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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

31 de Janeiro, 2021

Ter um blog é fixe porque

Inês

Podemos reviver momentos da nossa vida e reler-nos como doutra forma não seria possível. Por estar a reencontrar uma pessoa que entrou na minha vida há uns anos, dei por mim a reler posts daqueles tempos. Descrevia os pensamentos, a forma como me sentia e como olhava para o que me acontecia diariamente. Relatava neste cantinho da internet as minhas angústias, receios e até coisas que me envergonhavam (aliás, ainda relato porque felizmente resgatei o meu gosto em escrever no blog). Reler certas passagens é recordar coisas que já nem me lembrava e que nem parece que aconteceram nesta vida. Voltar a escrever sobre elas, e ir passando de post em post, é ver claramente a evolução dos tempos, o crescimento da Inês. Passar de ter 13, 14, 15 anos a ter 24 anos. Ver todas as inseguranças que desapareceram, outras que ficaram. Ideias das pessoas que mudaram, outras que permanecem. Pensar na Inês que escrevia ao computador em tardes e noites de aborrecimento, sedenta por tudo e mais alguma coisa, e na mesma Inês que passados anos escreve, talvez de forma menos organizada ainda, sobre coisas muito diferentes mas também sobre as mesmíssimas coisas e pessoas. O Lid é o melhor exemplo. A tag ali em baixo denuncia-o. A perceção da passagem do tempo é das coisas mais mindblowing para mim. Ler-me e reler-me é das principais vantagens em manter um blog. A vida passa, corre, voa e quando damos por ela nem nos lembramos do que fizemos a semana passada, o mês passado, o ano todo. Tenho pena de não ter escrito em Erasmus, por exemplo, ou no meu tempo de Universidade. Não escrevi, bem sei, porque estava ocupada demais a viver para me lembrar sequer que este blog existia. Isso só por si é um excelente sinal e já me diz muito. Tenho fotos e vídeos para me relembrar do quão feliz fui naqueles tempos. Porém, é uma pena não ter passado isso para textos e palavras. Anyway, às vezes dou por mim entre tags e posts a relembrar momentos incríveis, situações cómicas e reflexões que fizeram parte de mim. Está na descrição atual deste blog que isto é para mim um arquivo de pensamentos e é mesmo.

29 de Janeiro, 2021

Vantagens em Estar Confinado

Inês

Estar confinado pode ter diversas vantagens. Em primeiro lugar, é importante refletir sobre as condições nas quais estamos confinados. Temos casa? É confortável? Se sim, somos desde já previligiados nesta guerra. Se podemos fazer teletrabalho, melhor ainda. É caso para dizer que nos saiu a sorte grande. É como me sinto quando penso que a realidade poderia ser muito diferente.

Acho que já me habituei a esta vida. I mean, habituei-me e estou confortável com a ideia de continuar fechada sabendo que haverá um fim algures. O facto de ter sido confinada infetada, facilitou o meu entendimento e minimizou qualquer margem que eu tivesse para ficar chateada com a situação. Sei que atualmente estamos tipo campo de minas quanto a apanhar ou não o bicho. Ainda assim, não consegui deixar de sentir alguma responsabilidade e culpa, e portanto, longe de mim reclamar com tudo o resto. Foi quase remédio santo para a minha irritabilidade crónica. Foi tipo "Inês, fizeste merda, agora cala-te e fecha-te em casa à espera que passe".

Pois bem, assim foi e continua a ser. Passaram três semanas já. Tive alta entretanto e ainda só saí uma vez à rua. Vestir umas calças de ganga, pegar num cachecol, conduzir, ver gente! Coisas que sempre fizeram parte do meu dia-a-dia e durante três semanas deixaram de fazer. Não é que tenha sentido saudades. Lá está... Habituei-me facilmente às condições do confinamento. Podia ter saído mais vezes mas cá estou eu, de pijama, em frente ao pc. A vontade de sair também não é grande.

