Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

25 de Fevereiro, 2022

Mais do que Blue 3.0

Inês

Ontem quando logo de manhã vi as notícias da invasão da Rússia fiquei imediatamente com uma má sensação. Que raio está a acontecer. Passei o que dia mal com uma angústia constante. Medo. Overwhelmed com as notícias sobre o assunto. Fui à aula de boxe e depois de alguns impactos e provocações dos outros (porque apesar de gostar muito daquilo, falta-me a força, a "convicção" e parece que deixei de evoluir aos olhos deles), a dor física abriu os portões à dor emocional e tive que sair antes do fim entre gestos ao intrutor. As lágrimas tinham que sair. Eu estava a tremer. Foi a primeira vez que isso aconteceu, desta forma. Eu sinto muitas vezes que tenho que chorar, sobretudo naquela altura do mês quando há uma sensibilidade acima da média e qualquer coisa me faz emocionar. Na maior das vezes é no carro ou em casa, mas não com outras pessoas. Foi um limite atingido em frente a outros. Já me achavam fraca, agora vão achar ainda mais. E isso chateeia-me um bocado, admito. Mas não tenho que lhes provar nada, só a mim mesma. Já fiz tantas coisas na vida e parece que tenho cada vez mais medos que antes não tinha. Tenho sentido muito isso. Não sei se era por pensar de menos ou é das minhas companhias atuais (a Luisinha é a pessoa que conheço que tem mais medos mas a um nível de doença mesmo). Mas enfim, nada disto importa perante as imagens que se viram ontem. Eu própria estar a falar disto é absolutamente ridículo à beira do que se passa nas terras que há umas semanas estavam tranquilas e hoje são palco de guerra. E guerras sempre aconteceram. Mais longe, menos vistas, que nos passam mais ao lado. Esta não conseguimos ignorar porque há uma sensação que podíamos ser nós. É uma posição muito hipócrita da nossa parte, na verdade. E ainda assim, é-me impossível deixar de sentir. E depois toda esta dimensão que as coisas alcançam nas notícias, na net, no twitter. Só isto importa neste momento. A nossa energia é toda sugada para ali e até procuramos mais. Dá cabo da nossa saúde mental e ontem deixei-me ir completamente. E depois deparei-me com um post no Instagram sobre estas pessoas "que sofrem" com a ansiedade consequente destas notícias, e etc. Não podíamos ser mais privilegiados, pois não? Até sinto vergonha de escrever este texto.