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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

08 de Janeiro, 2022

Estado d'Arte

Inês

O ano começou com uma sensação estranha.

No dia 31 liguei ao DC para lhe dar os parabéns pois era o seu aniversário. Conversamos para lá de uma hora (também já não falávamos há muito tempo e acumularam-se muitas coisas para partilhar). A conversa foi normal, destacando-se apenas o facto de nesse preciso momento o DC estar a passar uns dias sozinho em viagem para "refletir". Bem, só isto já faz soar alguns alarmes. Ele não é o tipo de pessoa que viaje sozinho e também não costumava refletir muito (mas já lá vão esses tempos). Na última vez que estivemos juntos, foi notório que lhe custava o estado da nossa "relação". Percebi isso e gostaria que fosse diferente, que estivéssemos mais sintonizados. E sei que talvez fosse minha parte fazer o corte total pois tenho consciência do desiquilibrio emocional investido por cada um e talvez não fosse justo para ele dar continuidade ao contacto quando sei que ele quer mais e eu quero menos. Custou mas eu fui sendo honesta e por isso estávamos mais afastados nestes últimos meses. Depois do verão e depois de lhe custar muito também colocar a questão em cima da mesa, eu disse-lhe que não iria haver nada mais do que tínhamos e que não era meu interesse voltar a estar numa relação. Não ia acontecer, não havia mais espaço na minha vida para ele. Pode ser cruel mas é a pura verdade. E ele afastou-se. Conversamos de longe a longe só a ver se continuamos vivos. Mas no dia um de janeiro ele diz-me com todas as letras que quer-se afastar de mim pelo menos durante dois ou três meses pois tem que ultrapassar e manter o contacto comigo não ajuda. Entendo claro. Impôs os seus limites, tomou a decisão, comunicou-a. E bloqueou-me nas redes que é algo que nunca tinha acontecido. O sinal foi claro.

Não tenho como fugir. Eu fui a má da fita nesta peça. Arrastei (literalmente porque já não havia forças nem para andar) uma relação apenas à espera que o interesse voltasse. Teria sido tão fácil se o interesse voltasse. Teria uma relação bonita, podia avançar com a vida, talvez ir viver junto como os outros da nossa idade. Daqui a uns anos teríamos filhos. A parte amorosa da vida ficaria resolvida. À semelhança do que vi esta semana num dos episódios de Emily in Paris, a Emily tinha a vida planeada em Chicago, pouca coisa para prever, as linhas gerais da vida estavam traçadas e depois ela baza, conhece outro ambiente e tudo muda. De certa forma, identifico-me com essa parte de ter tudo planeado e à minha mão e de simplesmente isso não me atrair e deitar tudo fora só porque não é interessante o suficiente. E não sou pessoa de me ficar. Mas não sou mesmo. Sou uma pessoa de desalinho, de desarrumação, de algum caos. Vê-se isso na minha secretária do escritório, no meu carro, no meu quarto, nas minhas fotos, nos meus estudos, nas minhas relações. Sou eu. Foi assim que me tornei. Também esta semana ouvi dois episódios do podcast Voz de Cama com a Tânia Graça e a Ana Markl e ouvi-os precisamente pelos temas: ainda há amores para sempre? e não consigo ter uma relação longa. Enfim, muito do que ouvi já tinha ouvido pelas próprias mas dizia a Tânia que às vezes as pessoas crescem juntas numa relação até um certo ponto em que essa relação deixa de fazer sentido para uma ou para as duas. Não há motivos muito fortes além de simplesmente tornarmo-nos pessoas diferentes, que querem coisas diferentes e que têm coisas diferentes para oferecer. Gostei de ouvir isto porque penso que foi o que se passou connosco também. Tornei-me diferente, numa pessoa que gosta muito pouco de passeios e fins-de-semana românticos, que passou a detestar festividades, que adora estar e andar sozinha, cuja prioridade de tornou a mãe, a gata e o trabalho. E cujos ideais de relação mudaram e ainda estão num work in progress. E que acima de saber aquilo que quer para a vida, sabe aquilo que não quer.

Eu poderia ser como todos os outros (e talvez ainda me torne porque não ser dá medo) mas neste momento não me imagino mesmo. Tenho dificuldade em partilhar-me com alguém. Tornei-me muito minha. Emocionalmente. Adoro a independência. E até penso que basta me aparecer uma pessoa interessante e diferente no meu caminho que cedo a minha independência e vou. Penso nisso (e até é um medo que tenho) mas a realidade é que passaram dois anos e ninguém apareceu (estou a tirar o Lid da equação porque essa é uma carta fora de baralho). Fala-se na juventude que é só pessoas e relações cada vez mais curtas mas isso não me acontece. Eu ando aí, sou simpática e sorridente, falo com quem me rodeia mas em dois anos ninguém se aproximou. E já tenho 25 anos. Eu sei, são só 25 anos mas as hipóteses ficam cada vez mais limitadas. Mas Inês, tu és e queres-te manter uma pessoa sola! Jeez, a incoêrencia! Eu sou isto.

