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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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27 de Abril, 2021

O trabalho como aquilo que dá sentido aos dias

Inês

O trabalho como aquilo que dá sentido à vida. Ia escrever "à vida" mas depois achei mais adequado substituir por "aos dias". Se pensar bem, a vida é um acumular de escolhas diárias pelo que irá dar ao mesmo. Ainda assim, fiquemo-nos, para já, pelos dias. Até porque "à vida" faz lembrar muito aquela célebre expressão "o trabalho liberta" que não tem nada a ver com este assunto (e ainda bem!).

Tenho me vindo a descobrir como uma workaholic e não tenho gostado. As responsabilidades têm crescido assim como os emails, os telefonemas, as encomendas, os códigos de produto, os fornecedores, etc, etc, etc. Pedi responsabilidade e ela chegou. Não estou é a ser capaz de dispensar trabalho para outras pessoas. Uma pessoa tem tempo limitado. E estar constantemente a receber trabalho sem deixar de ter algum do trabalho antigo é o caminho para o caos. Porém, efetivamente esse é um problema que eu tenho: delegar e ser assertiva naquilo que deviam ser tarefas dos outros. Custa-me sempre dizer que não. Prefiro dizer "sim, já faço". O problema é que depois as tarefas da essência do meu posto que são só minhas e deviam ser a minha prioridade passam para segundo plano e eu fico mal. Tenho que trabalhar nisto.

Mas bem, não era esta a questão central. A questão central deste post é eu deixei de me conseguir desligar do trabalho. Tirar férias quase que parece um problema. Eu quase chego ao ponto de pensar que não posso tirar férias. Isto é mau em muitos sentidos. Um deles é meio que achar que sou insubstituível ou tão essencial ao ponto de não me poder ausentar. O trabalho fazia-se antes de eu lá estar. De outra forma, é certo mas fazia-se. "Dá sentido aos dias" porque o trabalho faz-nos sentir importantes. Claro que depende do trabalho. Eu trabalho sozinha, ou seja, não posso dividir tarefas com ninguém. Gosto da autonomia, da responsabilidade, da tomada de decisão, do meu ritmo de trabalho. Falo com imensa gente que recorre a mim para tirar dúvidas, fazer questões, resolver problemas. Gosto disso numa certa medida. Faz-me sentir importante, que tenho um propósito, que importo, que produzo trabalho relevante para os outros. Há um quê de egoísmo nisto tudo. O trabalho é como uma distração da vida em si, uma parte que vai ocupando um lugar cada vez maior na nossa vida. Se estivermos descontentes com a nossa vida, eu diria que é fácil perceber que o trabalho pode ser o escape para essa frustração e/ou aquilo que dá substância, o local onde as pessoas se sentem queridas, relevantes e necessárias. Porém, eu considero-me bastante confortável com o ponto onde me encontro neste momento nisso tudo que é a vida. Estou feliz. Tudo à minha volta está tranquilo, controlado. Já esteve pior e portanto consigo saborear a tranquilidade. Mesmo assim sinto-me a ser engolida pelo trabalho. Não me estou a refugiar nele, tenho noção disso. Estarei só a sucumbir porque de facto é uma fase de enorme trabalho e não tenho neste momento nenhuma preocupação maior? Eu espero que sim. Espero não sair como tantos outros (que já critiquei) que passam a viver para trabalhar e deixam a vida em si para segundo plano. É um erro que abomino. No entanto, tirar férias para estar constanemente ao telemóvel no whatsapp e nos emails em tensão por preferir estar na secretária? É possível viver agarrada ao trabalho mas com prazer? Será possível só até certo ponto? Haverá um burnout iminente? Será passageira esta fase de gostar de trabalhar? Questões para responder no futuro.