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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

27 de Julho, 2022

Fico doente, cansada, frustrada, desesperada, triste.

Inês

A minha mãe foi passar mais uns dias a Lisboa e voltou ontem. Andávamos meio desalinhadas (outra vez) mas nada de grave. Eu tinha que lhe dizer que quero ir passar mais um fim-de-semana fora e ela tem que me pedir mais dinheiro. São meios de mediação de relações dúbios estes mas que resultam até um certo ponto (no sentido de evitar discussões). Ontem tínhamos combinado ir à festa da terrinha porque ela queria muito ir ver. Chegamos a casa do comboio e veio logo "estou muito cansada, tenho os pés muito inchados, não vou, vai tu e traz-me o jantar". Respirei fundo porque me apeteceu logo explodir. Respirei, virei costas e preparei-me para sair. Ia sair e os meus ombros caíram de desanimo porque nada disto faz sentido. Aquela nuvem cinzenta voltou. Eu podia fazer muita coisa (talvez soe a egoísmo mas já perdi as noções todas), tinha planos e coisas para fazer ontem depois do trabalho. Desmarquei para a ir buscar à estação e irmos jantar fora como ela queria. Deixou de querer e fico eu pendurada com uma mãe que chegou e se estendeu logo na cama. Saí e troquei os meus planos. Fui ao shopping comprar o que me fazia falta. Cheguei a casa. A mãe já tinha tomado a medicação de dormir e deambulava pela casa, um cigarro atrás de outro, com o telemóvel em altifalante a falar com uma tia em conversas deprimentes não fosse já meia-noite e a mãe já não estar bem lá. Comecei a entrar em ebulição. O coração a bater mais forte e mais alto. Disse-lhe para desligar, para se deitar e ir dormir. "vou só fumar mais um cigarro". "não, vais-te deitar e vais dormir, vou fechar a persiana; há regras". Deitou-se contrariada e começou a chorar. Adormeceu a chorar. Naquele momento, imagino que pense que é um vítima, que ninguém confia nela, que não pode fazer o que quer, que é um estorvo, que a trato mal. Hoje de manhã dormia tranquilamente. À hora de almoço vou a casa e não se passa nada, a mãe está bem. Não aguento esconder e digo-lhe o que sinto. Que não é justo estarmos constantemente a passar pelos mesmos erros, mesma situações, que eu não fico bem em ver a minha mãe adormecer a chorar, que há regras básicas a cumprir e a mais elementar é tomar a medicação e ir dormir. Ela não se lembra de nada da noite anterior e pede-me desculpa. Fica calada, não há muito a acrescentar. Voltou a falhar e a mãe é ela. Não sei se alguma vez vamos sair deste ciclo. Já achei mais que sim, agora volto a achar que não.

27 de Julho, 2022

Adulting

Inês

Ir pela primeira vez a uma Women'Secret e Tezenis e gastar 100€ em bocados de tecido que tapam pouca coisa (e alguns transparentes!). Isto de ser adulto realmente tem coisas. E correr para casa para experimentar a ver como me sinto ao espelho?

(mas quem é que se lembrou de inventar tangas?)

26 de Julho, 2022

Da Ericeira à Nazaré #2 (domingo)

Inês

Acordamos na Foz do Sizandro e fomos dar uma grande caminhada no passadiço. O R. tem que fazer caminhadas diárias devido à operação recente nas ancas portanto tornou-se um hábito matinal. Falamos muito mas estava vento e um bocadinho de frio, por isso não ficamos para fazer praia neste sítio. Pegamos na AC e fomos almoçar ao Miradouro do Alto da Vela a caminho de Santa Cruz onde, aí sim, fomos à praia. Santa Cruz foi assim uma excelente surpresa. Mesmo o tipo de sítio que eu queria encontrar. Uma vila pequena, bonita, uma praia linda e diferente. Recomendo vivamente e hei-de voltar! O jantar foi alho francês à brás cozinhado pelo R. (lembrando 2020) e a meu pedido. Estava muito bom. Depois disso fomos dar uma voltinha pela vila e voltamos rápido porque estava fresco. Bebemos Beirão e jogamos às cartas entre conversas spicy (não dá para fugir).

19 de Julho, 2022

Bem-vindos 26

Inês

No passado domingo foi dia 17 de julho, neste caso, de 2022. Esta é uma data particular que, na maior dos anos anteriores, tenho temido. No dia de aniversário há uma pressão para celebrar e estar feliz. E por causa disso eu sinto-me triste. Este ano já me sentia diferente. Talvez por no ano passado este dia ter sido tão mau e irrelevante, dseta vez quis agarrar as rédeas da situação e marcar um ganda jantar com a minha família. Marquei restaurante e até mandei fazer um bolo. Quanto à celebração em si, eu não podia ter pedido por melhor. Foi maravilhoso. Juntei vinte pessoas que não se juntavam há anos (porque famílias e muitas chatices) e, provavelmente por estarem todos mais velhos e a ver o tempo passar rápido, a boa-disposição foi geral e o sentido de união único. Pessoas que mal se falavam, riam juntas e abraçavam-se. O meu maior presente foi esse mesmo. Correu tudo bem e não podia estar mais contente com isso. Senti mesmo felicidade quando vi pessoa a pessoa chegar. Senti aquele quentinho bom e o sorriso a cobrir a cara toda. Fiquei mesmo contente.

