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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

29 de Maio, 2022

Surpresas boas

Inês

Eu não imaginava como iria terminar a minha semana. Se imaginasse não teria stressado tanto mas a vida é assim (pelo menos a minha pois quando dou por ela o sistema nervoso já arrancou e levantou todo o pó). Já passava das 22h de quinta-feira quando me mandaste mensagem para te ir buscar. Eu nem estava à espera mas fiquei imediatamente muito contente. Furei o meu isolamento para ir ao teu encontro. Meti-me no carro e fiz kms já noite dentro. Vieste para minha casa e dormimos. Passamos a sexta em teletrabalho na mesma mesa, um em frente ao outro a sorrir entre conversas de colegas. Almoçamos e adormecemos ligeiramente no sofá antes de pegar às 14h. Eu a pensar que havia de ser algo do género se vivêssemos juntos como tenho idealizado non stop. Foi bom. Levei-te na sexta (mais 100 kms em cima) e como boa surpresa extra antes de ir dormir fui presentada por uma mensagem tua a dizer que estavas home alone e então podias vir também no dia seguinte. O que é que eu podia pedir mais? Quatro dias seguidos juntos acalmaram o meu coração.

Ontem aproveitei o dia de sol e fui para a praia com a Joaninha o que foi muito bom porque descansei a cabeça, espaireci, falei de coisas diferentes e também falei de ti. Ela na sua simplicidade e ingenuidade ajudou-me bastante. Estou a organizar os pensamentos na minha cabeça e a escrevê-los para que quando chegar a altura certa, os possa partilhar contigo e saber que foram pensados e não são um mero impulso. Espero que regressar amanhã à vida normal me ajude nisto e me faça ver e sentir tudo com mais clareza e calma sobretudo.

26 de Maio, 2022

For all the wrong reasons

Inês

Eu não quero estar numa dating app. Não acredito nelas, não gosto delas, não sinto necessidade. Não sentia necessidade de encontrar alguém antes de me vires dizer que tu estavas a encontrar várias pessoas. Porquêeeeee? Afinal sou tão frágil. Não acredito em amores para a vida toda, não acredito no ciúme e agora passo o dia a roer-me por não estares aqui comigo. Sentimentos e emoções que eu tinha ultrapassado e que me fizeram tão mal e agora vejo-os a burbulhar novamente. Que raiva, na verdade! Pior que a possibilidade de te perder é perder-me a mim própria e aquilo que já tinha conquistado para mim, como adulta. É uma merda, na verdade. E era um dos meus receios. Pensei que fosse mais do que sou afinal. Também acho que aqui a semana de isolamento do covid tem a sua quota parte de culpa porque não me sobra muito para fazer, só pensar mesmo.

Na páscoa enviaste-me mensagem e ainda não tinhas mais nenhuma "ela" na tua vida e vieste a mim. Foi fixe e eu pensei que ia ser mais do mesmo dos últimos dois anos. Provavelmente seria se não me surpreendesses com as "elas". A evidência passada só me demonstra que seria assim. Eu ia seguir a mesma linha se tu também tivesses na mesma. Mas não. Afinal sou influenciável e quebrei a minha estrutura quando tu te mostraste diferente. Não desinteressado porque a nossa química estava lá a queimar-nos aos dois. Mas também falavas com interesse das outras. E eu só tenho que engolir porque sempre te dei à vontade para tal. Simplesmente nunca o tinhas feito.

E então sinto uma pressa enorme em te chamar a mim novamente, resgatar-te, oferecer-te a minha casa, construirmos o nosso canto que era o que querias. É mau da minha parte eu sei, mas dói-me também e estou com dificuldades em lidar com esta nova dinâmica.

E eu o que quero? Eu sei lá! Estou neste corda bamba há anos já! Passo a vida a pensar sobre o que quero e só tenho dúvidas e questões. Os outros sabem ou estão todos a fingir ou vão todos na manada do que sociedade dita ser o normal? Também tenho que o fazer? Porque ao fim ao cabo já o faço em alguns aspetos da minha vida. Tenho um trabalho das 9h às 6h. Vou ao ginásio três vezes por semana como se recomenda. Só me falta preencher um vazio romântico e afetivo.

E custa-me tanto acreditar que hei-de encontrar alguém mais perfeito que tu. Perfeito, tipo adequado. Já me conheces tão bem, os meus defeitos, as minhas virtudes, as minhas piadas, os meus gostos. E eu os teus. Será que quis demasiado da vida? Custou-me muito terminar a nossa relação. Foi das decisões mais difíceis da minha vida e tomei-a plenamente. Na altura pensei que a vida não podia ser só isso, que mesmo que fosse, eu não o queria. Que tinha que haver mais. E, mais importante, o sentimento acabou e não o soubemos reconquistar. Agora passado tanto tempo, o sentimento já esteve on e off várias vezes. E agora está on outra vez, claramente para mim. Tu não mereces esta instabilidade. Será que com os outros acontece o mesmo e eles não se deixam cair? E eu fui fraca? Desisti cedo demais, vezes demais?

E depois a lengalenga que há tanta gente no mundo e tu só tens 25 anos e claro que vais encontrar alguém e porquê que eu não acredito nisso? Porquê? Eu não quero encontrar mais ninguém neste momento. Só tu. Então porquê que estou a perder tempo nas dating apps? Estou a tentar enganar quem? Eu sei que não quero estar lá. Quero provar-me a mim própria que consigo mas sem motivação para me esforçar.

Penso em todos os cenários porque, sejamos honestos, eu tenho que pensar muito bem sobre o que dizer e o que fazer. Não posso admitir-te todos os meus pensamentos porque se/quando eles mudarem, vou-te perder uma vez mais, além da minha credibilidade e dar mais razão à instabilidade e impulsividade que me são características. Aguentar estar calada e quieta pacientemente é das cenas mais desafiantes. Mas é sem dúvida o mais sábio a fazer neste momento. Manter-te por perto, ver no que as tuas aventuras dão, talvez em algum tempo até sejas tu a querer voltar. Ser paciente, puxar a minha carência para baixo (talvez aqui as conversas no tinder possam ajudar, se efetivamente houverem conversas que puxa é dificil!), e, por favor, sair de casa e voltar à minha vida que aqui em casa já não aguento! E afinal estou a queixar-me do quê? Em três semanas estivemos juntos três vezes e na próxima segunda, se tudo correr como planeado, estarás cá novamente. São só mais três dias.

24 de Maio, 2022

É que nem sei.

Inês

Voltei a instalar o Tinder. Já fiz dezenas de deslizes para a esquerda porque não me imagino com nenhuma daquelas pessoas. Abro o tinder e só fico com mais certeza de que não é ali que eu quero estar, mas sim contigo, nos teus braços. Nunca me senti bem com alguém que encontrasse na net. Aliás, nunca estive com alguém da net. Por isso, continuo a achar que não é para mim. Mas também nunca tentei verdadeiramente. Não dou margem de tempo suficiente sequer para testar. Nem faço matches porque isso pressupõe um swipe right da minha parte que não acontece. Vou tentar uma vez mais, prometo. Afinal tu conheces pessoas pelo Insta. Eu posso tentar fazer semelhante. Pelo insta vai demorar algum tempo porque eu não aceito pessoas que desconheço e já não publico desde 2019 (e antes dessa tinha sido 2017). Eu sou tão tímida online. É ridículo. Mas é verdade. Quase que arrisco dizer que sou mais tímida online que em pessoa! Onde é que isto já se viu? Mas juro é verdade. Não publico nas redes porque sinto vergonha. Acho que é um show de vaidades e um "best of" de vidas e a minha é simplesmente irrelevante no meio de tanta coisa. Tipo há tanta gente que uma foto minha interessaria a quem? E depois só penso o que as pessoas iriam achar de eu publicar algo passado tanto tempo. E depois penso "ines, nobody cares and nobody notices, estás a pensar demasiado, publica só" mas não dá, não consigo. Sou mesmo tímida, não quero sequer aparecer nos feeds dos outros. Meto mais rapidamente conversa com alguém no ginásio do que consigo clicar em "publicar". Mas tu publicas e agora até metem conversa contigo pelas redes! Estás on fire, que ninguém duvide. E eu a sentir-me super carente e a achar que estou a perder. Porquê, Inês? Conseguiste tanto em dois anos! Dois anos em que te construiste numa pessoas emocionalmente independente e agora a tua cabeça passa os dias a pensar nele e no apartamento que partilharias com ele e em uma vida juntos. Deitaste isso fora duas vezes! E agora à terceira és tu que achas que queres? És tu que achas que resultaria? Porque raio? Como é que irias voltar a estar com a família dele? Eu sei, não é o foco, mas eles souberam que foste tu que terminaste por duas vezes, deixaste-o mal e agora queres pegar novamente, à tua vontade, quando o vês a tentar algo diferente? Eu sei não é justo mas só nós os dois é que sabemos o que sentimos quando estamos juntos (e ainda sentimos!). Algo tão especial não deveria ser desperdiçado. Quase tudo o que eu possa querer encontrar num outro alguém está ali. E quase que aposto que o mesmo acontece em vice-versa. Já alinhámos tantas coisas que estavam desalinhadas que é o verdadeiro desperdício deitar tudo fora e começar do zero com outra pessoa. Olho para as nossas fotos com grande saudade. As nossa viagens e aventuras. Quero-te propôr vires viver comigo. Talvez já o devesse ter feito há uns meses quando ainda te tinha. Desculpa mas estava distraída. Tenho medo do futuro. Tenho medo da Inês do futuro. Medo que volte a afastar-se por um rabo de calças. Mas neste momento só te quero a meu lado. Também porque raio é que a vida nos teima em juntar? Porque raio é que tu mandaste mensagem desta vez? Eu estava bem até antes de irmos jantar! E tu é que quiseste marcar o jantar!! Ou estás a fazer grande papel ou a vida é mesmo uma salganhada fdd. És demasiado inocente para fazer qualquer papel. É honesto da tua parte mas sem quereres estás a fazer-me querer-te novamente. Ou é o medo de não voltar a encontrar? Eu não me imagino com mais ninguém. Só partilhei ligações assim contigo e com o L. Mais ninguém. E sinto o tempo a afunilar-me completamente. A crise dos 25 anos existe? Eu não vejo um futuro com mais ninguém. Ninguém se atravessa. Ninguém aparece. Agora inscrevi-me numas formações online. Mais uma tentativa. Mas só penso em estar contigo. A minha cabeça é um loop fdd que contradiz tudo o que eu acreditei nos últimos anos. Incoerência de sentimentos e emoções.

24 de Maio, 2022

Covid 2.0

Inês

Não consigo precisar como apanhei o bicho desta vez. "Desta vez" sim porque é a segunda vez que me vejo encovidada. Pode ter sido no ginásio ou num Sá de Bandeira esgotado de gente, no trabalho ou quem sabe no supermercado ou no shopping! Isto sem máscaras e numa vida que está praticamente normal, é difícil descobrir. É verdade que eu tenho feito a vida normal e sem a máscara. Estava ao corrente dos riscos (apesar de já nem ser obrigatório segundo as normas da DGS) mas uma pessoa percebeu que usar máscara é muito mais saudável num mundo em que andam por aí tantas bactérias e vírus nojentos. Porém, eu sou toda pela liberdade e pelos seus riscos e portanto entreguei-me à vida pré-2019. E sim, tinha aquele pressentimento que mais tarde ou mais cedo o bicho havia de me bater à porta novamente. Sobretudo depois de há uns fins-de-semana ter ido às galerias do Porto e entrado em bares e discotecas. I mean, qual a probabilidade de aqueles sítios não terem algum pessoal contaminado? Era mínima... Não creio que foi aí (ou então o covid está a demorar mais a encubar e eu já me perdi nos timings de encubação e sintomas, etc) mas em algum sítio foi. E portanto cá estou eu cheia de espirros, tremores, tosse e ranho no nariz. Ontem e anteontem foi pior com dores de cabeça, de garganta e aquele estado chato quase a tocar no febril. No domingo de manhã senti-me doente e como normal lá fui fazer o teste. Não houve margem para dúvidas. Os dois risquinhos surgiram logo. A minha maior preocupação é não passar à minha madre que tem uma saúde débil mas como ela teve há menos de dois meses, penso que está safa. A mim resta-me ficar por casa o resto da semana e aproveitar este tempo de paragem obrigatória para arrumar a casa e concluir afazeres pendentes. E eu que andava a desejar tanto o teletrabalho, cá o tenho. De séries não há nada de jeito para ver. A semana passada vi "Sick Note" e ontem vi "Crashing" de uma assentada. Há aí séries que até curtia ver mas são muito pesadas e vou ficar agarrada e não me apetece honestamente. Quero coisas leves e bem-dispostas, simplesmente.

22 de Maio, 2022

Deixar Ir é um WIP [Work In Progress]

