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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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03 de Novembro, 2020

Carta de Demissão em tempos... Difíceis.

Inês

A maioria das pessoas achará absurdo demitir-se em 2020. Pois bem, eu hoje escrevi a carta e amanhã irei entregá-la aos RH da empresa onde trabalho.

Tinha definido mudar de emprego em 2020 e a Covid-19 atrasou-me. Vim de férias e decidi mandar-me para o mercado. Já sabia que era arriscado. Mandei-me na mesma. Avizinham-se tempos economicamente difíceis, bem sei. Uma crise de saúde pública e uma crise económica. Um cenário nada apelativo. E mesmo assim arriscas, Inês? Arrisco. Tenho muita coisa contra, mas tenho me a mim própria a favor.

Mandei 60 CVs. Só duas empresas me contactaram de volta e uma recrutadora. A primeira empresa entrevistou-me e não me escolheu. A segunda sim. Fizeram-me uma proposta, negociei e consegui os valores que pretendia. A batata quente passou para mim e tive o fim-de-semana para decidir. Disse-me ele, "Inês, então tiveste exatamente aquilo que procuravas!" e eu, que andava à procura de desculpas para desvalorizar o que estava à minha frente, pensei "é mesmo isso". E pronto, ontem falei com o meu chefe, hoje falei com o outro chefe e amanhã entregarei a carta de demissão. Estranho dizer isto. Mais estranho é fazê-lo. Passei aqui 3 anos. Os meus chefes foram incríveis. Acho até bonito o discurso que tiveram para comigo. O chefe máximo disse que compreendia a minha necessidade de evoluir e que tinha capacidades para ter grandes cargos. Vou deixar ali em baixo algumas das coisas que ele me disse para mais tarde recordar.

O risco efetivamente existe e tenho consciência disso. Porém, a sorte protege os audazes, e estava no limbo de me acomodar numa realidade que não quero para toda a minha vida. Esta foi a minha primeira casa profissional e este foi realmente um sítio muito bom para aprender como é que se trabalha. Além disto, há todo um universo de oportunidades. Viveria frustrada e arrependida por não tentar, mesmo que corra mal. Prefiro sempre tentar e arriscar do que o contrário. E, no geral, a vida não me tem falhado naquilo que são as minhas decisões. Às vezes, precisamos de provar a nós próprios que somos capazes de dar o passo. Neste momento, acho isso mais importante até do que o que vou encontrar. Ter a coragem de sair de um sítio que já consideramos como casa.

Está a considerar ou já tomou a decisão? - A decisão está tomada. - Ok. Gostou de estar aqui? Para começar é inteligente e isso é metade do caminho. Falta-lhe firmeza, não a via na área de Recursos Humanos. Economia sim, sei que tem gosto pela análise de dados. Entendo perfeitamente a sua vontade de querer passar por diversas empresas, é inteligente da sua parte, só assim crescemos. Fico com pena de a perder. Faz aqui um bom trabalho. Reconheço que a progressão nesta empresa é difícil e demorada. Não temos uma hierarquia vertical que possibilite a progressão. Eu via a Inês, dentro de 10 anos talvez, a evoluir para Gestão de Produto. Obrigada eu por tudo Inês.