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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

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19 de Janeiro, 2020

Esther Perel

Inês

Esther Perel fala do papel dos contracetivos no casamento (aka relações de longa duração) e no Amor no geral. Fala como os contracetivos permitiram à mulher separar o sexo da reprodução/filhos e, portanto, como isso abriu a porta para que as mulheres materializassem-se os seus "amores" sem as consequências negativas e escondidas dos olhos da sociedade. Isto acontece e o conceito de casamento altera-se. Até há duas ou três gerações o casamento era entendido como um conjunto de interesses, um conceito social e institucional, em que a mulher era mãe e dona de casa e o homem era o trabalhador e o seguro económico da família. À mulher não era "permitido" sentir amor ou prazer. Não se lhe viam essas necessidade. Ao homem, tais "necessidades" eram previstas e este tinha a liberdade social de as satisfazer. Amor? Acredito pouco. A partir do momento em que se vulgarizou a utilização dos contraceptivos, a ideia de casamento sofreu uma transformação. Tornou-se romântica. Passa a incluir o amor e a ideia de traição. Passa a incluir a obrigatoriedade de fidelidade a ambos: homem e mulher. O que antes era proibido apenas a um (mulher) passa a ser proibido aos dois aos olhos da sociedade.

Acho que isto é importante. É importante compreender de onde viemos e que a história e a sociedade, como a conhecemos, se modificou substacionalmente ao longo do tempo. O casamento como o perceicionamos é novo no todo que é a história da sociedade. Assim sendo, porquê que o consideramos tão correto?

Será natural, no conceito mais cru da vivência do ser humano, eleger uma pessoa e amá-la durante uma vida inteira?

Cada vez há mais divórcios e diz-se que hoje "é tudo discartável, desistem rápido estas gerações, antigamente resolviam-se os problemas, não se desistia". Desistir? Insistir no erro? Hoje em dia temos liberdade para seguir em frente e mudar de direção. Como Esther Perel também diz "we use to divorce because we were unhappy; now we divorce because we can be happier". Quão errado é isso? Ok. Tentar, claro. Até porque desistir à primeira/segunda seria um desperídicio de todo o tempo investido. Tentar por várias metodologias. Não funcionando, mudar. Sim, claro. Esther Perel diz também que isto acontece porque as gerações anteriores, regradas por ideias religiosos, viam o conceito de "felicidade" como algo celestial reservado para o pós vida terrena e aqui na Terra apenas consideravam que deviam ter uma vida de sacríficio. Hoje em dia esses príncipios já lá vão. Não damos nada de garantido além desta vida que vivemos. A felicidade é para ser experimentada aqui e temos um medo terrível de deixar escapar essa ponta de felicidade. FOMO (fear of missing out) da felicidade da vida. Queremos tanto.

A esperança média de vida é cada vez mais longa. Somos "obrigados" a viver com a mesma coisa cada vez mais anos. Também fazemos essa seleção cada vez mais tarde, é certo. Será "natural" ao ser humano viver happily com a mesma pessoa durante 50 anos? And I mean, happily. Eu sei que é possível viver com a mesma pessoa todos esses anos ou mais ainda mas de forma livre, querida e equilibrada? Além disso, é possível fazê-lo apenas com essa pessoa? O que é a traição? É possível focarmo-nos numa só pessoa e estarmos happily com essa pessoa durante tanto tempo? Dan Savage dizia que a fidelidade é a única "modalidade" em que se erras uma vez, falhaste a 100%. Se tanto se apela que o sexo não é o mais importante, porquê que se dá uma importância desmedida ao contacto sexual? Porquê que é tão intolerável? Porquê que ficamos tão ofendidos se o nosso companheiro mostrasse interesse em estar com outra pessoa? Porquê que temos todos estas ideias tão afincadas no nosso cérebro? Talvez esteja tudo errado. Talvez seja contranatura escolher uma pessoa e prometer-lhe amor e fidelidade incondicionais e eternos. Talvez estejamos todos formatados com o software errado. Seria só mais um bug que, neste caso, causa desgosto, desamor e desilusão a toda a gente. Talvez estejamos a partir de um ponto de partida deficiente, todos, homens e mulheres. Não há casamento que dure e, se dura, raros serão aqueles que perduram no bem.

Também eu já senti, num momento, que gostava tanto de uma pessoa que iria casar com ela. E isso para mim era tudo. Sentia-me tão bem que achava que só iria querer aquilo para o resto da minha vida. Que tinha encontrado "a pessoa", e mesmo não sendo perfeita, o meu interesse estava todo concentrado nela. Mas isso foi só uma passagem, um momento, uma fase da vida (e da relação). As relações são feitas de altos e baixos e esse era um alto claramente. Apesar de o sentir verdadeiramente nesse alto, também senti verdadeiramente noutros momentos que não conseguiria viver com esta mesma pessoa para o resto da minha vida. Na verdade, e mesmo gostando dele, pensar que nunca mais conheceria ninguém (do ponto de vista amoroso) na vida assustava-me. Quão errado é pensar assim?