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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 26.

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02 de Maio, 2022

Sentido da vida, privilégio, guerra, séries, amor e dúvidas. Muitas dúvidas.

Inês

Os últimos meses foram um rodopio dentro do meu cérebro no que toca à minha posição nisto que é a vida. Qual é o sentido da vida. A sorte, o privilégio, a aleatoriedade ou não em estar aqui e vivenciar isto. A guerra foi só mais lenha para uma fogueira que já ardia mas se tornou imensamente maior. Depois de andar mais calma (e sem ter ido à procura) dou por mim a ver a série The Good Place. Já com uns anitos, tem uma vertende cómica forte (que foi o que me fez começar a ver) mas a base da história é o pós vida (ou pós-morte) de quatro amigos que têm que lidar com as consequências das suas decisões na vida terrena. A série é muito fixe. Gostei e verti uma lagrimita ali pelo meio. No geral, é uma série cómica e leve mas leva a pensar sobre o que há depois da vida e o que é afinal a eternidade, a nossa alma ou essência e o que fica desta nossa passagem. Como grande lição, entendemos que para que isto signifique alguma coisa tem que haver um fim pois se fôssemos eternos cada dia perderia significado. Se tivéssemos todo o tempo do mundo, não haveria o que fazer com ele. E sobre este mundo que é tão injusto, a querida Janet diz “since nothing seems to make sense, when you find something or someone that does, it’s euphoria” e é tão verdade. Euphoria. Os sentimentos bonitos são uma espécie de euphoria. Quando algo faz perfeito sentido. