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Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

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19 de Agosto, 2021

9 dias de autocaravana de Lisboa a Portimão #6

Inês

O sexto dia foi o mais tranquilo, tanto a nível de atividades como kms percorridos. Simplesmente nem saímos de Portimão. Acordámos e fomos ao shopping fazer compras e carregar as baterias. Demorámos mais do que o suposto (como sempre) e regressámos ao mesmo estacionamento. Almoçamos na AC e fomos até à Praia da Rocha onde passamos a tarde toda. A praia estava apinhada de gente e a água estava bastante boa pelo que deu para ir à água muitas vezes. Ainda comemos uma bola de berlim de alfarroba (desforra do dia anterior). Depois já ao anoitecer era suposto irmos logo para a Zambujeira do Mar, iniciando assim a viagem de regresso mas acabou por ficar tarde e eu não estava confiante para conduzir tanto durante a noite portanto (e uma vez mais regadas de sorte) batemos à porta de um parque na Figueira, mesmo à saída de Portimão, já passava das 21h e ficamos com o único espaço livre que ainda existia. As descargas e trocas de águas foram sempre episódios engraçados e, neste parque em específico, apesar de ser designado para ACs, as passagens eram apertadas (ora bem, era de noite e eu estava cansada, por isso eram apertadas), portanto lá no meio de umas manobras ouvi um "está nervosa?" dos dois rapazes responsáveis pelo parque.

A condução foi, nesta experiência, uma das partes mais importantes para mim. Também sinto que foi no geral porque quando eu disse a colegas e familiares que ia com duas amigas fazer a costa vicentina de autocaravana, o que perguntavam logo a seguir era quem ia conduzir e quando eu respondia que era eu porque era a única condutora do grupo, o que via era surpresa do outro lado. Eu sou pequenita, tenho metro e meio e peso cinquenta quilos. O meu carro é um citroen saxo de 96, um carrito joaninha que é menos de metade da AC. Eu própria sabia que ia ser um desafio mas tinha que experimentar conduzir de alguma forma e, na falta de um amigo que tenha uma, uma alugada é a única hipótese. Tanto sabia que pedi aos colegas lá da empresa para num sábado de manhã experimentar conduzir uma das carrinhas de mercadorias e lá fui. Foi na boa mas mais na boa foi conduzir a AC. Ajustei-me rapidamente e, à parte de alguns cenários no trânsito mais complicados, tudo correu bem. Mas haverem cenários de trânsito complicados nem é problemático, podem sempre acontecer porque não dependem inteiramente de nós. O que conta é como nos safamos das situações em questão e eu consegui sempre sair delas. Não havia outra alternativa. Sendo a única condutora e levando ali as minhas duas melhores amigas, a responsabilidade é muita. A única saída é resolver. Analisar a situação e resolver porque congelar não era solução. E, nessas situações, safo-me bem. Além disso, eu gosto muito de conduzir, sempre gostei. Também por isso é que estas férias faziam sentido e eram um pequeno sonho. O autocaravanismo engloba muita coisa que eu gosto e que cabe na minha vida. O gosto pela condução e pela estrada é um deles.

19 de Agosto, 2021

Cenas #2

Inês

Esta semana foi difícil de gerir a nível emocional. Tendo em conta que, como já disse, foi semana pós-férias mas não de regresso ao trabalho, senti uma diferença súbita entre a aventura com as amigas e o voltar a casa. Apesar de terem sido apenas oito dias, foram oito dias intensos.