Inês

Na sexta estava aborrecida no trabalho e pus-me a ver as nossas fotos partilhadas. Pus like numa só tua porque sabia que ias receber a notificação. Quero-te agitar as águas. Começamos a falar e em pouco tempo estavas a convidar-me para irmos à praia no dia seguinte. Um sábado juntos, na praia, só os dois. O tempo esteve uma shit. Até choveu e as poucas pessoas que estavam no areal começaram a desertar. Nós os dois embrulhados na toalha. Foi a desculpa perfeita para estarmos ainda mais juntinhos. Mas na verdade nem precisávamos de desculpas. Porquê resistir? Fizeste-me bem na praia. Namorámos muito como dois jovenzitos a viverem uma primeira paixão. Não estava fácil descolar os lábios um do outro. Mas o facto de já não sermos novos nisto, faz com que o resto dos dias seja mais tranquilo. Mas eu sei lá. Tu continuas nas tuas aventuras extra e eu simplesmente a esforçar-me para não te perder, a puxar-te para mim, que te lembres que até poderia resultar. Tenho pensado muito em criarmos o nosso cantinho aqui no apartamento. Tem tudo para dar errado eu sei mas nós os dois podemos esforçar-nos para que dê certo. É isso que os outros fazem, não é? Esforço, vontade e há-de dar certo. É um cenário que eu nunca quis e até repudiava muito facilmente, mas a vida tem formas estranhas de nos dar a volta. Engolimos tudo o que dizemos. E agora dou por mim a ver camas no ikea para nós os dois e outras coisas que decorassem o quarto que tenho vazio e o tornassem nosso. Tu nem imaginas estes loucos pensamentos. Talvez num futuro próximo chegue o momento de os partilhar que eu não sou de resistir. Se for para sofrer, também estou aqui para isso.

E a merda que é depois de ter estado contigo, dar positivo ao puto do covid outra vez? Tipo, em janeiro de 2020 a merda foi quase a mesma, só mudavam as personagens. É um karma só pode. Covid 2.0 here we go.

18 de Maio, 2022

Deixar Ir

Inês

Ontem foi um dia triste e hoje também. Só penso no quanto gostaria de te ter, de viver contigo, de partilhar o dia-a-dia simples. Foi aquilo que ficou por fazer entre nós. Por tentar. Viver juntos finalmente. Houve uma altura em que o quis muito e podia completamente e tu não. E depois tu querias e podias e eu não. E agora ainda não. E parece-me louca a ideia de partilhar o T3 contigo, a minha mãe e a minha gata mas é uma louca ideia que não me tem saído da cabeça. Não sei o que a vida me reserva. Se estou a desperdiçar o mais próximo que tirei de felicidade em deixar-te ir. Tenho muito medo de nunca mais conhecer alguém apesar de não ter medo de estar sozinha. É contraditório, eu sei, mas acho que estou a sofrer de um pico de pressão social e comparativa em relação a ti imposta por mim própria. De repente só quero ter alguém. Parece-me tão difícil ter que conhecer alguém do zero, passar por todos aqueles desafios até ter confiança para ser e estar à vontade. Contigo já tinha tudo isso. Faz-me lembrar quando apresentei a carta de demissão lá na empresa e depois o chefe passado uma semana presenteou-me com condições que nunca imaginei possíveis naquele sítio. E voltei atrás, aceitando ficar porque o que eu procurava fora, de repente estava ali para mim. É mais ou menos o mesmo contigo mas muito mais complexo. E independentemente de eu saber ou não que te quero novamente (que não sei), não tenho o direito de voltar a criar-te um dilema. Tenho que te deixar ir, com quem quiseres e ao ritmo que quiseres. Mas custa. Custou ouvir-te ontem. Mandaste uma mensagem a dizer que querias falar comigo e do nada fiquei uma pilha. Coração a palpitar, transpiração, nervos. Pensei que tivesses sentido o mesmo que eu e não parasses de pensar em terça. Mas não. Aparentemente sou apenas a pessoa com quem tens maior confiança para dizer que finalmente estiveste sexualmente com outra pessoa e agora não sabes que tipo de abordagem ter com a rapariga. Que btw, nem sequer é a que me tinhas falado! (E o burro fez sem proteção o que já me lixou a via verde para situações futuras, enfim..). Querias a minha opinião, dei-ta e até pareceu útil. Mas não aguentei e tive que pôr as minhas cartas em cima da mesa. Disse-te que não tinha parado de pensar em ti, que tinha sentido tudo outra vez, que sabia que não era justo da minha parte e que te desejava o melhor, que não tivesses pressa, que deixasses todas as portas abertas. Isto entre lágrimas claro, não fosse a puta da TPM que me faz estar com as emoções todas à flor da pele. Foste solidário mas informaste que tinhas posto um bloqueio. Afinal de contas eu não sou de fiar. Hoje é azul, amanhã o amarelo. É legítimo. Terminamos a conversa em bons termos, prometendo voltar a falar porque hey somos amigos e daqueles que se conhecem mesmo bem.

