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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

22 de Setembro, 2020

Ornatos

Inês

Ornatos é para mim o melhor grupo musical português de sempre. Consigo ouvi-los horas a fio, dias a fio, semanas seguidas sem me cansar. Não supero os populares Chaga ou Ouvi Dizer. Não supero, de igual forma, o intenso Pára-me Agora. E o Capitão Romance que fala exatamente aquilo que eu sinto. E o Devagar? Para mim das músicas mais bonitas de sempre (a par de Luzia dos Diabo na Cruz). Manel Cruz é incrível (assim como Jorge Cruz, curiosamente partilham o apelido e são os dois da mesma zona) e eu adoro, adoro, adoro Ornatos.

17 de Setembro, 2020

Verão mais Verão

Inês

Hoje parece que vai chover. Parece-me então o dia perfeito para colocar um ponto final no chamado Verão, infelizmente.

A semana passada comprei o terceiro frasco de protetor solar este ano. Inédito. E estou-vos a falar de frascos normais, dos médios, praí 300ml. Nunca em outro verão, que eu me lembre, tenha sequer gasto um frasco inteiro. Normalmente, vai parar ao lixo por passar o prazo de validade. Daí que 2020 está a ser pioneiro em muitos aspectos.

Mudei de casa o ano passado para mais perto da costa e portanto valorizo muito esta grande vantagem que é sermos os sortudos de termos nascido num local tão perto da praia. Imaginem se nascessemos em Madrid, não tínhamos praia. Ou Paris, ou Londres, ou Berlim, etc. Mas nascemos em Portugal (que pior das hipóteses, tem praia a 200 kms, se vivermos ao lado de Espanha) e temos a maravilha do mar e areal na palma da mão. Pego no carro e em 5 min estou na praia. Fiz isso muitas vezes este ano. Comecei logo em Maio e foram raros os fins-de-semana de Junho e Julho em que não estive com um pé na praia. Em Agosto, rumei ao Algarve e não houve um dia também que não aproveitasse o sol e a água.

Além disso, este ano algo mudou em mim no que diz repeito ao chamado "ir a banhos". Eu era aquela pessoa que nunca entrava na água. Fui habituada a isso. Só molhava os pés. Com o passar dos anos assim continuei e tinha medo de entrar na água. Convinhamos que a água do norte também não é particularmente convidativa pelo que nunca tive grande curiosidade nem interesse. No entanto, apesar disso e ainda nas águas do norte, este ano aventurei-me nos mergulhos e devo dizer que estou incrivelmente surpreendida comigo mesma. Entro em 5 min e mergulho. Custa ligeiramente, não minto, mas quase nada! Ainda no passado fim-de-semana aproveitei as boas tempraturas para me despedir da praia e apesar de esperar águas praticamente geladas (até porque não estava assim tanto calor), mergulhei num instante. Mais rápido até que a Joana. Eu acho que acabei por mudar quase do oito para o oitenta. Antes nunca entrava na água, agora entro sempre e rápido. É para compensar.

De resto, neste verão, em julho, tive ainda a felicidade de ter um fim-de-semana com as minhas amigas da licenciatura na casa da Pat no Furadouro. Foram só dois dias mas foi muito bom poder estar com elas no registo de verão. Além de que agora só conseguimos estar as cinco juntas poucas vezes por ano.

Será um Verão que me ficará na memória (pelo menos para já). Será bom sinal que apareçam verões ainda mais memoráveis do que este.

12 de Setembro, 2020

Excertos do Trabalho #3

Inês

"Eu acho que estás a ganhar muito pouco, tendo em conta as tuas responsabilidades. És super desenrascada, aprendes rápido, és muito acessível e sociável, és muito bem disposta, super despachada, não crias conflitos." (SR)

11 de Setembro, 2020

Excertos do Trabalho #2

Inês

Não é bem que me ensionou... É mais que "disse" e eu quero guardar para a posteridade.

"Não sou eu que decido. É a Inês. A Inês é que tem que gostar dos valores. Tem que a convencer." numa reunião 2x2, CTT vs. MAS com o RA.

