Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

10 de Março, 2021

little mess

Inês

Como sabem no que toca a assuntos romanticó-intimos, I'm a little mess. Em 2019 terminei uma relação de três anos e meio e foi, sem qualquer sombra de dúvidas, uma decisão acertada. Na altura, tremi muito. Eu própria estava desconfiada de mim mesma e sentia-me a caminhar ao lado de um abismo como se a qualquer momento fosse cair num mar de tristeza e solidão. O teste para mim era perceber se eu ficaria bem sozinha porque durante os anos de relação eu fui a parte "fraca", a que andava mais atrás, a mais dependente. Durante muito tempo pensei que nunca conseguiria terminar com ele e que, se por acaso isso acontecesse, eu teria que mudar de vida, de cidade, de trabalho, de país até, para suportar porque achava mesmo que emocionalmente era fraca. Não era nenhum caco mas a realidade era esta e as palavras são para serem usadas. Eu estava errada, sei isso perfeitamente, mas era a primeira relação and I didn't know any better. Sinto que todos à minha volta tinham o mesmo feeling. Não ajudava eu tremer de cada vez que falava nele. É difícil dizer que estamos bem se a nossa voz treme. Mas eu senti-me bem, segura com a minha decisão, apesar de ser algo novo para mim. O tempo foi passando e eu nunca caí, bem pelo contrário. Sei que isso também surpreendeu as pessoas e foi aí que eu notei o quanto cresci e evolui enquanto pessoa individual, enquanto Inês. Por isso, entendo hoje, que o tempo é mesmo a chave para curar muitas feridas emocionais.

Ao fim dos tais três meses, tive que o encontrar porque havia algo combinado já há muito tempo e nenhum dos dois quis desmarcar (a história engraçada é que três meses depois da separação fomos os dois sozinhos fazer uma viagem a Barcelona, passagem de ano, o aniversário dele, muito crazy eu sei, living on the edge). Fui e ainda me lembro do nervosismo ao vê-lo pela primeira vez em tanto tempo (eu sou uma pessoa nervosa em momentos sociais estranhos, portanto no news here). Os dias em Barcelona foram perfeitos e decidimos vivê-los como duas pessoas completamente apaixonadas. Em três meses, não tive ninguém e sentia a falta de uma presença masculina na minha vida, do afeto, dos carinhos, da parte física. No último dia decidiríamos o que fazer em relação ao futuro. A chama que se tinha apagado, reacendeu-se em força. Eu não queria voltar a namorar mas gostei daqueles dias, não o posso negar. Decidimos voltar a tentar algum certo tipo de relação, em segredo (damage control). O D. tem que dar nomes às coisas então chama-lhe relação aberta porque somos mais que friends with benefits mas menos que namorados. Eu não lhe daria nome nenhum.

2020 passou. Ali para o meio do ano eu esfriei e disse-lhe que já não fazia sentido continuar o que quer que seja que tivessemos. Ele não desistiu e disse que seria o que eu quisesse, que queria manter algo. Um bocado unfair mas eu fui totalmente honesta portanto decidimos ser o plano B um do outro. Ali Agosto foi incrivelmente bom e houve mais umas quantas passagens porreiras pelo que andamos nestas andanças até hoje. Ele é a pessoa com a qual eu mais me veria a partilhar uma casa, sim é. É uma pessoa com quem eu passo bons momentos, com quem posso estar 100% confortável, com quem já partilhei muita coisa, é certo. Sim sei isso. Porém há uma parte de mim, que é igualmente importante, que sabe perfeitamente que não quer lidar, de todo, com certas coisas dele que eu sei que estão lá. As pessoas mudam e a postura dele mudou, sem dúvida. A dinâmica da nossa relação inverteu-se, sem dúvida. Antes eu era a parte mais dependente, agora é ele e ambos sabemos. Ele conhece todas as minhas dúvidas acerca disto do amor, do "casamento", das relações, ele sabe que não me encaixo nem sequer procuro me encaixar. Que mantivemos isto na sombra por minha imposição porque... É muito melhor assim, não há compromisso estabelecido, não há deveres sociais, não tenho que lidar com a família dele, não tenho que ir a casa dele, não tenho que estar com os amigos dele, estou com ele quando eu quero e até onde eu quiser. Nem sequer temos que falar todos os dias, melhor ainda, não temos que ser exclusivos. E isto para mim é perfeito. Passou um ano inteiro e não discutimos uma única vez. E isso aconteceu porque eu não estou nessa onda, não me importo o suficiente para me chatear com o que quer que seja. E é aqui que os meus pensamentos voam para outro lado.