13 de Maio, 2022

Ainda, tu

Inês

Acho que não te apercebeste mas ao longo da noite foste referindo várias coisas em que estás diferente e que foram motivo de tantas discussões que tivemos no passado. Um verdadeiro debate de forças e passados seis anos eu tinha razão. Tive que me esforçar um bocado para não dizer que after all eu é que estava certa mas lá me controlei porque não vale de nada. E enfim. No final de contas eu sei que tinha razão e tu agora sabes que eu a tinha. Já não achas estranho pagar à vez em vez de dividir as contas ao cêntimo por mbway; já entendes que não se devem comparar performances sexuais de ex com as atuais, sobretudo se for para dizer que a outra era melhor; já estás independente o suficiente para não ir jantar todos os santos dias à casa dos avós (quando isso no nosso tempo até significava ficarmos uma semana sem nos vermos se fosse preciso). Gastei tanta energia a tentar mostrar-te que era doutra forma e agora ela leva a versão melhorada sem se ter esforçado. Mas eu sei que as relações não se medem nem avaliam assim. É só um desabafo aqui que ninguém nos ouve. Eu sempre disse que eu tinha sido o test drive e agora devias fazer melhor. Mas eu também aprendi muita coisa. Tornei-me mais minha, mais independente, deixaria a relação respirar mais agora, focava mais nas coisas boas. Não seríamos o que somos sem termos passado por aquela relação que tantas vezes não passou de uma ralação. Agora somos versões melhoradas para quem vier. Mas dá que pensar se uma terceira relação entre nós não resultaria. Eu sei, tentamos uma segunda e não deu. Mas sei lá. Na realidade eu quase que aposto que o facto de tu teres múltiplos interesses amorosos e eu ter zero, faz-me querer-te novamente. É o básico das relações e das pessoas. E eu aqui sou muito básica. Eu adoro o jogo do início. É o que me dá pica, o que me interessa e o que me move. É o que me tira o sono e me deixa a daydreaming. Gosto de desencaminhar, de transgredir, de sair fora das linhas e de desalinhar os outros também. Mas o que vivenciamos não se explica. Já tiveste as hipóteses de teres outras e não tiveste. E comigo passaste a noite. Portanto também acho que não te sou indiferente. Ou lá está, comigo é mais fácil. Com as outras ainda seria um desafio (e vai ser). E voltar onde já fomos felizes é sempre bom. Também acho que secalhar só quero voltar a ter um amigo. Um contacto que sei que está disponível. Eu detesto despedidas. Recuso-me a despedir de ti também. Quero voltar sempre que quisermos. Não me interessa quem habite em ti.

11 de Maio, 2022

Ontem porque "a vida são momentos"

Inês

Fomos jantar e a grande novidade é que conheceste alguém. Não. Falaste comigo antes de conheceres esse alguém e depois já não quiseste desmarcar porque até estás ok e queres colocar em prática isso de manter contacto com ex-relações porque faz mais sentido do que não manter (ou porque sabe melhor?). Concordo plenamente e fomos. Primeiro referiste esse alguém de forma muito vaga e disseste que não ias aprofundar mas passado um tempo contaste-me tudo sobre ela e sobre a vossa breve história. Descobrir que há uma "ela" deixou-me num misto de sentimentos. Há dois anos que esperava por isto para ver como eu própria reagiria a este situação. Por um lado, fiquei um pouco cabisbaixa porque a dinãmica muda e foi mais um choque de realidade no que toca a eu ser uma rapariga de 25 anos sem qualquer vida social, que não sai à noite talvez há três anos e não conhece ninguém novo há buéeeee. Fiquei triste porque eu estanquei neste aspeto da vida e tu acordaste e já estás a ter resultados e a conhecer pessoas e a curtir com elas e etc. Mas por outro lado, haver uma "ela" dá-me mais liberdade para brincar porque fiquei com menos receio que se confudissem sentimentos entre nós como noutros tempos. Porém, dei por mim a verter lágrimas a meio da noite porque me pesou a consciência em esticar a corda contigo agora que tens alguém no horizonte e no quão bitchy isso pode ser. Porque te poderia destabilizar, porque poderias ficar tu com consciência pesada no dia seguinte. Isto logo a seguir a eu admitir que era carne fraca. Ficaste com isso na cabeça. E sim sou e sim haveria muito a dizer mas não trago histórias à baila que só poderiam trazer coisas negativas para ambos. Na minha teoria, brincar é só brincar. A relação física é só isso e pode não passar só disso (ou não muito além) mas como sabemos um dos pilares sociais das relações tradicionais é esse limite à relação física com terceiros (lembra-me Dan Savage e o seu discurso "sex is just sex. you monogomous people put too much relevance on sex, so much that you end relationships because of it"). Mas cedi ali à pressão, verti umas lágrimas e ficaste muito surpreendido e preocupado genuinamente (até nem me lembro de te ver reagir assim) e agora olhando para trás esse momento não significou nada além de me lançar a mim e a ti naquilo que eu pensava que deveria evitar. Mas lançaste-te a mim, num cenário de filme, eu a conduzir pela VCI e tu com as mãos entre as minhas pernas. As tuas mãos quentes. Isso é do que sinto mais falta, sem sombra de dúvida. Não sinto falta de planos a dois nem jantares nem fins-de-semana nem viagens em conjunto, nem saídas de grupos de amigos e muito menos de eventos familiares e de prestar contas ou estar às mensagens. Sinto falta do corpo masculino, das mãos, dos abraços, do afeto, dos mimos (e eu sou muito pouco de mimos mas ya faz falta). E quando a noite tinha acabado e de uma forma muito natural já nos abraçávamos e tocávamos como se não tivéssemos estado cinco meses separados. Beijas-me tranquilamente e eu peço-te para passares a noite comigo. E agora já só queremos uma cama. E é tão fácil voltar a estar contigo. Há uma sincronia que simplesmente existe (e que se nota em força quando nos reencontramos passado tanto tempo e há fome). É muito mais fácil do que quando estiveres pela primeira vez com a nova habitante dos teus pensamentos. Mas pronto, a vida é isso mesmo. E por um lado penso no fácil que seria seguir uma vida contigo e até que podia resultar porque, olhem, ontem resultou tão bem. Mas depois lembro-me que daqui a uns meses ia cair no mesmo loop viciado de sempre e eu ia-me estar atirar às paredes para ter outra coisa. Mas que coisa? O que me reserva a vida? Serei capaz de dividir a vida com outra pessoa? Estou condenada a aprender? Ou conseguirei viver a solo? Bem, para começar tenho que me atirar de uma vez por todas a uma qualquer vida social. Tenho mesmo que começar a sair de casa e a conhecer gente. É absolutamente imperativo porque eu queixo-me mas nem tento. E tenho que tentar procurar algo ou alguém ou alguéns. Sair da minha zona de conforto. Forçar-me a isso.