Confinar obriga-nos a fazer uma pausa na vida. É como se fosse nossa obrigação não fazer coisa alguma, não realizar, não fazer acontecer. É aliás um favor que nos pedem repetida e encarecidamente. Estar parado e não ser produtivo não parece mal nos dias de hoje. Num período normal, sentiria-me pessimamente se visse quatro episódios seguidos de uma série qualquer a fazer buraco no sofá. Hoje em dia não me sinto. Há uma tranquilidade associada à procrastinação. Claro que podia aproveitar para arrumar, limpar a casa, organizar partes da vida que podem ser organizadas dentro de portas. E faço alguma coisa dessas. Porém, não fazer nada já é alguma coisa. E esta consciencialização, para mim, é importante. Eu sempre quis fazer mais, sempre tive pressa de viver, de fazer acontecer. A pressão que ia colocando em cima de mim desgatava e muito. É com agrado que olho para mim e vejo uma Inês tranquila com a velocidade da vida, imposta por terceiros e que não posso controlar. Lembro-me muitas vezes de uma frase do género "preocupa-te com o podes controlar e esquece o que não podes". Tento levar a vida assim. Não posso controlar quando esta pandemia acabará, não posso interferir com o que se passa dentro dos hospitais and so on. A única coisa que posso fazer é ter calma, tranquilidade e manter-me dentro de casa, ver séries, trabalhar, resolver problemas que tenho arrastado por - pasmem-se! - falta de tempo no que era o dia-a-dia normal. Parece pouco. Numa certa perspetiva parece chato. Até agora, não está a ser.

21 de Janeiro, 2021

O Bicho voltou!

Inês

Na segunda fiquei felicíssima quando vi nas redes que o Bicho do Bruno Nogueira ia voltar. É difícil de explicar mas ao longo daqueles meses de março, abril e maio criou-se ali um culto mesmo fixe de milhares de pessoas que diariamente assistiam aos devaneios daquele grupo incrível de personalidades. Ora há momentos completamentes non sense, ora super deep. Há ali um humanismo, normalidade e parvoíce fora da comum que nos prendem. É como se fossemos a plateia de uma videochamada entre amigos. Numa altura em que isso se tornou essencial. Finalmente, e agora num período muito pior, o regresso do Bicho veio aquecer o meu coração.

Estou fechada numa sala há onze dias. Sou uma previligiada. Tudo o que preciso chega-me à porta, tenho roupa quente, café, chá, pão e manteira. Consigo fazer teletrabalho. Sempre que saio da porta que me divide do resto da casa, desinfeto as mãos e coloco a máscara. Tenho net e eletricidade e isso é o tipo um bem essencial. Sad but true. A maior dificuldade foi conviver com o risco iminente de, em algum descuido, poder contagiar quem vive comigo. Sem qualquer dúvida. À parte disso, estar em casa fechada não é um enorme problema para mim. Passo o dia a trabalhar e a ouvir música alta conforme não poderia fazer se estivesse no escritório. Tenho ouvido as goldies que ouvia há 10 anos, no secundário. Faço diversas videochamadas com colegas, amigos e família. Estar sozinha não me incomoda, vejo até alguma beleza, utilidade e prazer nisso. Estar isolada a recuperar de covid podia ser bem pior. Sou uma previligiada e tenho bem noção disso.

Angustia-me ver as notícias e pensar no terror que se vive dentro de portas de hospital e em todos os outros lugares ocupados pelo frio, pela solidão e pela tristeza. O mundo é tão triste às vezes. Sempre foi na verdade. Há guerras todos os dias e não perdemos tempo a pensar nisso. O facto de ser aqui ao lado, com as nossas gentes, muda toda a nossa perceção. Eu sei... Já tínhamos chegado a esta conclusão aquando os ataques terroristas aqui na Europa. É sempre assim. É injusto e também merecemos. E achar só triste nem é nada. Piores são os que nem têm opção de ficar tristes, apenas têm que agir sob as piores circunstâncias. 

15 de Janeiro, 2021

"Detetado"

Inês

Nos primeiros dias de 2021, escrevi acerca dos feitos de 2020. Um dos pontos era "não apanhei covid". Bem, neste momento não consigo precisar se isso é verdade. Se não é, foi por pouco. No fim-de-semana passado tudo mudou. Uma pessoa conhecida deu positivo e alertou-me logo "Inês, vai fazer o teste, secalhar não estás só constipada". A partir daqui, foi um verdadeiro filme.

Tudo começou quando eu nos primeiros dias de 2021 me senti doente, com a garganta inflamada e sinais de constipação. Just checking, questionei as pessoas com quem tinha estado se estava tudo ok e a resposta foi a pior que se pode receber nos dias de hoje "dores no corpo e também estou constipada". Ora, bolas. O pesadelo de 2020 a atormentar 2021. No dia seguinte a minha mãe não se levanta da cama devido a uma fraqueza inexplicável e passa o dia a vomitar. Aqui o meu cérebro vai em todas as direções. O surgimento de vómitos faz-me excluir quase por completo a palavra "covid". Porém, fico alerta. Passam os dias, tudo melhora menos a pessoa conhecida que no fim-de-semana se farta da incerteza e vai fazer o teste. Detetado. Fds. Aqui caímos numa realidade nova. Andamos a semana toda na incerteza, a fazer a vida "normal" e afinal o pior cenário concretiza-se. Isolo-me e marco o teste. O resultado demorou as fucking 24 horas a chegar e é apenas um cruel "Detetado". Aqui cai-me a ficha e fico incrédula por passar a tornar-me parte das estatísticas pelo pior motivo. A minha mãe dizia "Inês, não vai ser nada. Tu tens sorte. Vai dar negativo". Até que o conceito de sorte passa a ser estarmos positivos mas estarmos bem.