A juntar a isto, o L. declinou uma booty call e quando lhe perguntei o que tinha mudado (no tom mais informal e depreendido possível, porque não quero de todo que seja uma questão difícil até porque somos só fuck buddies e o fim iria chegar eventualmente), não respondeu e disse que ligava para conversarmos e depois não ligou. Diz que aparece e não aparece, diz que liga e não liga, lê as mensagens e não responde. Isto é L. a ser L. Eu já o conheço. No entanto, não posso deixar de achar que é uma grande falta de consideração porque acima de friends with benefits, somos friends e não nos devíamos esquecer disso. Já lá vão oito anos. E, para lá das booty calls, eu gosto de saber como ele vai e o que lhe vai acontencendo na vida. Porém, já sei que ele é de luas e portanto já esperava que mais tarde ou mais cedo ele desaparecesse do mapa. Mas custou um bocadinho mais esta semana. No pior cenário, ele voltou para a ex ou arranjou uma nova namorada. Já me mentalizei para ambas para assim ser mais fácil. Porém, preferia que continuasse tudo como há uns meses. Mas sabia que iria terminar. Aliás, já esperava há muito tempo e sempre vi esta reaproximação como uma grande sorte da vida. Sorte não no sentido que eu sou sortuda por ele ter voltado à minha vida mas porque, volvidos oito anos e tanta coisa que se passou e que não se passou, a vida é engraçada, dá voltas e voltas, e acabamos por ter tido o nosso cantinho de paraíso (qual cliché). Fosse apenas um encontro e eu já era feliz. Mas até foram quatro pelo que não posso pedir mais (tudo isto não passam de meros desbafos).

Há cerca de três semanas o DC finalmente ganhou coragem e fez-me um ultimato. Quer mais, e portanto, ou avançamos para o próximo passo ou ele segue a vida dele. Entendo perfeitamente. Sentia que me estava a aproveitar do facto de ele se sentir sozinho e de se conformar com o estado da nossa relação em que claramente não estamos em sintonia. Na verdade não tenho resposta para lhe dar. Eu sinto que até fui muito honesta com ele no sentido em que lhe disse que eu queria avançar e sentir mais coisas mas não é um botão que se liga e que portanto não conseguia. Se eu pudesse escolher, escolhia amá-lo e querer muito estar com ele e com mais ninguém. Era tudo muito mais fácil se assim fosse. Mas não sinto e sei que é injusto para ele. Sou tipo um io-io, ora estou lá em cima de apaixonada ou estou nem aí. E já estou nem aí há muito tempo e sei que é ingrato para quem está lá sempre. E, de qualquer forma, avançar para que fase? O mais natural seria irmos viver juntos mas eu não vou fazer isso nesta fase da minha vida. Já quis muitíssimo e agora quero zero. Quero estar em casa onde sou precisa e me sinto bem. Portanto, avançar para onde? Com ele não há caminho por onde avançar. Depois, também esta semana, ele envia-me uma mensagem a dizer que vai candidatar-se a um emprego noutra cidade (bastante longe até). É o emprego de sonho dele e abriu uma vaga. Naturalmente vai tentar e acho muito bem. Talvez este acontecimento seja um caminho a seguir ou pelo menos um evento que obriga algo a acontecer, decisões a tomar, sentimentos a mudar. Eu também não sinto muito nesta relação porque claramente ele está sempre lá, está completamente garantido para mim (e isto foi um dos grandes motivos por termos terminado a primeira relação). Ou seja, agora eu dou a provar do veneno que outrora já me matou. Mas eu até o incentivo a conhecer outras raparigas e puxo o máximo possível pelo conceito relação aberta, apesar de nunca ter sido bem sucedida a convencê-lo. Agora pode ser que ele efetivamente mude de vida e isso lhe traga outras coisas, talvez outras raparigas, e ou acabemos de vez ou eu me apaixone de vez (quem sabe). Porém, há coisas com as quais não consigo mesmo lidar e em ano e meio de tentativa nada mudou na minha perspectiva. Não quero lidar com a família dele, continuo sem paciência para muitas merdas da personalidade dele e não me conformo com a sex life que temos (ou que não temos). Enfim. Talvez seja demasiado exigente comigo própria e com o que está disponível. Talvez o amor não seja para mim, assim, na forma de relações duradouras como as conhecemos. Mas isto leva-me a outro ponto sobre o qual tenho pensado muito.