08 de Maio, 2022

O prazo de validade das pessoas e relações

Inês

Na minha vida a maior parte das pessoas e relações têm um prazo de validade. É um facto que aprendi a aceitar. Não tenho aquelas amizades de infância e agora nem de adolescência. As minhas amizades mais longas vêm dos meus dezasseis anos e são a Amelie que está lá longe na Alemanha e só nos vemos de anos em anos (mas sempre que nos vemos é realmente fantástico) e o Lid (bem, que história essa!). Os outros foram-se afastando ou eu me fui afastando deles. Depois disso só mesmo as minhas pessoas favoritas que a praxe me deu: a C. e a J. e essas mantêm-se sólidas.

De resto, quando comecei a trabalhar e durante bastante tempo mantive uma relação muito próxima com a Joaninha mas já não dá mais.. Fui-me afastando e não lamento muito porque a Joaninha não avança e é muito infantil/ingénua/imatura em certas coisas e eu já ouvi aquelas histórias talvez dezenas de vezes e sei a vida dela toda de trás para a frente e não é interessante, simplesmente. Quando passo um pedaço tempo com ela, quase sempre, tenho que fazer um face palm mental como reação ao que ouço. Sinto que aquilo não me acrescenta, não traz nada. Eu não me quero colocar numa posição superior nem nada do género simplesmente são dois universos que deixaram de se cruzar.