Já vos disse o quanto eu detesto os CTT? Fizeram-me a vida negra aqui na empresa. Tenho-lhes um pó que nem é bom.

10 de Setembro, 2020

Eu ontem corri 10 kms

Inês

Nem acredito nisto.

Ontem, sem plano e até um pouco chateada com a vida, fui correr com o meu irmão. Fizemos o aquecimento. Começamos juntos e, como habitual, separamo-nos porque ele corre muito mais do que eu. Fui correndo ao meu ritmo, e agora olhando para trás percebo que os primeiros três kms custam muito mais do que os outros. Nestes tenho que controlar a respiração e esforçar-me para manter uma passada leve que não me faça doer as pernas. O meu normal e máximo de sempre era fazer 4 kms em 30 min. Consegui fazer 4 kms em menos do que esse tempo e então comecei a negociar comigo própria: "Agora vais aos 5 kms". Fiz 5 kms e num tempo muito melhor. Fiquei toda contente, sentia-me bem e pensei "Agora vais tentar continuar e chegar até aquele sítio". E assim sucessivamente, negociando entre kms e potenciais lugares para parar, cheguei ao numero 9 km e pensei "Isto é incrível, agora vou fazer 10 kms!" e lá fui eu ainda mais rápida pelo passadiço fora à procura do meu irmão para lhe contar a novidade. Encontrei-o e, ainda ao longe, gritei: "Vou correr 10 kms!". Ele incrédulo a olhar para mim, surpreendido por eu ainda estar a correr sequer, quanto mais estar a caminho dos dois dígitos.

Para quem me conhece sabe o quão improvável isto é. Não sou nem nunca fui atlética, nem sequer gosto de desporto, não tenho jeito. Na escola, estive em risco de ter negativa várias vezes porque nem sequer me mexia. Os cinco anos de universidade foram a desculpa perfeita para continuar sem fazer qualquer desporto no meio de tantas outras coisas que se passavam. Com a tese entregue, finalmente iniciei-me em algum atividade física: jump uma vez por semana. Nas primeiras aulas morria. Não conseguia fazer tudo. Ficava toda empenada. Agora faço jump duas vezes por semana e adoro aquela horita de energia, música e descompressão. Na pandemia tentei fazer algo mais, em casa, e umas corridas aqui e ali mas, lá está, o meu máximo era 4kms em 30min, o que só por si já não é mau de todo mas também não é grande coisa.

Não sei o que aconteceu ontem. Não fiz nada de diferente ao longo do dia e na pré-corrida. Não tinha o especial objetivo de correr tanto. Simplesmente fui correndo e nunca parei. E não me custou assim tanto. Porque se custasse, eu teria parado.

Será puramente uma questão de mentalidade? Não é possível que eu tenha melhorado tanto a minha condição física, porque isso teria que ser gradual. Ou seja, eu sempre fui capaz de fazer isto mas nunca o fiz. E ontem, fi-lo. Simplesmente. Apesar que efetivamente, quando corro (sem ser ontem) dá-me a típica dor de burro e sinto as pernas a doer. Sei que tenho que fazer alguns "truques" para mitigar essas dores e continuar a correr. E, normalmente, tento levá-las a cabo mas nunca tão bem como ontem.

Estou, acima de tudo, surpreendida comigo mesma e quero guardar este acontecimento numa caixa, tipo este post. 