Ter terminado com o D. foi realmente a melhor decisão e isto nunca deixou de estar nítido. Nesse momento a tomada desligou-se (aka o amor acabou) e isso deu-me autonomia, independência, força, controlo sobre mim própria e as minhas emoções, segurança. Desapego. Parecem palavras bonitas mas foi mesmo isto que aconteceu. A arte de sermos desapegados às coisas, às pessoas, ao passado e ao futuro é linda de se aprender e traz-nos a tranquilidade que é um bem tão essencial e que eu não quero de forma nenhuma perder. Esse corte, essa falta de sentimento trouxe-me então o desapego e admito que apesar de passar muito bons momentos com ele e de até me visualizar a viver com ele e partilhar ainda muitas coisas com ele, não consigo definir qual o meu sentimento perante ele, quanto disto é amor. O desapego é sinónimo de falta de amor? Ser desapegada, não me importar tanto, significa que não é um sentimento tão cheio? Eu não sei.

Quando eu namorava, percebi que o amor era aquela química, aquele fluído de sensações num abraço, o dormir com a pessoa, acordar durante a noite e senti-la lá, essa sensação de felicidade, conforto e paixão a circular. Sim, se eu tivesse que definir o amor era nesses momentos que o encontrava.

Hoje em dia não sinto as coisas assim de forma tão intensa. O abraço já não tem tantos quimícos a fluir e dormir juntos é bom, claro, mas não tão bom como outrora. Isto quer dizer que sendo desapegada já não o amo tanto? Para o amar mais teria que me apegar novamente? Se é uma escolha eu vou ter que escolher o desapego. Não o troco por nada mais.

E, então, andamos meio em sintonias disferentes, apesar de eu ser totalmente honesta, às vezes até sinto que sou meia cruel e egoísta porque sei que há outras coisas que ele gostava de ouvir, mas não me importo de dizer simplesmente a verdade.

Enquanto eu ando a procurar campervans para comprar e cumprir o meu sonho de 2020, ele recebe alertas de T1s e envia-me a perguntar a minha opinião. Porque em alguns meses, na cabeça dele estamos a viver juntos. E isto é um berbicacho que eu tenho chutado para canto mas que, mais cedo ou mais tarde, terei que encarar. Não é que eu tenha alimentado falsas esperanças, não é isso. Só que na mesma medida em que lhe digo que até me via a vivermos juntos e que isso poderá acontecer, também lhe digo que o meu plano é acima de tudo sair de casa, deixar de viver com a famelga e até lhe disse que ele seria a solução fácil para isso e, estando consciente disso, que o meu subconsciente o poderia usar. É muito mais fácil dizer que saio de casa porque vou viver com ele do que dizer que saio de casa e vou viver sozinha, ninguém irá compreender. Vão me achar egoísta, já prevejo. A cena é que efetivamente eu quero viver sozinha, quero ter essa experiência, a liberdade, a privacidade. Tenho 24 anos, quero ter esse momento nem que seja só por uns meses. Viver com o D. pode acontecer uns meses depois, um ano depois. Se for para acontecer teremos a vida toda. Mas viver sozinha? That shit is harder. É mais fácil viver sozinha, arrepender-me e juntar-me do que o contrário. E também já lhe disse isto! Mas ele tem feito um bom esforço em ignorar. E viver junto significaria tornar pública a relação e eu não quero isso. Again, não quero, não preciso, não procuro. Estou bem assim. Quero aproveitar-me mais assim do que fechar-me já, apegar-me novamente, abrir a porta às expectativas, às desilusões, ao stress. Estou super bem e tranquila comigo mesma. Acho que ainda há tanto para viver antes disso.

Ainda não sei de que forma, mas num futuro próximo terei que lidar com esta situação. Lidar com a famelga quando disser que vou sair de casa, ou fazê-lo devagarinho, esperar finalmente comprar a campervan que tanto ambiono, decidir se me aventuro com o D. ou se me aventuro a solo. Espero que 2021 seja um ano de mudanças a nível de casa. A caminho em passos largos dos 25, chegou a hora de finalmente arranjar o meu espaço, o meu cantinho. Seja um quarto, um T1 ou uma campervan, o que eu quero mesmo é meia duzia de metros quadrados só meus.

2 comentários

Comentar post