E isto é muito recorrente. As pessoas falam tanto delas próprias. Mas tanto. E ouvem tão pouco. A Luísa é outra mas este caso é mais grave. Tornei-me "amiga" da Luísa quando me mudei para o gabinete onde ela estava e passámos largos meses a conhecermo-nos e partilharmos pensamentos e episódios de vida. Depois o covid deve-lhe mesmo ter dado a volta à cabeça e as ansiedades dela atingiram um patamar com o qual é quase impossível conviver. Eu creio que já fiz a minha parte que é incentivar a que ela consulte um psicólogo para a ajudar nos muitos medos que tem e naquela ansiedade que não desaparece e que só escala. Mas ela não o faz. Além disso, a única coisa que faço (e acreditem é uma grande parte) é respirar fundo e ignorar o tanto que me irrita. Não sou de confrontos e portanto evito-os (insultando-a mentalmente a cada cinco minutos). Porém, nos últimos meses (e aqui não consigo desconetar do momento em que fui promovida lá na empresa e tive o carro) ela tem atinjido patamares de provocação que já passaram alguns limites. E, na maior parte das vezes, calo-me. Mas esta semana não me calei. Imaginem uma pessoa que vos chama de 10 em 10 min para ABSOLUTAMENTE nada; estou de auscultadores (o que só por si deveria enviar uma certa mensagem) e tiro-os para ouvir o silêncio ou então "está tudo inesinha?"; ou então eu estou ao telefone em trabalho, desligo e ela tenta corrigir aquilo que eu acabei de dizer COMO SE ELA PERCEBESSE ALGUMA COISA DO ASSUNTO; ou então quando ela controla os intervalos da nossa outra colega de gabinete que realmente não faz a ponta de um chavelho mas não sei o que chateia mais se o facto de ela passar o dia em intervalos ou o facto de a Luísa cronometrar em alta voz esses intervalos; ou então quando faz questão de repetidamente comentar que gostava mais de mim antes e que antes eu era mais sorridente e alegre e agora não sou tanto e bla, bla, bla, once again em frente a outras pessoas e até pessoas em que fica mesmo mal ter esse tipo de conversas; ou então ficar chateada por eu dizer coisas à minha colega Cátia e não dizer a ela (simplesmente ela não devia estar no gabinete quando comentei aquele assunto) e ela me cobrar isso com uma grande cara de pau e eu tive que explicitamente lhe dizer que não tinha namorado nem namorada para ter que prestar contas e para ela chillar que isso não era assunto; e tantas outras merdas. E esta semana pego no meu pão com manteiga de amendoim e ela tem a lata de dizer "ui, outra vez ines, essa tua celulite deve estar". Aqui respirei, deixei assentar alguns segundos e disse-lhe entre gracejos que ela era uma pessoa mesmo simpática e que por isso tinha tantos amigos e que a mim me tinham ensinado que quando não tinha nada de interessante para dizer me mantinha calada! Soube-me muito bem dizer isto e serviu para ela fechar um bocado a cara e não falar durante uma hora o que já foi bom. Já para não falar nesta ousadia de falar sobre o corpo dos outros, ignorando completamente aquilo que desconhecemos e que se pode estar a passar na cabeça dos outros. Mas enfim. Isto tem dois lados. Por um lado, eu entendo que a Luísa é um indivíduo com algumas dificuldades emocionais e que vive muito constrangida o seu dia-a-dia com ansiedades, medos e stress. Porém quanto a isso não há nada que os outros possam fazer. Ela tem que o reconhecer e tratar-se. Evoluir para ser melhor. É uma pessoa extremamente carente e com uma enorme falta de atenção. Por isso quer ser o centro de todas as conversas mesmo que não tenham nada a ver com ela. Camufla tudo com brincadeira e piadas mas não deixa de ser inoportuna e até indelicada muitas vezes. E estica a corda. Nunca lhe dei confiança para falar como me fala, sobretudo em frente a outras pessoas! E a Luísa é insegura. E por esse motivo sinto que aproveita todas as hipóteses para me deitar abaixo ou ao meu trabalho. Até porque de repente ela é uma mulher de 38 anos e eu de 25 que avancei bastante lá na empresa. Enfim! Tento compreender o ponto de onde ela veio e onde está mas admito que se tem tornado cada vez mais difícil o convívio com alguém que parece que só nos quer destabilizar. Eu não sou de confrontos. Irei engolir até não poder mais. Porque sei que quando responder é radical. Sou bruta a falar. Sou assim e tenho tentado aprender a ser menos. O primeiro passo é pensar muito antes de falar e deixar friar. Com ela, é até ao dia...

E sobre amores e afins, já é conhecida a minha perspetiva. Para mim, é óbvio que as relações têm prazos. Creio que já esgotei o Lid na minha vida (pelo menos por enquanto). Ressuscitámos uma relação que aconteceu há oito anos e eu até acho que havia muitos outros níveis para explorar mas por alguma razão não aconteceu. Ficámos pelo vanilla e foi absolutamente espectacular mas foi perdendo a espetacularidade com o tempo. E pronto, de certa forma, sempre soube que nunca iria dar muito mais que aquilo. Ele é mais complicado que sei lá o quê e também não estou para isso. Ainda lhe mandei uma dica há umas semanas mas fiquei sem resposta, por isso quando ele precisar há-de voltar e tudo bem. Mas há novidades noutro setor, então o senhor DC lembrou-se de ressuscitar também na páscoa (só para a piada). Ele bem disse que precisava de dois ou três meses de distância para lidar com os sentimentos e parece que já lidou e também parece que não encontrou mais ninguém porque vem à opção mais fácil. Aliás, vem com uma postura toda confiante de "olha já estou bem com os sentimentos e quero voltar a friends with benefits. vamos marcar um sítio". Lol. Meti um travão mas aceito uma conversa. Sou e mantenho-me completamente disponível para conversar e conhecer novos avanços. Estou certa de mim e do que quero e estou curiosa para ver se ele também o está. O prazo da nossa primeira relação terminou ali em 2019, depois começamos uma segunda espécie de relação ali de início de 2020 a início de 2022 (oh meu deus foram dois anos!, nem me tinha apercebido) e agora o que nos reserva esta terceira fase? Porquê este loop em que estamos os dois envolvidos? Tu não encontras mais ninguém, eu também não. Creio que ambos tentámos mas está difícil e portanto volta a meia lá nos encontramos outra vez. Não tenho explicação nem especial interesse mas também não viro costas. Eu sei que digo que as pessoas e relações têm prazos de validade mas também acredito que podemos ter diversas relações com uma mesma pessoa (como diz Esther Perel). Há que crescer, evoluir e em muitos casos isso tudo talvez seja com a mesma pessoa. Mas ya, regra geral, as pessoas cansam-me todas e penso nisso muitas vezes.