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04 de Setembro, 2020

A diferença entre a retórica e a prática

Inês

Acredito que acima do status social e carreira está o nosso bem-estar e felicidade. Medem-se de formas diferentes e o bem-estar/felicidade são altamente subjetivos, apesar do ideal de status social ser mais homogéneo. Isto é, pertenço a uma geração onde o normal é ir para o ensino superior, estudar os 5 anos para obter a especialidade e encontrar um bom emprego ou vários até lá chegar. Tenho a sorte, diria até, de isto ser expectável para mim. Apesar disto, eu sempre acreditei e falei que não seria preciso nada disso se eu fosse simplesmente feliz nem que fosse a fazer a tarefa mais banal do mundo. Tenho ainda em mim o sonho de pegar na mochila e ir só, trabalhando e viajando, conhecendo mais mundo por essas estradas fora. E não consigo de forma nenhuma mitigar esse desejo em mim. Bem pelo contrário. Ter utilizado os meus limitadíssimos dias de férias para fazer algo deste género, só aumentou a minha vontade de ir. Fossem seis meses, um ano ou dois, fosse o que fosse. Morrerei infeliz se não o fizer. Se não tentar, pelo menos. Pode correr mal, sim. Posso voltar. Não importa. Nos meus pensamentos mais wild, digo para mim "inês, trabalhas há três anos, tens 24 anos, estás quase a consegur 10k na conta. logo que os tenhas, apresentas a carta, fazes a mala e bazas. 25 anos era uma idade bonita para fazer uma aventura dessas". O que são seis meses na vida de uma pessoa? Eu trabalho há três anos! Há três anos que a vida se resume quase que 90% às paredes desta empresa!

Mas bem, estou a afastar-me do meu objetivo com este post. Ainda em estudos, arranjei trabalho nesta empresa. Um estágio, dois estágios, sempre nas mesmas funções. Finalmente contrato! Se estar aqui me satisfaz? Não. Nada é perfeito, eu sei, mas vejamos: passo aqui nove horas do meu dia, tenho colegas que gosto muito, tenho liberdade e autonomia para trabalhar e tomar algumas decisões, tenho bons chefes, bom ambiente de trabalho no geral. Aconteceram algumas coisas que me deixaram chateada, sobretudo, no contexto de Recursos Humanos desta organização. É uma empresa familiar mas que emprega perto de 150 pessoas. A título de exemplo: estivemos em teletrabalho conforme nos foi solicitado, tiramos férias para "ajudar", descobrimos meses mais tarde que estivemos em regime de layoff total e tal coisa nunca nos foi informada. Recebemos por inteiro (em duas transferências) mas recebemos. E receber a diferença do que seria ganhar o valor do layoff é, tacitamente, o valor de "aceitar" e não reclamar seja o que for. No entanto, esse valor para mim são 40€! 40€ pagam a falta de transparência e honestidade? Pagam o facto de me ter sentido como um boneco em casa a trabalhar as mesmas horas, a mesma dedicação e disponibilidade? No meu entender não pagam. Como este, tenho outros exemplos nos quais a empresa coloca os seus próprios interesses acima de toda e qualquer coisa e trata os demais funcionários como meros peões. Sou demasiado exigente? "Esta empresa é boa: paga a horas e sais a horas desde que queias". Mas aceitar isto porque há pior? Conformar-me porque há pior? E a grande adversativa é: recebo 750€ ao final do mês. Todos os meus colegas de faculdade estão a ganhar mais do que eu e por larga distância, sempre acima de 1100€. Progressão de carreira? Ah... se me deram mais 20€ por ano é uma sorte. Devo contentar-me com os meus 750€ porque até é um bom ambiente, é perto de casa, já dou conta do recado, é seguro, tenho emprego e vamos entrar numa crise, e bla, bla, bla...? A nível social, tenho pressão para procurar melhor, porém, encontro-me num dilema.

Estrategicamente, planeei para mim manter-me na empresa até entregar a Tese uma vez que já sabia que conseguia manter as duas atividades. Depois de entregar, de forma uma vez mais estratégica, planeei manter-me mais quatro meses que me dariam acesso a um salário extra pelo trabalho desse ano. O plano era em março de 2020 começar a procurar alternativas. Ahahahahaha Covid. Lixou tudo. Passado seis meses continuo cá. Primeiro o teletrabalho e a insegurança geral. Depois verão e férias. Agora setembro. Hora de reavaliar. Para muitas pessoas parece uma loucura ter um contrato e um emprego estável e, nesta altura, aventurar-me num novo emprego que não conheço e que em pouco tempo me pode colocar numa situação de desemprego. Segurança vs. Evolução. Eu sei. Tenho pensado muito nos riscos. Penso muito mesmo. Até porque a nível familiar a situação não está fácil. Vivo com a minha mãe e ela está desempregada pelo que o meu emprego é das poucas coisas "certas" que temos. Sinto-me completamente refém desta situação. Gostava de arriscar sem ter tal preocupação. Não tenho filhos. Mas tenho mãe. Tenho encargos e por muito que me apetecesse não me posso simplesmente esquecer. Seria egoísta. Poderia simplesmente contentar-me que nem todos têm que "sonhar alto" e que, infelizmente, nem todos têm estruturas familiares passíveis de arriscar e viver certas coisas. A sociedade é injusta e também já falei disso aqui no blog. E poderia até ser muito pior. Eu tenho muita sorte. Tenho noção disso.