É inevitável pensar na origem de tudo isto. Se podia ter tido mais cuidado? Certamente. Prova disso é que apanhei o bicho. Se há muita gente a ter muito menos cuidado e não o apanha? Também. Mas isso pouco interessa. Havia meia dúzia de pessoas no mundo com quem eu baixava a guarda e não foi preciso ir mais longe do que essas pessoas para ficar cercada. Porém, analisados os timings do vírus, sintomas, etc. nem sequer conseguimos precisar com certeza como é apanhei o bicho.

Na verdade, dado o teste positivo, a origem pouco interessa. O que mais me interessa é o que acontece daqui para a frente. Estou isolada numa divisão da casa. Os que vivem comigo esão negativos. Até ver, está tudo benzinho.

Só tenho tosse, falta de olfato e sinto peso na consciência por, por minha responsabilidade, algumas vidas estarem tão limitadas. Umas quantas pessoas estão em isolamento e assim terão que continuar durante 14 dias. Não há forma de contornar isso e parece-me, até ao momento, a consequênca mais grave desta situação. Terei que as compensar de outra forma, no futuro.

Quanto à minha participação nesta pandemina, ficarei satisfeita se se resumir a isto. O pior é imaginar que fui um veículo de transmissão durante os dias em que desconhecia o meu estado. O pior é se os que me são próximos e mais frágeis sofrem consequências graves por um bicho que eu trouxe.

Podia acontecer a qualquer um, é certo. Mas acontecendo connosco, as coisas batem de outra forma. Eu represento a essência da expressão "não acontece só aos outros", quando quase na totalidade das situações eu achava que sim.

11 de Janeiro, 2021

Nunca foi errado

Inês

Ao fim de oito anos, tivemos o nosso paraíso. Já brincamos como adolescentes mas este fim-de-semana foi brincadeira de adultos. Foram várias e várias vezes. Foi incrível. Ia insegura, sentia aquele nervosismo. Não pensei muito. Só fui. Não planeei nada. Deep down, sabia que não era necessário planear nada. Correria tudo bem. O início teve uns momentos mais autoconscientes. Fumaste e isso por um lado foi a justificação para esses momentos. Passados 10 min já não havia qualquer akwardeness que resistisse à nossa química. A cumplicidade, o encaixe, a sintonia, os corpos ritmados, o calor, as confidências, as horas passadas deitados entre abraços, mimos, encaixes, conversas deep, conversas supérfluas, filmes e tudo all over again. Comi tão pouco. Nem tinha fome. Este fim-de-semana foi maravilhoso. Foi a confirmação que conhecer-te e partilhar tanta coisa contigo não foi um erro. Que nunca foi um erro. Senti coisas contigo incríveis que ainda não tinha sentido com ninguém. Foi fácil confiar-me a ti. Dar-me a ti, inteira. E tu trataste-me tão bem. Disseste que não tolerarias na vida nada a menos do que a conexão que temos. É daquelas conexões que ouvimos falar no cinema. É uma sorte ter tido a oportunidade de partilhar esses momentos contigo. Ter a sorte de vivenciar uma conexão tão perfeita como essa. Mesmo que tenha sido só esta vez, só este fim-de-semana. Ter a sorte de saber o que é, a que sabe. A felicidade de saber que é possível. Fui muito feliz este fim-de-semana.

04 de Janeiro, 2021

2020

Inês

Foi o ano de:

- manter vivo este blog, coisa que já não acontecia há muuuuuito tempo

- começar a ganhar acima de 1000€

- fazer uma viagem de 18 dias sozinha

- fazer uma viagem de autocaravana e explorar a costa vicentina pela primeira vez

- aproveitar o sofá de casa

- ir a Amarante com as amigas e fazer outros passeios por Penafiel, Vouzela, Sever do Vouga e Ericeira

- ver séries e filmes

- emagrecer e engordar

- correr 10kms, três vezes

- passar a amar batata doce

- fazer kickboxing online (e ontem foi dia de comprar as luvas!)

- não apanhar covid

- apaixonar-me pelas aulas de jump

- ver apenas um espatáculo de stand-up comedy (Sinel de Cordes em Fevereiro)

- estar em layoff sem saber

- chamar o reboque pela primeira vez na vida

- Watermelon Sugar

- passar, pela primeira vez na vida, a passagem de ano com as amigas