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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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19 de Agosto, 2021

Cenas #2

Inês

Esta semana foi difícil de gerir a nível emocional. Tendo em conta que, como já disse, foi semana pós-férias mas não de regresso ao trabalho, senti uma diferença súbita entre a aventura com as amigas e o voltar a casa. Apesar de terem sido apenas oito dias, foram oito dias intensos.

A juntar a isto, o L. declinou uma booty call e quando lhe perguntei o que tinha mudado (no tom mais informal e depreendido possível, porque não quero de todo que seja uma questão difícil até porque somos só fuck buddies e o fim iria chegar eventualmente), não respondeu e disse que ligava para conversarmos e depois não ligou. Diz que aparece e não aparece, diz que liga e não liga, lê as mensagens e não responde. Isto é L. a ser L. Eu já o conheço. No entanto, não posso deixar de achar que é uma grande falta de consideração porque acima de friends with benefits, somos friends e não nos devíamos esquecer disso. Já lá vão oito anos. E, para lá das booty calls, eu gosto de saber como ele vai e o que lhe vai acontencendo na vida. Porém, já sei que ele é de luas e portanto já esperava que mais tarde ou mais cedo ele desaparecesse do mapa. Mas custou um bocadinho mais esta semana. No pior cenário, ele voltou para a ex ou arranjou uma nova namorada. Já me mentalizei para ambas para assim ser mais fácil. Porém, preferia que continuasse tudo como há uns meses. Mas sabia que iria terminar. Aliás, já esperava há muito tempo e sempre vi esta reaproximação como uma grande sorte da vida. Sorte não no sentido que eu sou sortuda por ele ter voltado à minha vida mas porque, volvidos oito anos e tanta coisa que se passou e que não se passou, a vida é engraçada, dá voltas e voltas, e acabamos por ter tido o nosso cantinho de paraíso (qual cliché). Fosse apenas um encontro e eu já era feliz. Mas até foram quatro pelo que não posso pedir mais (tudo isto não passam de meros desbafos).

Há cerca de três semanas o DC finalmente ganhou coragem e fez-me um ultimato. Quer mais, e portanto, ou avançamos para o próximo passo ou ele segue a vida dele. Entendo perfeitamente. Sentia que me estava a aproveitar do facto de ele se sentir sozinho e de se conformar com o estado da nossa relação em que claramente não estamos em sintonia. Na verdade não tenho resposta para lhe dar. Eu sinto que até fui muito honesta com ele no sentido em que lhe disse que eu queria avançar e sentir mais coisas mas não é um botão que se liga e que portanto não conseguia. Se eu pudesse escolher, escolhia amá-lo e querer muito estar com ele e com mais ninguém. Era tudo muito mais fácil se assim fosse. Mas não sinto e sei que é injusto para ele. Sou tipo um io-io, ora estou lá em cima de apaixonada ou estou nem aí. E já estou nem aí há muito tempo e sei que é ingrato para quem está lá sempre. E, de qualquer forma, avançar para que fase? O mais natural seria irmos viver juntos mas eu não vou fazer isso nesta fase da minha vida. Já quis muitíssimo e agora quero zero. Quero estar em casa onde sou precisa e me sinto bem. Portanto, avançar para onde? Com ele não há caminho por onde avançar. Depois, também esta semana, ele envia-me uma mensagem a dizer que vai candidatar-se a um emprego noutra cidade (bastante longe até). É o emprego de sonho dele e abriu uma vaga. Naturalmente vai tentar e acho muito bem. Talvez este acontecimento seja um caminho a seguir ou pelo menos um evento que obriga algo a acontecer, decisões a tomar, sentimentos a mudar. Eu também não sinto muito nesta relação porque claramente ele está sempre lá, está completamente garantido para mim (e isto foi um dos grandes motivos por termos terminado a primeira relação). Ou seja, agora eu dou a provar do veneno que outrora já me matou. Mas eu até o incentivo a conhecer outras raparigas e puxo o máximo possível pelo conceito relação aberta, apesar de nunca ter sido bem sucedida a convencê-lo. Agora pode ser que ele efetivamente mude de vida e isso lhe traga outras coisas, talvez outras raparigas, e ou acabemos de vez ou eu me apaixone de vez (quem sabe). Porém, há coisas com as quais não consigo mesmo lidar e em ano e meio de tentativa nada mudou na minha perspectiva. Não quero lidar com a família dele, continuo sem paciência para muitas merdas da personalidade dele e não me conformo com a sex life que temos (ou que não temos). Enfim. Talvez seja demasiado exigente comigo própria e com o que está disponível. Talvez o amor não seja para mim, assim, na forma de relações duradouras como as conhecemos. Mas isto leva-me a outro ponto sobre o qual tenho pensado muito.

Durante os últimos dois anos construí-me numa mulher emocionalmente independente e autónoma que é algo que adoro e não me vejo a deixar para trás. Na minha cabeça, entrar numa relação é deixar isto para trás. É dar espaço a expectativas, cedências e desilusões. A espaço e tempo que é só meu e deixa de o ser. Então, neste momento, não estou de facto pronta para uma nova relação. Quando estarei? Alguma vez estarei? Quero, sequer? Depois penso que tenho 25 anos. Já tenho 25 anos. Nunca me pesou mas há umas semanas (fucking aniversário) comecei a sentir uma pressão estranha em arranjar alguém. Em sentir que tinha que arranjar alguém, que era uma inevitabilidade da vida e que estava a adiar um processo que só se tornaria cada vez mais difícil. E isto entrou em choque frontal com a minha construção de mulher independente, autónoma e emocionalmente autosustentável que não precisa de ninguém em específico. Fico sem perceber o que fazer nesta encruzilhada.

E de repente vejo todos os boys da minha vida a enlaçarem-se. O Tay que foi fuckboy em Erasmus arranjou finalmente uma girlfriend ao fim seis anos. O L. está nesta merda de não responder e declinar convites. E o DC ganhou tomates para me encostar à parede. E eu não faço puta ideia o que fazer. Se eu quisesse contruir vida era com o DC, mas não sinto o chamamento, a atração, o amor. Precisava que me aparecesse um gajo novo na minha vida que me apaixonasse em, não todos, mas pelo menos os principais sentidos da vida. Alguém que não seja do passado, que me traga desafios novos, famílias novas, amigos novos, ambientes diferentes. Mas vejo-me a caminhar cada vez mais para aquelas situações que oiço e leio de mulheres com os seus 30's que dizem que se habituaram tanto a viver sozinhas e estar bem sozinhas que estão demasiado fechadas para se apaixonarem. Eu serei uma dessas (se já não o for!). É que eu adoro-me muito mais agora estando livre do que quando namorava. Adoro o tempo todo para mim, não ter aqueles planos sistemáticos de namorados, não esperar nada de ninguém, não pensar nas datas que se devem celebrar a dois, etc, etc. Eu só vejo vantagens porque de facto talvez a minha personalidade não se coaduna com a de estar numa relação. E pensar em ter filhos? Bem, isso dá uma tese que fica para outro post.