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Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

Teenage Dirtbag

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17 de Agosto, 2021

Ansiedade, quê?

Inês

Fazendo uma pausa nos posts de relato da aventura em autocaravana, tenho algo a dizer acerca do regresso e, mais especificamente, do dia de hoje. Regressei no sábado à noite e portanto ontem (domingo) foi dia de dormir na minha cama, arrumar as tralhas, fazer limpezas e lembrar-me de que ainda tenho mais 7 dias sem pôr os pés na empresa. A perceção que tenho (e os que me rodeiam e que acompanharam mais de perto a última semana) é que de facto parece que passou bastante mais tempo mas a verdade é que foi só uma semana. Os dias eram grandes e serviam para muita coisa. Ontem e hoje vejo-me em casa com 7 dias livres pela frente, sem plano, e começo a stressar. A cabeça entra a mil a pensar para onde é que eu posso ir. Tenho ali a mochila, posso comprar bilhetes de autocarro e posso ir para outro sítio qualquer viver. Viver como quem diz aproveitar a vida e as férias. Porque para ficar em casa, bastam os fins-de-semana e estando a minha Fofinha estável de saúde (fiz questão de vir checar com os meus próprios olhos), não há motivo para eu ficar. Não consigo lidar com essa estagnação. Nunca consegui desde que sou gente com vontade e liberdade. Estava e estou com o espírito em baixo porque vir de uma semana tão high e parar é uma diferença tão subita que me deita bastante para baixo. Se eu voltasse e fosse logo trabalhar, estava ok porque havia propósito e o meu tempo tinha utilidade. Assim, sinto simplesmente que o estou a desperdiçar, ainda por cima, dias de férias que são tão escassos. Dias de descanso em casa não são para mim. Só me stressam mais. Os fins-de-semana bastam-me para isso.

Depois no decorrer da tarde (e com o cérebro mais acelarado do que devia) tenho a estúpida ideia de enviar mensagem ao L. porque curtia bué estar com ele e já não o vejo há mês e meio. Erro fatal porque ele diz que só quer café e depois deixa de responder. Vê e deixa de responder!! Entrei em stress e detestei porque eu não me costumo sentir assim. Comecei a verificar o telemóvel de minuto a minuto à espera da notificação que nunca mais apareceu. Fiquei ainda mais acelarada e nervosa. Senti que precisava de acalmar e fui ouvir a minha música. Não foi suficiente. Precisava de exteriorizar. Isto aconteceu mesmo a tempo do jump que eu não tinha reservado mas liguei para a Prof e ela disse para eu aparecer. Fui e apesar de estar constantemente a olhar para o telemóvel, dei tudo no jump, não me doeu nada e adorei voltar à prática (já lá iam duas semanas). Senti que era mesmo essencial para canalizar toda a tensão que eu estava a sentir. Ajudou-me muito e fico satisfeita por entender que consegui identificar em mim um comportamento que não estava normal e atuei sobre ele. Continuo ligeiramente ansiosa por ainda não ter tido a resposta que procuro (e até aposto que vai ser mais uma vez daquelas em que ele entra numa introspeção do caraças e diz que tem que se afastar de gente no geral, ou isso ou arranjou uma girl e já não quer estar comigo - sei que não devia mas prefiro a primeira opção). Conheço o L. e já esperava que isto acontecesse mais tarde ou mais cedo mas o que me lixa é o ghosting, o deixar conversas a meio. Já no início do ano ficou três meses sem me falar porque precisava de tempo para se encontrar (complicado o rapaz...) e isso não me afetou. Mas hoje o embate foi diferente. Sobretudo (creio eu) porque de facto já estava meio desalinhada com esta mudança de ares. Estivesse eu numa semana de trabalho normal e isto caía de forma diferente. Agora assim e tão mal explicado, fico lixada. Mas bem, também não me vou prender a aguardar resposta de Vossa Excelência. Espero amanhã acordar mais leve e talvez na quarta ou quinta faça a mochila novamente nem que seja para ir ali e vir. Sei que essa é sempre uma alternativa segura, por muito irónico que isso pareça.