02 de Maio, 2022

Sentido da vida, privilégio, guerra, séries, amor e dúvidas. Muitas dúvidas.

Inês

Os últimos meses foram um rodopio dentro do meu cérebro no que toca à minha posição nisto que é a vida. Qual é o sentido da vida. A sorte, o privilégio, a aleatoriedade ou não em estar aqui e vivenciar isto. A guerra foi só mais lenha para uma fogueira que já ardia mas se tornou imensamente maior. Depois de andar mais calma (e sem ter ido à procura) dou por mim a ver a série The Good Place. Já com uns anitos, tem uma vertende cómica forte (que foi o que me fez começar a ver) mas a base da história é o pós vida (ou pós-morte) de quatro amigos que têm que lidar com as consequências das suas decisões na vida terrena. A série é muito fixe. Gostei e verti uma lagrimita ali pelo meio. No geral, é uma série cómica e leve mas leva a pensar sobre o que há depois da vida e o que é afinal a eternidade, a nossa alma ou essência e o que fica desta nossa passagem. Como grande lição, entendemos que para que isto signifique alguma coisa tem que haver um fim pois se fôssemos eternos cada dia perderia significado. Se tivéssemos todo o tempo do mundo, não haveria o que fazer com ele. E sobre este mundo que é tão injusto, a querida Janet diz “since nothing seems to make sense, when you find something or someone that does, it’s euphoria” e é tão verdade. Euphoria. Os sentimentos bonitos são uma espécie de euphoria. Quando algo faz perfeito sentido. Quando encontramos alguém que faz perfeito sentido. E eu que não acredito muito nisso, em que ponto fico? Ainda na última quinta (e com uma das maiores graças dos últimos tempos) o PeterCastro falava e bem da pressão para se arranjar alguém, para se estar numa relação. Ou pelos outros, ou pelo status ou porque não estamos bem sozinhos e a relação completa o indivíduo. Mas para indivíduos que já se sentem completos, para quê a relação? Claro que há coisas boas que vêm daí mas não é preciso ir à procura deseperadamente ou pensar muito nisso (sobretudo se não aparecer ninguém interessante). Haverá sentido na vida em passá-la sozinha? Irei arrepender-me daqui a vinte, trinta anos? Porque mete medo tomar essa decisão agora e viver com ela para sempre. Por outro lado, não é uma decisão que esteja a tomar deliberadamente. Se não aparece ninguém e eu estou bem o suficiente, para quê panicar? É isso, na teoria funciona bem mas na prática dá medo. E depois de The Good Place, viciei em Russian Doll após ver uma recomendação do Markl e vi-me metida em mais uma experiência de pós-morte (também cómica btw). Agora a protagonista morre sucessivamente até conseguir corrigir alguns erros da sua vida. E aqui a resposta está na entreajuda com o outro e no olharmos para dentro e corrigirmos as nossas falhas para connosco próprios. Achei bonita também mas não apreciei o facto de tropeçar no mesmo tema. No fim, permanecem as dúvidas e a certeza que não há uma resposta, por muito que se pense. Não há "the answer for it all". The answer is tentarmos encontrar o mínimo que faça sentido nesta vida, neste mundo, porque é esse mínimo que nos aquece e talvez seja a procura por esse mínimo que nos incentiva a continuar no meio do pandemónio. E tentarmos ser melhores pessoas também. Apesar de ser estranho o universo inteiro partilhar a mesma noção de "boa pessoa" que nós idealizámos, como nos lembra a sábia Nadia de Russian Doll. É estranho, mas temos que admitir que há conceitos mesmo muito básicos e absolutamente transversais e fáceis de entender sobre como raio ser uma boa e melhor pessoa. É acreditar que o universo achará o mesmo.