Perguntava-me o meu irmão como é que fiz este ano para ter uma atitude tão diferente perante o dia de aniversário (pois ele já sabe que ambos desgostamos deste dia). Respondi-lhe, muito honestamente, que estava farta dos 25 e portanto que viessem os 26. É exatamente isso que tenho vindo a sentir. Este último meio ano foi bastante chato de passar (to say the least) e só quero que passe. Foi um inverno demasiado longo, em vários sentidos. Entrar no verão foi quase que uma novidade para mim, senti como se já não me lembrasse o que era verão e sol e calor e brilho e vida leve. Claro que dizer que agora a página dos 26 é que vai ser diferente é ingénuo e faz pouco sentido. A ver vamos mas vontade para que seja, há!

Despedi-me dos 25 com uma semana excelente em que voltei a um lugar onde já fui muito feliz e essa felicidade repetiu-se. Despedi-me dos 25 anos a partilhar com as amigas segredos guardados há anos e que foram recebidos sem julgamentos. A celebrar com elas e com uma velinha usada no meio do Marés. Tive saudades do R. mas a memória desta noite é feliz.

Entrei nos 26 de salto (e ainda não voltei aos rasos), de vestido a sentir-me senhora de mim, a esforçar-me para meter a minha vida nos eixos, a sentir-me livre.

E entrei nos 26 com um dos melhores orgasmos de sempre, absolutamente sozinha, só com um brinquedo novo que comprei. Fds, se felicidade não é isto!

18 de Julho, 2022

Da Ericeira à Nazaré #1 (sábado)

Inês

Nem foi bem da Ericeira nem foi bem até à Nazaré mas dizer os nomes das terrinhas ficava uma tag muito comprida, portanto simplifiquei. A aventura começou quando no sábado fui de autocarro para Lisboa. Cheguei e estava aquele calor horrível a marcar o início da vaga. Fui para o exato mesmo sítio onde o R. me tinha deixado há dois atrás quando nos despedimos. Vi a autocaravana ao longe e depois quando ele parou ao meu lado no passeio e abriu a porta foi mesmo um gigante throwback. Tudo muito na boa. Não houve awkwardness (que eu receava bastante). Rapidamente nos voltamos a familiarizar um com o outro e voltamos a 2020. Eu para o banco do pendura e ele ao volante. Exatamente igual a 2020. Sento-me e sinto algo no meu banco. Um presente do R. para mim. A primeira boa surpresa destes dias. Mesmo boa porque era o livro da Joana Marques e se eu fosse a comprar algum livro seria esse com toda a certeza. E foi mesmo acaso porque ele não a adora tanto como eu e desconhecia por completo o meu interesse tanto na Joana Marques como neste tipo de humor no geral.

Na realidade e uma das partes interessantes desta história é que (a brincar, a brincar) eu e o R. conhecemo-nos há dois anos mas só estivemos fisicamente juntos durante cerca de uma semana. É engraçado como nos conhecemos de forma tão limitada e tão vasta também.

Seguimos então para a primeira paragem que se revelou uma das mais importantes da semana: a Foz do Sizandro. Há ali um parque de autocaravanas mesmo junto à praia o que dá paisagens incríveis e uma vibe de início espetacular. Outro dos pontos altos desta viagem é que, ao contrário da costa vicentina onde não se pode pernoitar junto à costa, aqui na costa oeste pernoitamos sempre junto ao mar e sem stress porque não é proibido e as condições para os autocaravanistas são bastante boas até.

Estacionamos, fomos à praia ver o pôr-do-sol e caminhar um pouco pela areia. Conversamos e voltamos para a AC. Tomei banho e o R. cozinhou bifinhos de frango com massa. Bebemos vinho tinto de caixa (senti-me mesmo o meu pai mas fui na onda). Jantamos a ver o concerto dos Da Weasel no tablet. Foi um bom início de reencontro porque Da Weasel foi a banda sonora que nos acompanhou em 2020. Depois do jantar, arrumamos tudo e fomos a um cafezinho lá da praia que tinha jogos. Isto já é tipo tradição para nós. Começamos sempre na primeira noite num salão de jogos. Desta vez foi igual acompanhado de uns licor beirão que fomos partilhando. Acho que ganhei o primeiro jogo de setas e depois ficamos na conversa com os donos do café até às tantas da madrugada (não fosse o R, o R...). Voltamos para a AC já aos abraços e claro que fizemos maçãs. O R. está com um ligeiro problema na anca (inclusivamente está de baixa) e nota-se a diferença na performance mas por um lado até acho melhor porque ele antes era demais e agora está só bem e mais ao meu ritmo. Dormi muito bem nesta noite e sem dúvida que senti o tempo a voltar a atrás, exatamente como queria.