17 de Agosto, 2021

9 dias de autocaravana de Lisboa a Portimão #3

Inês

O terceiro dia foi dos mais porreiros. Acordamos em Sines e rumamos em direção a Vila Nova de Mil Fontes. Nunca lá tinha ido pelo que era novidade também para mim.

Vila Nova de Mil Fontes (curiosamente chamada a terra das três mentiras porque não (era) Vila, não é Nova e não tem Mil Fontes) é uma vila bonita, agitada e cheia de gente. Pelo que nos apercebemos (no final, em comparação com o resto das vilas daquela zona), é provavelmente a maior. Porto Covo é mais familiar, pequeno e calmo assim como Odeceixe. Mil Fontes tem comércio, turismo e noite. As paisagens são encantadoras assim como as ruazinhas que nos guiam até aos miradouros e às praias. Gostamos muito. Vimos também as marcas deixadas pelos jovens que vandalizaram a Vila no início do verão. Ouvimos as notícias e agora vimos com os próprios olhos o resultado.

Almoçamos em Mil Fontes no restaurante do Parque de Campismo e dirigimo-nos para a AC para assim seguir para o próximo destino. Neste momento aconteceu a coincidência mais espetacular e inexplicável de toda a viagem e, arrisco-me a dizer, de todo o ano para mim. Ora bem, tudo começa quando eu e o R. começamos a trocar mensagens pois ambos estávamos de férias e no mesmo percurso. Curiosamente e sem combinar, saímos em dias seguidos e começamos ambos mais ou menos no mesmo ponto. Eu ia vendo pelas fotos que ele publicava onde ele andava e vice-versa. Andávamos distantes por talvez 50 kms o que só por si já tem bastante graça. Porém, nunca sabíamos onde cada um iria estar até porque nem nós próprios o sabíamos. Não havia planos, e, por exemplo, neste terceiro dia éramos para ir a Porto Covo e decidimos no próprio dia avançar Porto Covo (e deixar para o regresso) e seguir para Mil Fontes. Neste contexto, estou a ir para a AC e vejo que a que estacionou ao meu lado é igual à dele. Já não a via há um ano mas não se esquece. Ainda dei uma volta em redor à procura de algum traço distinto mas concluí que era um modelo igual (olha que engraçado, pensei eu) e tirei uma foto para lhe enviar. A conversa que se seguiu está nas imagens em baixo. De forma totalmente incrível, a AC era mesmo a dele e estacionou mesmo ao lado da minha. Ele não sabia qual era a minha, não sabia sequer que naquele par de horas eu iria estar naquela zona e iria estacionar naquele parque. Uma coincidência do caraças que me explodiu o cérebro de tão inacreditável que me pareceu. Mas bem, avançando no roteiro, saímos de Mil Fontes e fomos à Praia de Almograve. Gostei muito desta praia apesar de ainda não ter conseguido entrar na água de tão fria que estava. Ainda assim, molhei-me quase toda e apanhámos sol. No final do dia, saímos, fomos para a AC que estava estacionada na vila, tomamos banho ainda para aproveitar a luminusidade do dia e ficamos sem água. Aqui decidimos que teríamos que ir para um parque para fazer a manutenção das águas. Encontramos um em São Teotónio que nos recebeu já passava das 21h. Apesar de estar "lotado", há sempre espaço para mais uma e portanto lá se reestacionaram umas ACs para a nossa caber. Finalmente tivemos eletricidade e pudemos carregar todos os telemóveis e powerbanks. Estávamos mesmo nas lonas e a precisar de abastecer. Nesta noite jantamos massa com camarões e fiz uma videochamada com o meu pai e o meu irmão para lhe mostrarmos o casarão. Foi uma conversa divertida e que me deu muito gosto. Foi a primeira noite num parque. Dormi muito bem, sem qualquer preocupação.