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Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

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16 de Novembro, 2022

Ladeira abaixo

Inês

Em textos anteriores escrevia que, eu sendo pessimista, estava só à espera de quando esta relação ia falhar. Demorou quatro meses (o que por si só é uma grande vitória) e não falhou assim tanto mas sim o suficiente para me levar naquela montanha-russa de emoções negativas. Fui reler os textos neste blog para tentar encontrar onde é que isto começou a mudar. Efetivamente os últimos posts vêm numa sequência talvez um pouco desvairada. Ora estou bem, ora tenho que me manter à tona, ora tenho que conhecer pessoas novas, ora tenho conversas mais profundas com o R, ora tenho inveja dele. Ainda não sei bem como mas desentendemo-nos neste último fim-de-semana. E desentendimentos por telefone, quando não podes estar fisicamente com a pessoa, é a maior merda. O meu sistema nervoso afundou-se no lodo. E o motivo do discórdia nem é claro mas, segundo entendo, o R foi ficando magoado pelas minhas partilhas no sentido de conhecer outras pessoas e talvez arranjar um namorado. Passou a achar que eu só estava com ele porque não tinha outra pessoa. PORÉM, ele é que estava constantemente a incentivar-me a falar com este e com aquele, e a mandar mensagem e a "aproveitar a vida". E eu até fui conhecer pessoas e recebia logo as mensagens dele, "então gostaste, houve química, interessa-te?". E a insistência dele em eu contar-lhe todas as minhas interações... Again, vejo isto de um ponto de vista carinhoso mas o facto de se questionar insistentemente, causa pressão. E eu senti essa pressão. E depois o ciclone de ideias de merda que não abandonam "já tens 26 anos, está tudo a namorar e a começar a vida, o que vai ser de ti, os teus ex-namorados já têm namoradas, só tu é que não, o que há de errado, inês, o R. volta sempre para uma cama ocupada, tu não". Sim, fui mesmo ladeira abaixo. Depois, e num fim-de-semana em que não tínhamos combinado nada e ele sabia que eu tinha planos, mandou-me mensagem sexta de manhã a dizer que ia passar o sábado e domingo fora, e se eu queria ir ter com ele. Ora, ele já sabia que eu não podia então não fui e obviamente achei que ele só me convidou para ficar bem e "não mentir" e que já tinha um plano qualquer com outra pessoa. Mandei uma piada nesse sentido e ele não gostou. Mudou a forma de falar comigo e eu desejei nunca ter dito nada. De repente, estamos ambos magoados porque ele acha que não gosto assim tanto dele como ele gosta de mim, que já se arriscou muito porque quer estar comigo e duvida dos meus sentimentos porque parece que eu "estou perdida e só quero alguém, nem sei quem, só alguém"; e eu estou triste porque a coisa que eu mais quero é estar só com ele porque é dele que eu gosto. E nem queria conhecer pessoas. Só o fiz porque estou apaixonada por uma pessoa comprometida que vive a 300kms de distância e claro que isto ia dar merda. E de repente, voltei à inês de 21 anos que vivia a relação em ansiedade, a olhar de minuto a minuto para o telemóvel e a subir paredes por não conseguir resolver a questão na hora. De repente, esta é a pior dinâmica de sempre porque a pessoa com quem eu me quero esclarecer está a meio país de distância e tem o resto do mês tapado com trabalhos. De repente, sinto que o R já não olha para mim da mesma forma e sinto que fiz algo de errado e nem sei bem o quê porque só queria lidar com as coisas com naturalidade. De repente, deixo de me lembrar como esta relação era boa e simples, aquele amor tranquilo que só acrescenta e não conhecia lágrimas. E era apenas suficiente para mim. De repente, tenho um ciclone de nuvens cinzentas dentro da cabeça e a minha vida é ele, ele, ele. E isto nem sequer é saudável, nem eu queria voltar aqui. Só quero voltar a sentir-me leve e tranquila. A ter aquela atitude desapegada de quem só obtém coisas boas numa relação a dois. E então olho para o calendário e sei que estou na pior fase do ciclo e que esta nuvem negra não sou eu, é o ciclo, mas os pensamentos e emoções são tão negativos que isso não é suficiente para acalmar a mente.