08 de Julho, 2022

Update weeks 26 e 27

Inês

As duas últimas semanas foram bastante boas. Estive intrinsecamente bem. Isto é, o bem-estar veio de dentro e não houve circunstâncias menos positivas a estragar. As fases do ciclo fizeram a sua quota parte mas, por exemplo, esta semana já estou a entrar na tpm e mantenho-me bem à parte da lágrima fácil a ver cenas dramáticas na série que estou a ver (mas as gargalhadas também saem com mais facilidade). Exceção é a parte dos tremores faciais que estão a piorar e a alastrar. Fui ler mais sobre o assunto e continuamos com a tese "é stress". Pois isso não me é suficiente. Li mais e cheguei à conclusão que tenho que reduzir nos cafés, dormir mais e melhor e comer de forma mais saúdável. São três coisas em que falho redondamente, sobretudo nas últimas semanas. As coisas começaram a fazer sentido e decidi logo passar dos quatro para os dois cafés (como era o meu habitual) e as outras duas melhorias serão tentativas nas quais me vou esforçar dedicadamente. Para já, vou de férias uma semana e depois entro logo nos 26 decidida a melhorar os hábitos de vida. (e por falar em 26, até estou entusiasmada e a combinar o meu jantar de aniversário!!)

Mas o bem-estar geral também se explica por ter entrado neste plano maluco com o R. Amanhã vou ter a Lisboa e depois seguimos pela costa para norte em descoberta da costa oeste menos conhecida. Ericeira, Nazaré, Obidos, Peniche, São Martinho do Porto, São Pedro de Moel e Figueira não me interessam muito (até porque visitei todos estes sítios com o DC e não quero revisitar já pelas lembranças que podem surgir), mas há uma série de praias, aldeiras e vilas menos conhecidas que interessa explorar. Sobretudo com o maluco do R. e de autocaravana. Estou muito entusiasmada para os dias que se seguem (como já não estava com alguma coisa há muito tempo!). Só Espero que o destino não me pregue nenhuma partida. Apesar de não sentir assim muitas saudades do R., sinto muitas saudades daquele verão de 2020 e daqueles 4 dias que partilhámos e que me souberam pelo ano inteiro. Raros são os dias em que não me lembro dessa mini-semana. Foi a surpresa daquele ano e teve um significado e impacto profundamente grandes em mim. Passados dois anos só quero voltar a sentir-me dessa forma e também voltar a receber aquele carinho do R. e ser tratada por ele naquele micro-clima da AC. Nunca passámos tanto tempo juntos e já não nos vemos há mais de um ano e meio mas amanhã lá nos vamos reencontrar. Yes, crazy!

E ontem voltei a estar com o DC depois de mais de duas semanas sem o ver. Estava um pouco receosa porque tenho estado muito bem e estar com ele podia-me abanar porque há sempre a potencialidade de a conversa ir para caminhos tortos. Mas surpreendentemente, eu ontem, pela primeira vez este ano e depois desta saga toda, não achei piada a estar com ele. Não me senti inteiramente bem nem senti as vibes de amor e química que tenho sentido sempre. Yup, algo se desvaneceu. Ao longo destas semanas o caos que era a minha cabeça foi-se compondo e as ideias assentaram em sítios mais arrumados. O fascínio do reencontro e das pazes foi diminuindo e regressaram as merdas que não curtia e que nos fizeram terminar. E isso é bom porque diminui a ideia de que seria bom voltarmos. Ontem, por exemplo, mandei mensagem a dizer que ia chegar um pouco atrasada e ele aproveitou logo para ir ter com a dita cuja e depois chegou ele bué atrasado. E o burro ainda me diz "só vou chegar a X hora, vim tomar café com a malta". Ele de inteligência emocional tem 0 e perspicácia para ler as emoções dos outros -50. E essa superficialidade e falta de empatia são das coisas que nos fizeram terminar a primeira vez e me levam a entender que não ia ser desta vez também. Era repetir um erro. Porque passaram dois anos mas isso não mudou e continua a não me servir. E, além disso, ontem na cama eu não estava nada no mood (que é raríssimo em mim) até que disse mesmo "esquece, hoje não dá" (coisa que nunca disse mas que tem o lado positivo de eu ter tido "a coragem" de ser honesta e naturalmente acabar com o momento). Portanto, o encontro de ontem teve para mim um saldo muito positivo no que toca ao assunto DC! Finalmente e com muita calma, volto à Ines que queria. Talvez a pouca meditação que fiz já tenha dado frutos. Anyway, esperam-se coisas boas!