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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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18 de Dezembro, 2020

Desaponto

Inês

Há alturas em que fico meia desiludida comigo mesma.

O fim do ano é uma época fulcral no meu trabalho pois novembro e dezembro são meses em que o comércio triplica e, como consequência, triplica também todo o trabalho no mundo da Logística e dos Transportes. Há três anos que passo os natais neste mundo. O primeiro natal foi de aprendizagem de tudo, não só da logística em específico mas a novidade do mundo do trabalho em si. Tinha muito poucas responsabilidades. Entrei em outubro pelo que não me foi passado quase nada nesse natal. No ano seguinte, foi o verdadeiro primeiro. Esse natal foi uma autêntica miséria. Atrasos e extravios todos os dias. Percebi que é relativamente normal o acréscimo de incidentes nesta época. As origens são fundamentalmente duas: black friday e natal. O negócio aumenta, as entregas também e as infraestruturas que serviram durante um ano inteiro cedem perante o tsunami de encomendas a circular. Apesar de as empresas do meio contrarem mais estafetas e aumentarem a frota, não é suficiente. Este é o meu terceiro natal e julguei que seria mais controlado. Mas não, porque... covid.

Em ano de pandemia, as vendas online triplicaram ou até quadriplicaram. As pessoas compram muito menos em loja física tanto pela prevenção em relação ao covid como porque as lojas estão com horários restritos o que contribui ainda mais para as pessoas comprarem na net. Ora, tudo o que compramos online chega-nos a casa através de um estafeta. Quando muita gente compra online, é preciso muitos mais estafetas e armazéns para possibilitarem que essa encomenda seja expedida de um determinado vendedor e chega atá à nossa porta. Paralelamente, entregar numa loja (comércio tradicional) é muito mais fácil do que entregar num particular. Ora vejamos: a loja está aberta todo dia num centro urbano. Um particular pode estar em casa ou pode não estar e pode viver em zonas mais afastadas dos centros (já para não mencionar que podem mesmo viver em zonas rurais o que obriga um desgraçado de um estafeta a fazer kms e kms para entregar uma pequena caixa). Ou seja, há muito maior probabilidade de o cliente estar ausente, de não ouvir a campainha, de demorar mais a fazer a receção da encomenda, etc, etc, etc. Entregas em particulares são mais complexas, mais demoradas e mais sujeitas a não ser bem sucedidas. Cada encomenda que não é entregue num dia, é espaço ocupado no armazém para no dia seguinte voltar a entrar na carrinha e seguir na mesma rota. Duplicação de custos e diminuição da capacidade para todas as encomendas que entram no dia seguinte, diariamente. It's a pain in the ass, that's what it is.

Como dizia, este é o meu terceiro natal e apesar de já em novembro, mês de black friday, terem começado as incidências diárias e de começar o meu treino diário de as monitorizar, sinto que falhei na mesma porque na prática não fui capaz de tomar uma decisão. Deixei os problemas acumularem-se convencida de que o próximo dia seria sempre melhor. Foi preciso outra pessoa chegar-se à frente e decidir para eu concordar. A decisão tinha que ser minha e eu não me preveni convenientemente. Sei que a alternativa não iria solucionar a 100%, mas teria evitado toda a falta de informação e extravios que temos à data de hoje. Isto é, nós trabalhamos com dois parceiros ao longo do ano, e eu sei de antemão que um deles tem um serviço de maior confiança do que o outro. Mas na minha ideia apesar dos problemas, teríamos que nos manter com os dois. Poré, hoje reflito e penso que isto foi exatamente o que aconteceu o ano passado: chegou a um ponto tão crítico que passamos a enviar tudo por um único parceiro, o de maior confiança. Se eu me tivesse sentado calmamente e pensado sobre este cenário com cabeça, teria chegado à mesma conclusão há semanas atrás. Quanto mais cedo, menos maus eram os meus dias e os de todos na organização. Protelei uma decisão na expectativa ingénua de essa decisão não ser necessária. Sendo o terceiro natal, sinto-me um fracasso. Não deveria ter sido precido tanto para perceber o obvio. Por outro lado, este ano foi distintamente absurdo em relação a todos os outros. Excedeu todas as expectativas criadas a nível de negócio e fluxo de encomendas pelo que eu não poderia prever o quão problemático se tornaria. Porém, e apesar de compreender todas as justificações que me dão para as entregas falhadas, a essência do meu trabalho é o sucesso do negócio do qual faço parte e tomar todas as decisões que o protejam. Pelo que, neste último ponto, sinto que falhei.