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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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21 de Janeiro, 2021

O Bicho voltou!

Inês

Na segunda fiquei felicíssima quando vi nas redes que o Bicho do Bruno Nogueira ia voltar. É difícil de explicar mas ao longo daqueles meses de março, abril e maio criou-se ali um culto mesmo fixe de milhares de pessoas que diariamente assistiam aos devaneios daquele grupo incrível de personalidades. Ora há momentos completamentes non sense, ora super deep. Há ali um humanismo, normalidade e parvoíce fora da comum que nos prendem. É como se fossemos a plateia de uma videochamada entre amigos. Numa altura em que isso se tornou essencial. Finalmente, e agora num período muito pior, o regresso do Bicho veio aquecer o meu coração.

Estou fechada numa sala há onze dias. Sou uma previligiada. Tudo o que preciso chega-me à porta, tenho roupa quente, café, chá, pão e manteira. Consigo fazer teletrabalho. Sempre que saio da porta que me divide do resto da casa, desinfeto as mãos e coloco a máscara. Tenho net e eletricidade e isso é o tipo um bem essencial. Sad but true. A maior dificuldade foi conviver com o risco iminente de, em algum descuido, poder contagiar quem vive comigo. Sem qualquer dúvida. À parte disso, estar em casa fechada não é um enorme problema para mim. Passo o dia a trabalhar e a ouvir música alta conforme não poderia fazer se estivesse no escritório. Tenho ouvido as goldies que ouvia há 10 anos, no secundário. Faço diversas videochamadas com colegas, amigos e família. Estar sozinha não me incomoda, vejo até alguma beleza, utilidade e prazer nisso. Estar isolada a recuperar de covid podia ser bem pior. Sou uma previligiada e tenho bem noção disso.

Angustia-me ver as notícias e pensar no terror que se vive dentro de portas de hospital e em todos os outros lugares ocupados pelo frio, pela solidão e pela tristeza. O mundo é tão triste às vezes. Sempre foi na verdade. Há guerras todos os dias e não perdemos tempo a pensar nisso. O facto de ser aqui ao lado, com as nossas gentes, muda toda a nossa perceção. Eu sei... Já tínhamos chegado a esta conclusão aquando os ataques terroristas aqui na Europa. É sempre assim. É injusto e também merecemos. E achar só triste nem é nada. Piores são os que nem têm opção de ficar tristes, apenas têm que agir sob as piores circunstâncias.