Durante os últimos dois anos construí-me numa mulher emocionalmente independente e autónoma que é algo que adoro e não me vejo a deixar para trás. Na minha cabeça, entrar numa relação é deixar isto para trás. É dar espaço a expectativas, cedências e desilusões. A espaço e tempo que é só meu e deixa de o ser. Então, neste momento, não estou de facto pronta para uma nova relação. Quando estarei? Alguma vez estarei? Quero, sequer? Depois penso que tenho 25 anos. Já tenho 25 anos. Nunca me pesou mas há umas semanas (fucking aniversário) comecei a sentir uma pressão estranha em arranjar alguém. Em sentir que tinha que arranjar alguém, que era uma inevitabilidade da vida e que estava a adiar um processo que só se tornaria cada vez mais difícil. E isto entrou em choque frontal com a minha construção de mulher independente, autónoma e emocionalmente autosustentável que não precisa de ninguém em específico. Fico sem perceber o que fazer nesta encruzilhada.

E de repente vejo todos os boys da minha vida a enlaçarem-se. O Tay que foi fuckboy em Erasmus arranjou finalmente uma girlfriend ao fim seis anos. O L. está nesta merda de não responder e declinar convites. E o DC ganhou tomates para me encostar à parede. E eu não faço puta ideia o que fazer. Se eu quisesse contruir vida era com o DC, mas não sinto o chamamento, a atração, o amor. Precisava que me aparecesse um gajo novo na minha vida que me apaixonasse em, não todos, mas pelo menos os principais sentidos da vida. Alguém que não seja do passado, que me traga desafios novos, famílias novas, amigos novos, ambientes diferentes. Mas vejo-me a caminhar cada vez mais para aquelas situações que oiço e leio de mulheres com os seus 30's que dizem que se habituaram tanto a viver sozinhas e estar bem sozinhas que estão demasiado fechadas para se apaixonarem. Eu serei uma dessas (se já não o for!). É que eu adoro-me muito mais agora estando livre do que quando namorava. Adoro o tempo todo para mim, não ter aqueles planos sistemáticos de namorados, não esperar nada de ninguém, não pensar nas datas que se devem celebrar a dois, etc, etc. Eu só vejo vantagens porque de facto talvez a minha personalidade não se coaduna com a de estar numa relação. E pensar em ter filhos? Bem, isso dá uma tese que fica para outro post.

19 de Agosto, 2021

9 dias de autocaravana de Lisboa a Portimão #5

Inês

Depois da primeira noite mal dormida em Sagres, saímos logo de manhazinha do Inter para ir tomar o pequeno-almoço à zona da Fortaleza de Sagres onde tínhamos visto o pôr-do-sol no dia anterior. Demos também um pequeno passeio por aquela zona. Foi aqui que, pela primeira vez, a C. teve o vislumbre das praias lindíssimas do Algarve com as águas naquele tom de azul clarinho. Da fortaleza víamos a praia da Mareta e portanto fomos logo lá dar um salto. A C. aproveitou para dar um mergulho, apesar de para mim e para a J. continuar a ser água demasiado fria. Nesta praia aconteceu uma das situações mais engraçadas da viagem. A J. foi prendada ao longo das noites com diversas maleitas: ora eram as mordidas de melgas, ora acordava com torcicolos. Nesta chegada à praia (e apesar de andarmos praticamente sempre as 3 juntas) íamos um bocadinho separadas, uma mais à frente e outra mais atrás. Quando eu e a C. descemos o acesso à praia e alcançamos o areal, esperamos pela J. que tardava a chegar. De repente a J. aparece com o joelho ensanguentado e apenas diz "Caí". A nossa reação foi um misto de riso com preocupação. A situação ainda hoje me faz rir porque de facto a J. é aquela amiga com pouca agilidade física e um pouco medrosa. Aliás, é mais medrosa que outra coisa mas é aquele clássico em que o medo a torna desengonçada. Por esse motivo (e por não ser nada mais de grave) e também pela concidência de eu e a C. irmos ligeiramente mais à frente e super distraídas com a praia tal que nem ouvimos a J. a cair, tem uma piada do caraças e torna este um dos episódios memoráveis desta aventura.

