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Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

Teenage Dirtbag

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06 de Fevereiro, 2014

Roda viva na cabeça

Inês

Nos últimos dias muito se tem passado quanto às decisões que tenho que tomar, nomeadamente ao meu futuro académico e às minhas relações com as pessoas. A minha cabeça (e sei que não é só a minha) é uma grande enormíssima confusão. Imaginem um mar cheio de pensamentos perdidos a boiar. Passam-me pela cabeça dezenas de coisas por segundo e raramente as coisas se arrumam ou organizam. Limitam-se simplesmente a estar lá presentes, desorganizadas, e como se à espera de serem tratadas se mantivessem. Como que a marcar presença mas no fundo sem o devido tratamento. Podia ser daquelas pessoas que simplesmente não quer saber e deixa-se ir mas não sou e sinto uma necessidade constante de organizar a mente, catalogar as coisas, dar-lhes nomes e forma, fechá-las e arrumá-las se pudesse. Como disse anteriormente, não tenho perdido muito tempo a pensar sempre sobre o mesmo assunto. Se algo me assombrar por dois ou três dias, já é muito porque na realidade têm acontecido coisas novas todos os dias e não há espaço para que certas questões se instalem. No entanto, e ainda que queira organizar o que me vai na alma, por poucas vezes o consigo fazer. Não sou boa nisso. Escrever, ajuda. Fazer listas, vir aqui despejar a informação deixa-me sempre com as ideias mais claras (ainda que os textos me pareçam confusos também. peço desculpa por isso, sei que um leitor, leia o que quer que seja, gosta de coêrencia e organização e nem sempre as minhas coisas têm tais características). Organização de ideias não é, de facto, o meu forte.

Concentrando-me agora na questão da faculdade (sobre isto ainda me ocorre outra coisa, achava eu que estava a adiar a decisão sobre o meu futuro por tempo demais e que tinha que acompanhar os meus colegas nisso que pareciam ter ideias bastante fortes mas enganei-me, se quatro ou cinco têm os objetivos bem presentes, a maioria não quer saber e confia em objetivos pouco realistas. este pessoal não pensa? daqui a uns meses, o ambiente a que estamos habituados vai mudar completamente e agora é dos momentos mais importantes de sempre. parece-me que ser adolescente, imaturo, e despreocupado nesta altura não seja, de todo, das melhores atitudes mas enfim..), fui ontem falar com a psicóloga da escola (sugestão da DT) para ela me ajudar nisto. Sinto, realmente, uma pressão, imposta por mim, para esclarecer este assunto e decidir-me o quanto antes. Lá fui e ajudou, de facto. A doutora teve a perspetiva mais realista da minha situação que se pode ter e, ainda que não conhecesse muito da minha vida e preferências, optou pelo caminho mais seguro, correto e positivo para mim, deixando-me sempre as alternativas possíveis para as experiências pelas quais quero passar, durante e/ou depois da faculdade. Não me alongando, a conclusão a que cheguei foi que a estrutura familiar cá de casa conta imenso e, como já sabia, as minhas escolhas vão mudar esta dinâmica. Pode mudar tudo ou pode mudar quase nada consoante o local escolhido para estudar. Relações Internacionais seria apenas um bom curso para tirar em Lisboa que é a capital e, por isso, a nossa ligação com o mundo exterior. Tendo em conta, a essência da área, estudá-la em Coimbra seria um má opção para mim. Ir para Lisboa acarreta custos e esforços que, neste momento, não vejo com muitos bons olhos. Há uns meses, estava pronta para me atirar ao estrangeiro e viver o tão falado gap year. Hoje, admito e exponho a minha mudança de ideias, ainda que continue a achar que é das melhores experiências de sempre e que todos devíamos passar por ela e eu, própria, agora ou daqui a três/quatro anos hei-de vivê-la, que não seria uma boa decisão para mim e para a minha vida pois a minha estrutura familiar não é tão resistente assim. Se não é, e se ficaria enfraquecida, então também eu o sentiria. Tenho toda e completa certeza disso, e então, não seria uma experiência tão cinco estrelas. Porto tornou-se, desta forma, a mais provável escolha. E visto isto, Economia destaca-se facilmente perante o curso de Gestão que considero mais limitado. A grande vantagem de escolher Economia é que é o curso mais abrangente na minha área e que me possibilitará um maior conjunto de opções posteriormente (posso, nomeadamente, fazer o mestrado em Relações Internacionais noutra faculdade qualquer, noutro país europeu se assim o decidir). Com isto vem a questão de Erasmus que pensava ser impossível se escolhesse Economia. Pois bem, enganei-me. As minhas fontes orientaram-me mal e, para minha alegre surpresa, qualquer aluno da FEP pode fazer Erasmus. Parece agora um cenário bastante mais risonho e à minha feição. Licenciatura por três anos e, no fim desse tempo, mais dois aninhos de mestrado consoante o que optar uma certa Inês com outras experiências e pensamentos, três anos mais velha. Não dou por encerrado este assunto (estará aberto até ao momento derradeiro) pois sei lá o que ainda poderá acontecer. Por agora, sinto-me mais 'organizada' e segura.

Outro grande problema que surgiu ontem à noite e que se resolveu já hoje (durou pouco mais foi vivido muito intensamente, acreditem) chama-se Lid. Basta um 'preciso de falar contigo' que tudo muda. Tudo não mas quase tudo. Ele continua a não me ser indiferente, se houvessem dúvidas disso, foi tudo exposto hoje, infelizmente (é que a exposição não ficou limitada ao número restrito de pessoas que eu preferia que tivesse ficado, que é como quem diz eu e a Di mas, em vez disso, eu e Di e todo o fucking grupo de friends que anima os meus intervalos). Já não me sentia tão nervosa e ansiosa há muito tempo como hoje. Não consegui mesmo disfarçar (o que até costumo fazer bem). No final de contas, não era sinal para tanto alarme. Conversou-se e nada se passou, nada mudou e provavelmente nada vai mudar. Nenhuma decisão aqui foi preciso ser tomada e isso é que me assustava. Tudo indicava para que fosse preciso e, ainda que soubesse qual era a decisão mais correta para mim e para os outros, não a queria no verdadeiro fundo do meu rolo de pensamentos. Ter a perfeita noção de que é uma má escolha e, mesmo assim, optar por tomá-la porque sabe demasiado bem (ainda que seja um bem não pleno e, talvez, construído a partir de palavras fortes demais para o que sentimos) é um sentimento bastante complexo. Sabemos que conseguimos fazer melhor que aquilo mas não queremos fazer melhor. Preferimos fazer pior e ter o bom. Mesmo sabendo que é um bom quase falso. Ter a noção de tudo é uma treta, já dizia Fernando Pessoa. Podíamos apenas tornarmo-nos pessoas ignorantes em relação a determinadas coisas e, quando fizéssemos mal, o problema não seria tão grande porque 'ignorância é santa'. Mas não é assim que acontece na vida real. Feliz ou infelizmente, sou uma pessoa conhecedora de mim própria, dos traços das outras pessoas, dos jeitos delas, das palavras, da honestidade delas e não consigo fechar os olhos a isso e ser feliz só porque sim. Se me tomam por parva e eu sei-o, a minha Inês racional vai ser a pessoa mais prática do mundo e ignorar-vos para sempre, mas, a outra vai achar que é demasiado difícil resistir à tentação de voltar àqueles tempos felizes, mesmo que feliz seja uma palavra cheia demais e boa demais quando temos a noção de que nem tudo é tão verdadeiro quanto gostávamos que fosse.