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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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15 de Janeiro, 2021

"Detetado"

Inês

Nos primeiros dias de 2021, escrevi acerca dos feitos de 2020. Um dos pontos era "não apanhei covid". Bem, neste momento não consigo precisar se isso é verdade. Se não é, foi por pouco. No fim-de-semana passado tudo mudou. Uma pessoa conhecida deu positivo e alertou-me logo "Inês, vai fazer o teste, secalhar não estás só constipada". A partir daqui, foi um verdadeiro filme.

Tudo começou quando eu nos primeiros dias de 2021 me senti doente, com a garganta inflamada e sinais de constipação. Just checking, questionei as pessoas com quem tinha estado se estava tudo ok e a resposta foi a pior que se pode receber nos dias de hoje "dores no corpo e também estou constipada". Ora, bolas. O pesadelo de 2020 a atormentar 2021. No dia seguinte a minha mãe não se levanta da cama devido a uma fraqueza inexplicável e passa o dia a vomitar. Aqui o meu cérebro vai em todas as direções. O surgimento de vómitos faz-me excluir quase por completo a palavra "covid". Porém, fico alerta. Passam os dias, tudo melhora menos a pessoa conhecida que no fim-de-semana se farta da incerteza e vai fazer o teste. Detetado. Fds. Aqui caímos numa realidade nova. Andamos a semana toda na incerteza, a fazer a vida "normal" e afinal o pior cenário concretiza-se. Isolo-me e marco o teste. O resultado demorou as fucking 24 horas a chegar e é apenas um cruel "Detetado". Aqui cai-me a ficha e fico incrédula por passar a tornar-me parte das estatísticas pelo pior motivo. A minha mãe dizia "Inês, não vai ser nada. Tu tens sorte. Vai dar negativo". Até que o conceito de sorte passa a ser estarmos positivos mas estarmos bem.

É inevitável pensar na origem de tudo isto. Se podia ter tido mais cuidado? Certamente. Prova disso é que apanhei o bicho. Se há muita gente a ter muito menos cuidado e não o apanha? Também. Mas isso pouco interessa. Havia meia dúzia de pessoas no mundo com quem eu baixava a guarda e não foi preciso ir mais longe do que essas pessoas para ficar cercada. Porém, analisados os timings do vírus, sintomas, etc. nem sequer conseguimos precisar com certeza como é apanhei o bicho.

Na verdade, dado o teste positivo, a origem pouco interessa. O que mais me interessa é o que acontece daqui para a frente. Estou isolada numa divisão da casa. Os que vivem comigo esão negativos. Até ver, está tudo benzinho.

Só tenho tosse, falta de olfato e sinto peso na consciência por, por minha responsabilidade, algumas vidas estarem tão limitadas. Umas quantas pessoas estão em isolamento e assim terão que continuar durante 14 dias. Não há forma de contornar isso e parece-me, até ao momento, a consequênca mais grave desta situação. Terei que as compensar de outra forma, no futuro.

Quanto à minha participação nesta pandemina, ficarei satisfeita se se resumir a isto. O pior é imaginar que fui um veículo de transmissão durante os dias em que desconhecia o meu estado. O pior é se os que me são próximos e mais frágeis sofrem consequências graves por um bicho que eu trouxe.

Podia acontecer a qualquer um, é certo. Mas acontecendo connosco, as coisas batem de outra forma. Eu represento a essência da expressão "não acontece só aos outros", quando quase na totalidade das situações eu achava que sim.