No entanto, não me sou de contentar. Sou tudo menos isso.

Há, então, aqui um dilema com várias vertentes: primeiro, esta situação familiar coloca-me numa situação vulnerável que detesto; segundo, o mercado pode dar-me melhores opções onde me sentirei mais valorizada (ou não, é um risco e algo a descobrir); terceiro, não estou 100% satisfeita na empresa onde me encontro, sinto-me desvalorizada e a fazer pouco uso das minhas capacidades; quarto, mas este simples emprego que me paga uma quantia modesta e suficiente não é o que basta para ser só feliz?

Pois, aparentemente não. Apregoou que o que basta é passar os dias satisfeita com o que faço mas, apesar de isso acontecer quase que diariamente, quando olho para trás sinto-me desiludida e frustada por não alcançar "grandes coisas" (seja isso o que for). Como por exemplo, ter ido 18 dias para o algarve sem grande rumo. Isto para mim foi uma grande coisa. Foi algo que eu olho para trás e orgulho-me de ter feito. Talvez eu seja ingénua ao pensar que basta pouco para ser feliz. Tenho pouco mas não me é suficiente. Quero mais. É da minha personalidade? Sou demasiado exigente? É pressão social? Não sei. Tenho mais dúvidas e perguntas que outra coisa. Sou muito adepta de pensar que mais vale arriscar do que viver frustado e acomodado, tenho demasiados exemplos que me provam isso mesmo. Mais vale fazer algo e correr mal do que ficar com a ideia do que poderia ter acontecido. Por outro lado, tenho plena noção que o "estrategicamente falando" pode não passar de uma desculpa para adiar a mudança, tanto porque fico com pena de deixar esta empresa e estas pessoas, como por medo do que vou encontrar mais à frente. Enfim... Este post não serve de muito além de me tentar mapear as ideias. Por via das dúvidas e deixando o rumo um pouco nas mãos da sorte, vou enviando CVs a tudo o que me parece minimamente interessante, ciente de que talvez sim ou talvez não me venha a deparar com um dilema ainda maior se/quando obtiver uma proposta doutro lado e me vir forçada a tomar uma decisão.

Acabei de me aperceber que este post é uma versão estendida do post "Sempre esta sensação que estou a perder..." onde repito algumas ideias. Bem, há coisas que ainda não mudaram.

01 de Setembro, 2020

Alvor 2020 - Retrospectiva

Inês

Passou uma semana desde que regressei a casa depois da minha experiência Alvor 2020. Para mim, esta experiência representa, sem dúvida alguma, um marco de vida. Reencontrei em mim muitas coisas que já não via nem sentia há muito tempo e queria muito recordar. Dos 18 dias, relembro com mais nostalgia os seguintes momentos:

- o som das gaivotas a todas as horas do dia na guesthouse, sobretudo, o sobrevoar delas no terraço

- as expressões que deram a origem a inumeras risadas entre mim e o R.: "copo de água", "à beira", "quarto-de-banho", "maças"

- ser conduzida na autocaravana do R. pelos percursos da costa vicentina a ouvir Da Weasel

- a família da Cristina

- o café da guesthouse que não me fartei de beber e estava sempre delicioso

- ter o meu irmão perto e estarmos juntos pela primeira vez em férias

- os mergulhos no mar

- os percursos ao longo da costa algarvia

- a praia do Tonel que me está gravada na memória como dos sítios mais bonitos e aquele anoitecer e aquele som do mar noite dentro

Deixou saudades.