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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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05 de Janeiro, 2020

O que é afinal o amor...

Inês

Numa conversa entre amigas, a C. diz não conseguir identificar se gosta a sério de um rapaz com quem tem andado próxima. Diz que só gostou a sério de uma pessoa, na escola, há muitos anos. Era adolescente. Sentia borboletas na barriga, aquele nervosismo caraterístico. Seria talvez um amorzito de escola. Os grandes amores devem ser diferentes. A J. partilha o mesmo desconhecimento. Como identificar que o que sentimos é gostar a sério de uma pessoa? Falávamos do nervosismo, do querer muito estar com essa pessoa... Percebo mas não consigo pensar só nesses sentimentos sem as consequências negativas que daí advém, quando, por exemplo, estamos perante um tipo de amor não correspondido na totalidade ou apenas por as duas pessoas estarem em timings diferentes do "amor" ou simplesmente por o "amor" ser tão facilmente percecionado de forma diferente para cada um. Quando conversávamos, não consegui pensar em "amor" sem o associar a "desilusão". E isso desiludiu-as. Vivemos numa sociedade que projeta o amor entre duas pessoas como um mar de rosas. Uma correspondência incrível. O romantismo sempre presente. Apesar de sentir que há de facto alguma culpa na forma como a sociedade está desenhada e naquilo que nos transmite, sei que é nossa responsabilidade tornarmo-nos imunes a essas expectativas e construir a nossa própria história. Por outro lado, novamente a sociedade (e sobretudo por via das redes sociais), tornam a constante comparação demasiado fácil. Again, é nossa resposabilidade ignorarmos essa parte, tornarmo-nos imunes e não nos deixarmos afetar. Mas, damn, é difícil. Quando amamos, queremos sentir-nos amados. Queremos sentir a atenção personalizada, o carinho. Queremos ver no outro, aquilo que nós damos.

Já senti pelo menos duas coisas que acho que podem estar perto de ser amor. Talvez uma mais saudável do que outra. No secundário, e no que foi o primeiro amor da minha vida, cheguei a pensar que sentia "inveja" dos trausentes que tinham a sorte de estar a passar perto dele. Queria tanto estar com ele, gostava tanto, que sentia "inveja" de todas as pessoas que poderiam estar perto dele. Não no sentigo egoísta de o querer só para mim. Apenas no sentido de também eu querer estar ao lado dele. Mais recentemente, e no que cheguei a considerar ser o amor da minha vida, senti que gostava tanto dele que um dia casaria com ele. Para mim, isso é big deal. Casar nunca foi o meu sonho (bem pelo contrário). Quando o abraçava sentia químicos e energia a fluir entre nós, um bem-estar enorme. Deitar-me com ele, abraçados e entrelaçados, acordar durante a noite e ver que está ali ao lado, acordar e ter logo os seus braços. É, sem dúvida, dos melhores sítios onde já estive. E, mais importante, nunca deixou de ser menos mágico. Eu não percebo nada disto, mas esta sensação é o que eu posso definir como mais próxima de amor. Pode isto existir e mesmo assim as duas pessoas não serem as indicadas uma para a outra? Acho que sim. Não tenho a certeza.

O amor dá-se à primeira vista ou vai-se construindo? O facto de ser construído não lhe retira magia e naturalidade? Eu acho que retira alguma... Por outro lado, a ideia de amor à primeira vista pode apenas ser um conceito romanticizado que a sociedade construiu e não ser real. O conceito de "o tal" já todos sabemos que não existe, certo? Eu até aqui compreendo. O the one não existe. Todos temos que nos adaptar e moldar ao outro e só assim uma relação resulta. Honestamente, nem consigo ainda compreender se é possível manter uma relação para a vida toda (mas isso ficará para outro post onde falarei sobre Esther Perel e o que aprendi a ouvi-la). Acerca destes temas, gostava muito de ver os conteúdos do Esquadrão do Amor do canal Q. Volta e meia lá vou eu rever os vídeos (que até guardei numa playlist) para me relembrar de algumas coisas. Se o amor se vai construindo então quase podemos acreditar que escolhemos a pessoa por quem nos apaixonamos. Bem, e se assim é então lá se vai mesmo a magia pelo cano abaixo. Só fica mesmo alguma magia se alguma vez formos capazes de sentir aquelas borboletas na barriga ou aqueles químicos a fluir quando abraçamos a pessoa, mesmo escolhendo a pessoa por quem estamos a sentir isso (não sei se acredito nisto).

Penso muito sobre estes temas ligados ao amor. Tenho muitas perguntas, muitas dúvidas. Acho que é das coisas mais complexas de deslindar na vida. E mais ingratas também. É muito fácil errar, querer o que não devíamos, ser tentados pelo que não nos faz bem... Acho difícil manter uma posição no que toca a sentimentos e pessoas. Até porque somos todos carentes de algo. Talvez eu complique demasiado as coisas e queira definir e categorizar coisas que à partida são impossíveis de definir. Sente-se é certo. Mas então como ajudar a C. que não sabe se gosta a sério dele? Se gostasse a sério, isso não seria nem sequer uma questão? É isso?