E por isso magoei o DC nestes últimos meses mais do que nunca. Sei disso e a imposição do corte de contacto deixou-me um bocado com uma sensação. Não gosto de cortes, por isso apenas o fiz uma vez com ele em 2019 e custou-me muito mas foi a melhor decisão que tomei. Mas não gosto de ter que rotular coisas, e agora somos isto, e depois aquilo, e então se não queres ser isto não podemos ser nada. Que chatos! Mas entendo, cada um tem as suas necessidades e cabe a cada um fazer acontecer. Mas os cortes deixam-me triste. Sempre me deixaram. Na verdade, e por causa disto, até encontro alguma beleza no ghosting. Há uns tempos fiquei muito chateada com o ghosting do Lid mas entendo-o perfeitamente. Preferimos deixar portas entreabertas em vez de fechá-las.

Mas eu e tu não somos pessoas iguais e começaste a ano a dizer-me Adeus na conversa de whatspp, achei excessivo e disse-te apenas bom domingo com smiles. Tu mantiveste o adeus como apropriado pois era o funeral da conversa. Não acredito que nunca mais fale contigo. Espero mesmo que conheças alguém que te faça feliz. Custa-me imaginar porque sempre te vi comigo mas espero mesmo que aconteça. Quero-te bem.

02 de Janeiro, 2022

A entrar em 2022

Inês

Quando acordei hoje nunca imaginei que a manhã terminasse da forma como terminou. Fui a uma aula de ginásio e no fim lançou-se a ideia de ir dar um mergulho ao mar. Nunca tinha feito isso de dar um mergulho no início do ano. Aliás ontem praticamente não saí da cama e cheguei a pensar que eram malucos aqueles que publicam no Insta os seus primeiros banhos no mar. Hoje, como Maria Vai com as Outras que sou, juntei-me sem pensar muito e fui. A água até estava boa. Não senti aquele choque térmico que até no verão sinto. Lá me aventurei para dentro de água. Meio destemida, sem pensar muito, contagiada no espírito dos outros. Contente comigo mesma. Claro que o medo serve o propósito de não sermos estúpidos e evitarmos situações perigosas. Faltou-me ali algum discernimento e, quando dei conta, fui arrastada por uma onda. Lá teve que vir o instrutor (e gerente do ginásio) acudir-me. Eu com o top e os leggings desalinhados e ele a dizer para os arranjar (sei lá o que é que se viu). Enfim. Nada de grave e deu para rir e ficarem a conhecer as minhas fracas habilidades físicas (como se já não soubessem ahahahha). E como disse o instrutor "espero que este mergulho não seja representativo do teu ano". A ser que seja na coragem, nos desafios novos, no espírito e nos risos. E que venha sempre à tona que isso é que interessa.

01 de Janeiro, 2022

2021

Inês

Foi ano de:

- Lid, Lid, Lid e que bem que soube.

- Pegar numa autocaravana e fazer dela casa com as minhas melhores amigas durante 9 dias. Foi sem dúvida o ponto alto deste ano. A aventura que marca 2021.

- Maneskin como a grande paixão musical. Mas também Arctic Monkeys, Billie Eilish, The Weeknd e Wet Bed Gang (aquele álbum espetacular no início do ano em plena quarentena).

- Apanhar covid.

- Deixar de roer as unhas (uma vez mais na vida).

- De ter posts em destaque várias vezes, inclusivamente na homepage do Sapo (e tenho para mim que um dia muito no futuro ainda hei-de dizer às amigas que a foto em destaque é delas).

- Inscrever-me no ginásio, adorar Pro-fight e ficar muito contente por receber como prenda de natal umas luvas de boxe.

- Teletrabalho que faz lembrar as épocas de adolescente onde os horários eram relativos, adormecia com o PC na cama a ver séries, fazia desporto na sala e demorava mais de meia hora para me levantar.

- Um grande salto profissional. Passar de Assistente para Gestora de Produto, solidificar a minha presença na empresa juntos dos grandes, passar a ir às reuniões de Qualidade, passar de um dpto de pessoa única a trabalhar em equipa, dar formação, ir à Feira de Madrid e tantas outras coisas que foram acontecendo e me realizaram dia após dia.

- Dexter, Dexter, Dexter.

- Visitar a costa vicentina duas vezes.

- Ir aos Açores, a Esposende, à Serra da Estrela, a Viseu e à Nazaré.

- Ver apenas dois espetáculos de stand-up: Boémio do Sinel e We will always have standup do Salvador.

- Ir ver o Luccas Neto com a sister e emocionar-me com a alegria das crianças (porque hormonas e enfim foi bonito de sentir). Fica a expressão "público mais jovem" e os constantes acenos e beijinhos para a multidão.

- O meu irmão sair casa e ficar a viver sozinha com a minha mãe.

- Fazer videochamadas com a minha Fofinha e apaixonar-me incrivelmente por ela. Eu sei, é estranho dizer que me apaixonei pela gata que tenho há quinze anos mas ter passado por aquele contratempo em março e vê-la tão frágil, fez-me ganhar um amor grande, enorme mesmo, por ela que se mantém a cada dia. Trocamos carinhos e brincadeiras diariamente e a Fofinha é a principal razão pela qual tenho ânsias de voltar a casa. O meu ano em fotos no telemóvel é só Fofinha e espero que assim seja no próximo, e no próximo, e no próximo.