Da praia da Mareta fomos para Burgau. Burgau já estava nos meus planos no ano passado, porém, não houve oportunidade. Desta vez, dava perfeitamente e foi uma aposta ganha. A localidade é simpática e pequenina. Vive basicamente do turismo, pelo que entendemos (só ouvíamos ingleses). A Praia de Burgau foi das melhores que encontramos (talvez a melhor até). Estava aquele calor abrasador e foi a primeira vez que encontramos a água a uma temperatura razoável, portanto fomos todas ao banho. O areal era pequenino e também não tínhamos muito tempo, pelo que, foi até as ondas chegarem às nossas toalhas. Depois bazamos e fomos até ao miradouro perto do Forte de Burgau para assim podermos ver a vilazinha, a praia e toda a moldura paisagística.

De seguida, avançamos pela costa algarvia e fizemos uma visita à Ponta da Piedade. Porém, creio que vimos o lado errado porque não vimos nada aquelas paisagens dos postais. Pelo que entendo, toda aquela zona dá para explorar pelos caminhos pedestres e sinalizados. Numa próxima vez, é sem dúvida algo que quero fazer. O ano passado fiz o Percurso dos Sete Vales Suspensos que fica noutra zona do Algarve. Nesta zona em redor de Lagos, vi que também há percursos e há paisagens incríveis pelo que fica o apontamento para uma visita futura. Aqui tive um dos meus estacionamentos potencialmente mais complicados (mas safei-me bem), porém, à saída tive das situações mais complicadas tal era o trânsito naquela ruazita. Tive que descer da AC, analisar a situação, falar com todos, pedir paciência e deslocar-me para que o trânsito voltasse a fluir. Meio que eu estava entupir, mas não concordo. Tudo ali estava fora do sítio. Os carros todos estacionados nas laterais, claramente, não deveriam estar ali, o comboio turístico também não devia estar ali e as ACs são veículos grandes e largos que também não deviam estar naquelas situações. O que vale é que acabou tudo bem e não houve incidentes.

Quinta paragem (foi um longo dia) foi no parque de estacionamento da Praia do Submarino, entre Alvor e Portimão. Estas são as praias mais bonitas que já vi e conheci-as o ano passado nas minhas explorações a solo. Gostava muito de as ter mostrado à C. e à J. mas não foi possível porque a maré estava cheia e então não havia nada para mostrar (também desconfiava que a J. nunca descesse o acesso àquelas praias porque são super complicados). Fiquei com pena. Por não ser possível, caminhamos até à praia do lado que é a Praia do Alemão. Já chegamos tardito mas ainda fomos à água numa espécie de aposta que envolvia um mergulho em troca de uma bola de berlim. Depois fiquei ainda mais triste quando percebi que já não havia bolas de berlim e a pessoa que estava "a vender" meio que gozou comigo e ainda por cima era um gajo com praí 20's ou 30's, um ar jovem e desalinhado, mas que literalmente gozou comigo e não gostei. Foi assim um ponto down da semana porque o dia também ia longo, tinha dormido mal e depois acumula tudo. Mas passou rápido. Fizemos a caminhada de regresso para a AC, liguei para a minha mãe a contar as novidades e fomos para Portimão onde estacionámos a AC. No caminho, fizemos a primeira descarga de águas sujas numa sarjeta. Não é nada de mal mas foi a primeira vez que não foi um "sítio próprio" (apesar de ser o mais aconselhado na falta de parques com serviços de descarga), portanto, estávamos com aquele nervosinho. Estacionamos junto de outras ACs no parque de estacionamento perto da Praia da Rocha, fomos jantar ao centro, demos longas caminhadas, bebemos uma sangria que estava minada muito provavemente, e fiquei com pena de não "sairmos à noite" na medida do possível tendo em conta normas covid mas a C. estava cansada e sem espírito para tal. Desabafamos dos nossos problemas, sobretudo a C. e isso é algo que nos aproxima sempre muito. Depois chegamos à AC e a J. teve a feliz ideia de fazer chá apesar de estar um calor daqueles que se torna desagradável. É daquelas coisas à J. que só dá para rir. Questionei os vizinhos acerca da pernoita, se haveria problemas, etc e disseram que não. Como estavam lá tantas, decidimos pernoitar e dormimos bem, sem qualquer problema.