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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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15 de Dezembro, 2019

A ti,

Inês

Tens dito que eu tenho andado estranha e afastada e tens razão. Penso que talvez não saibas o verdadeiro motivo. A partida do meu avô foi um momento de viragem para mim, sobretudo neste ano de mudanças e várias dificuldades. A tua ausência e falta de empatia para com o que se estava a passar foram, para mim, graves, tendo em conta o papel que temos na vida um de outro. Este foi o momento de não retorno. Foi aqui que percebi que essa falta de empatia foi comum a muitos outros momentos da nossa relação de três anos e meio. Muitas das nossas desavenças basearam-se nos mesmos temas o que significa que durante todo este tempo não nos conseguimos aproximar em aspetos que, pelo menos eu, considero essenciais. Temos discussões a mais e, para mim, as diferenças ultrapassaram aquilo que nos unia. Como sempre te disse, para mim uma relação de amor, de amizade ou até de outra natureza é uma sequência de acontecimentos e memórias, boas e más. É impossível esquecer e ignorar coisas que aconteceram. Está tudo ligado como num colar de pérolas. Sinto que essa falta de empatia liga, de facto, a maior parte das discussões que tivemos. Sinto que negligenciaste muitas das conversas que tivemos, não lhes deste importância. Penso que uma relação deve ser feita de compreensão e entendimento, de querer o bem um do outro. Faltaram coisas simples, sabes bem. Coisas muito simples que escolheste ignorar uma vez e outra e outra. Talvez não sejamos simplesmente os pares um do outro. Sei que there's no such thing as the one mas não podemos estar tão errados. Acho que também somos ambos maus a dar a volta à rotina e isso não ajuda, bem pelo contrário. Talvez seja assim porque em vez de namorarmos, estamos apenas habituados e conformados um com o outro. Não é isso que quero para mim. O que acontece é que nesta situação de estagnação e acumular de discussões o sentimento que eu tinha por ti perdeu-se. Sinto mesmo que é como se a nossa relação fosse uma ficha ligada à tomada. Íamos tropeçando nela e a ficha ia enfraquecendo mas o sentimento sempre a manteve ligada. Até que chegou ao ponto em que o tropeção, apesar de até não ter sido o mais forte, foi o suficiente para a ficha se desprender. Quase que de uma forma natural o sentimento que eu tinha por ti desapareceu. Estranho mas foi assim. Deixei de de ter vontade de falar contigo e de estar contigo. Perdi a esperança que alguma vez as coisas fossem diferentes. Perdi até o interesse em que isso acontecesse. No decorrer daquela semana em agosto, com tudo o que estava a acontecer e sem ti presente, de forma nenhuma, eu tomei consciência que realmente temos personalidades mesmo distantes e que nos momentos cruciais, não existia um "nós", apenas estava lá "eu". Apesar disso foi uma decisão pensada. Pensei muito. Uma relação de tanto tempo não termina só porque sim. Sei que sou impulsiva em muita coisa mas nisto não. Tudo isto que te digo nesta carta é apenas um desabafo e uma consciencialização do ponto de situação. Não quero que tomes isto como mais um apontar o dedo. Já não se trata disso. Mas se as coisas terminam é porque não estão bem e se não estão bem, devemos compreender o que correu mal. Serve como ponto de partida para fazer melhor no futuro.

Obrigada por todos os momentos bons.

Um beijinho grande,

Inês

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