero para mim. O que acontece é que nesta situação de estagnação e acumular de discussões o sentimento que eu tinha por ti perdeu-se. Sinto mesmo que é como se a nossa relação fosse uma ficha ligada à tomada. Íamos tropeçando nela e a ficha ia enfraquecendo mas o sentimento sempre a manteve ligada. Até que chegou ao ponto em que o tropeção, apesar de até não ter sido o mais forte, foi o suficiente para a ficha se desprender. Quase que de uma forma natural o sentimento que eu tinha por ti desapareceu. Estranho mas foi assim. Deixei de de ter vontade de falar contigo e de estar contigo. Perdi a esperança que alguma vez as coisas fossem diferentes. Perdi até o interesse em que isso acontecesse. No decorrer daquela semana em agosto, com tudo o que estava a acontecer e sem ti presente, de forma nenhuma, eu tomei consciência que realmente temos personalidades mesmo distantes e que nos momentos cruciais, não existia um "nós", apenas estava lá "eu". Apesar disso foi uma decisão pensada. Pensei muito. Uma relação de tanto tempo não termina só porque sim. Sei que sou impulsiva em muita coisa mas nisto não. Tudo isto que te digo nesta carta é apenas um desabafo e uma consciencialização do ponto de situação. Não quero que tomes isto como mais um apontar o dedo. Já não se trata disso. Mas se as coisas terminam é porque não estão bem e se não estão bem, devemos compreender o que correu mal. Serve como ponto de partida para fazer melhor no futuro.

Obrigada por todos os momentos bons.

Um beijinho grande,

Inês

08 de Dezembro, 2019

Joana e Desvantagens à Partida

Inês

A Joana é minha colega de trabalho. É, em muitos aspetos, igual a mim. Sobretudo no que é visível para os outros, lá na empresa. Começamos ambas como estagiárias. Licenciamo-nos na mesma cidade. Temos a mesma idade. Tornamo-nos grandes amigas. Adoro-a. Mesmo. Reparei há uns tempos que uma das razões para gostar tanto dela, é ela própria gostar tanto de mim e investir tanto e sem medo na nossa amizade. Eu sou mais reservada e mais cautelosa. E isso até podia afastá-la. Mas não. A Joana é super inocente e ingénua. Nunca vê mal em ninguém. Dá-se facilmente com as pessoas. Não tem filtros. Na verdade, ela tem tão poucos filtros que às vezes isso a prejudica. Porque trabalho é trabalho e há fronteiras que não deviam ser ultrapassadas neste meio. Mas, lá está, a Joana não tem maldade nenhuma dentro dela por isso nem imagina que outros possam ter. Ela vê a vida a cor-de-rosa porque nunca teve ocasião de ver outro tipo de cores. Sobretudo as mais negras. Que bom é viver assim. A vida dela sempre foi colorida com as melhores cores. Estabilidade, família, saúde, dinheiro que chegue, amigos até mais não, namorado...

É exatamente como a nossa vida devia ser. Ter este aspetos assegurados dá-nos liberdade para sermos o melhor de nós e fazer o melhor possível com a nossa vida. Dá-los possibilidade de ser mais felizes. Penso muito no contraste das nossas vida.

Houve uma decisão que mudou quase que completamente o rumo da minha vida. E não foi uma decisão minha. Trata-se do divórcio dos meus pais. Até aos meus 11 anos eu podia ser uma outra Joana: pais juntos, casa confortável. Estabilidade. Tudo gira à volta disso. A partir dos 11 tudo mudou. A minha mãe é frágil. Sempre foi. E com a separação, ficamos só eu e ela. Quase duas crianças. Mais tarde juntou-se o meu irmão e fez pausa na vida dele para que nós nos mantivéssemos... minimamente estáveis. Entretanto eu saí: faculdade e erasmus. Regressei e cá continuamos os três. Este ano a vida deu uma volta de cento e oitenta graus e eu tive que assumir uma série de responsabilidades novas. E aí é que me apercebi da injustiça que isto é, a um nível social macro. O meu ano foi passado a preocupar-me com a minha mãe, a investir nela, a garantir que ela estava bem porque infelizmente sozinha não se governa. Assumi isso porque o meu irmão já o fez durante mais de dez anos e agora o papel dele é seguir com a sua própria vida. Arranjar uma casa, construir uma família. Tem 37 anos e ainda não tem isso. Não estava acomodado. Estava preocupado. E preso. E ainda está. Mas agora é a minha vez de ficar presa. Não sei até quando irei conseguir porque sou muito diferente do meu irmão. Não se coloca em questão o quanto eu gosto da minha mãe. Amo-a mundos e mundos. Por isso é que não conseguimos ir embora. Não conseguimos descansar. A Joana também ama mundos e mundos a mãe dela. Só que o que nos diferencia é que a mãe dela está bem e a minha não. E isto é uma desvantagem na linha de partida da minha vida. Quase como uma condenação à partida. Claro que podia ser pior. Podia ter tido outro tipo de problemas ainda mais cedo. Poderia ter sido alvo de outro tipo de desigualdades sociais. Isto nem sequer é uma desigualdade social. Mas é, de alguma forma, uma castração social, percebem? Não me sei explicar completamente mas o que sinto é que quem tem dificuldades e preocupações com origem ascendente, terá mais dificuldades em ser feliz. Ou não o será tantas vezes. Ou não o será tão cedo. Quase efetivamente como uma desigualdade económica. Se te falta dinheiro em casa, quando começas a trabalhar, os rendimentos são para casa e não para gastar em lazer. Também acontece aqui. Há um nível tão elevado de preocupações e assuntos por resolver que não há espaço nem liberdade, ainda, para nos focarmos na nossa própria vida ou então tanto quanto seria socialmente expectável. E eu estou tão cansada, tão cansada. Só desejo, por tudo, que chegue esse momento em que posso olhar para trás e sentir que as coisas estão estáveis e que podemos finalmente voar mais leves. Só espero que isso ainda seja de facto uma possibilidade nesta vida. Se pudesse pedir um desejo para a minha vida, apenas um, a única coisa que pediria é que houvesse a chance de seres feliz, mãe. Só te quero feliz. É o meu sonho. A seguir a isso, tudo ficará bem.

