Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

05 de Fevereiro, 2022

Blue

Inês

Este janeiro não tem sido particularmente positivo. Sobretudo estas últimas duas semanas. Em retrospetiva, apenas destaco o dia 21 de janeiro de 2022 como um dia muito agradável e ainda bem que o foi pois tratou-se do aniversário da minha mãe. Fez sessenta anos e apesar de todas as dificuldades dos últimos meses foi um dia feliz para ela. Fez um grande corte de cabelo e o jantar correu muito bem (e acreditem que isso é de valorizar!). À parte disso, as semanas têm andado bem mas talvez um pouco apáticas demais. Passo os dias no escritório a desejar que chegue às 18h para ir a correr para casa, vestir o pijama e enroscar-me com a minha gata no colo a ver o Big Brother. Chega à meia-noite adormeço, depois levanto-me e vou para a minha cama. Repito tudo no dia seguinte, com pitadas de ginásio três vezes por semana e uma grande preguiça a juntar tudo. Preguiça para ir às compras (e depois a alimentação é uma autêntica miséria), preguiça para lavar a loiça e arrumar, preguiça para tratar de assuntos e pôr a vida a andar para a frente.

Mas para a frente é exatamente para onde? Tenho sentido alguma dificuldade em entender isso. Não consigo ignorar o peso da minha idade: 25 anos. E o que mais valorizo hoje em dia é chegar a casa e brincar e trocar carinhos com a minha gata que é absolutamente o meu amor maior e sabe lá deus por quanto mais tempo serei sortuda por tê-la no meu colo. Pensar nisso dói-me e tenho pensado muito (também não sei muito bem porquê pois está tudo bem com ela). Tenho pensado em muita coisa pouco positiva. E tenho tido pesadelos. Um pesadelo em especial da semana passada não me sai da cabeça. Sonhei que eu, a minha mãe e a minha gata estávamos na cama no quarto (como sempre) e o nosso quarto era uma divisão de um avião e o avião caiu. Sonhei perfeitamente com a turbulência e com a queda em velocidade. Não acordei bruscamente com a queda. Não. No sonho sei que caímos, morremos e pessoas viam os nossos destroços e depois acordei de forma calma mas com uma sensação horrível e a lembrar-me claramente de todo o sonho. Importa dizer que nesse dia eu ia comprar bilhetes para ver o Harry Styles em Hamburgo na Alemanha. Um plano meio maluco mas (pensava eu) à minha medida. Quando acordei de manhã, ainda a pensar na estupidez de sonho, fui acordar a minha gata como habitual. Porém, nada habitual foi o facto de ela ter subido para a minha cama e se deitado nela em vez de andar a trás de mim como sempre até eu me ir embora. Ela raramente sobe para a minha cama e nunca o fez de manhã enquanto eu me arranjo. Quando ela o fez, nessa manhã, fiquei mais apreensiva. Vi ali o meu quarto, a minha cama e a minha gata. O quadro do meu pesadelo ao vivo e a cores. Depois à tarde conto à minha mãe estes episódios e ela diz-me que, curiosamente, o filme que está a dar na tv também é uma queda de avião. Bem, eu sei que são tudo coincidências mas, porra, o que é que vida me está a tentar dizer? Com isto, não comprei bilhetes nenhuns e estou um pouco apreensiva quanto a voltar a viajar e a sair de casa. Tenho que ultrapassar isto mas ainda não sei bem como. Depois voltei a ter outros pesadelos, também comigo a cair e aquela sensação mesmo angustiante, e também de a minha gata a morrer. E às vezes tenho dificuldade a adormecer e outras vezes acordo durante a noite. Mas, a pior sensação de todas, é sem dúvida a paralisia do sono. Há uns meses tive alguns episódios e estas semanas voltei a ter. Se há sensação horrível é essa. Acordar, querer mexer e não conseguir. Prefiro pesadelos a isso.

O que temos mais? A semana passou-se com a minha pálpebra a tremelicar diariamente e isto só me acontece quando guess what? stress. A última vez que tive assim uma fase do olho a tremer foi em 2019 quando mudei de casa e acabava a tese. E o meu período veio mais cedo uma semana também o que revela algum descontrolo hormonal. Bem, os sinais são claros. (só me falta começar ranger os dentes durante a noite para ter a trindade do stress em alta, e também as dores nas costas, porque os pêlos encravados já tenho). A única coisa que não é clara é a origem. Lá no escritório, o trabalho anda ok. Não há muito trabalho e o que há faz-se de forma tranquila. A única coisa que me stressou acima da média foi a minha coleguinha de gabinete: a Luisa. Eu tenho um carinho muito especial por ela, porém, ela tem de facto a capacidade de me stressar. E a razão é absolutamente estúpida mas é real: o puto do ar condicionado. Ora liga, ora desliga, ora abre a janela com o AC ligado, ora está frio, ora está calor, ora não consegue respirar, ora temos que arejar de manhã e ao longo dia dia por 5min por causa dos covids... Houve dias em que eram 10 da manhã e eu já não a podia ouvir! Só tinha dois temas de conversa (ou monólogo): covid ou AC. Admito que me deixou mesmo fdd vários dias, fechei a cara e só respiarava fundo para não lhe responder. Até que ela começou com uma conversa super fora sobre como eu estava a mudar e não precisava de mudar para as pessoas me levarem a sério na empresa e que as pessoas o que gostavam de mim era o facto de ser "menina" sempre a sorrir, etc. Enfim! O que a Luísa não entende é que a cara esteve fechada para ela porque eu canso-me das pessoas (how surprising) e especificamente cansei-me muito de a ouvir e preciso do meu espaço. Calei-me para não a perturbar porque sei que ela tem que lidar com as ansiedades dela e sofre menos se a puta da janela que está nas minhas costas estiver aberta. Deixa-me desconfortável mas aguento para que ela fique um pouco mais confortável mas exigir-me que continue alegre e contente é demais. E isso a Luísa não percebeu. Porque está tão focada nela própria e nos medos dela e nas ansiedades dela que não sabe ler os outros. Mas enfim. Isso já passou e esta semana foi deveras melhor. Stressei menos (a janela também abriu-se menos) e conversamos melhor entre as três do gabinete.

Mas enfim, além desta mini-série, não encontro mais motivos para stress. No geral, acho que a vida tem-me parecido mais blue. As noites custam mais a passar. Adormecer sozinha na cama e sentir todos os pensamentos a vir... Os pensamentos maus, tristes, nostálgicos. E deixou de ser exclusivo do domingo. É noutros dias e noites. Noites a mais. Talvez sinta alguma solidão. Pensar em todos momentos que estão para vir em que vou sentir tristeza. Pensar nos dias em que vou ficar sem mãe, sem gata, sem pai e sem irmão. Todas as notícias tristes que estou para receber. Pensar nos medos muito sublimes que estão a teimar em aparecer. Dormir nos braços de alguém custa menos. Vejam bem que o Lid enviou-me mensagem para combinarmos algo esta semana e nem lhe respondi! É a primeira vez que trocamos mensagens com o objetivo de planear algo e eu atraso o plano e nem sinto aquela ânsia de ir. Tenho que lhe dizer para combinarmos esta semana. Pode ser que uma noite com ele afaste os pesadelos e ajude a virar a página.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.