03 de Dezembro, 2019

02.12.2019

Inês

Ontem dei por mim a tentar encontrar este blog. Foi difícil. Não sabia a password da sapo para aceder internamente e estava a procurar por um título antigo. Não me recordava deste "teenage dirtbag". Chego aqui por ruas e travessas e o estaminé tem mesmo ar de abandono. O layout sem imagens (que já corrigi!). Os últimos posts a questionar se isto é mesmo o meu blog... Durante cerca de 2 anos nem me lembrei que isto existia. Recentemente tenho sentido necessidade de organizar os pensamentos e, sobretudo, de os registar em algum sítio para mais tarde recordar. Ontem, enquanto lia alguns textos que por aqui se mantêm, dei por mim a relembrar episódios que aconteceram há 5, 6 anos. É precisamente isso que pretendo. Ter um arquivo de pensamentos. Ler-me. Uma pessoa tem 23 anos mas parece que há cenas que aconteceram noutra vida. Os últimos posts foram escritos há 2, 3 anos quando estava na universidade e em Erasmus. Nem sequer me lembro de os escrever. Ao lê-los, recordo-me de sentir o que eles dizem mas não me recordo de escrever no blog nesse período da minha vida. Time fucking flies. Esses foram os momentos onde fui mais feliz: primeiro ano de universidade e Erasmus. Pensando bem fui mais feliz ainda noutra fase mas "recentemente" foram esses os momentos onde senti felicidade durante mais tempo. Foram dos momentos onde fui mais feliz e também mais triste, sobretudo durante o Erasmus. Ficará um tema para exploração futura. Muita coisa mudou e muita coisa manteve-se igual. No geral, está tudo ótimo e um caos ao mesmo tempo. Li uma vez num episódio de Criminal Minds que todas as famílias felizes são felizes da mesma forma e todas as famílias infelizes são infelizes de formas diferentes. Essa frase vem-me muitas vezes à cabeça. Na verdade também sinto necessidade de escrever porque fui perdendo essas capacidades. Culpa minha, eu sei. Escrevia muito e bem no secundário. Depois fui para a universidade e perdi o hábito. É certo que a universidade não tem o dever de nos fomentar hábitos de leitura ou escrita. Esses hábitos foram fomentados na escola (pelo menos as bases foram criadas). Chega uma altura em que devemos ser nós a procurar mantê-los. Fui má a mantê-los. Muito má na verdade. Ainda por cima no meu curso em que só via números e gráficos à frente. Além disso, no primeiro ano de universidade, as distrações eram tantas que... uma pessoa perde-se. Perdi a eloquência, a diversidade de vocabulário e a facilidade de discurso. Retomei agora a leitura e espero retomar a escrita. Mesmo sendo apenas devaneios do meu cérebro escritos em posts espero que ajude a resgatar as minhas skills perdidas. Comecei a ler o 1984. Não consegui terminar o livro. Acredito que seja fantástico mas não consegui terminar. Peguei no 50 shades of grey. I know. Shame on me. Preciso de resgastar o gosto pela leitura. Pareceu-me um livro bom para o efeito. Algo leve, viciante, direcionado para gajas. E foi. Li-o em 4 dias. A Ana mete-me alguns nervos. Uma personagem um tanto ou quanto chatinha. Mulheres assim não se recomendam. E, pronto... Importa dizer ainda que pretendo ser brutalmente honesta (conforme o sou na minha cabeça e como sempre fui também aqui). Por isso, espero que ninguém ouça.

PS: Continuo a amar a música aqui em baixo. Há coisas mesmo bonitas caraças.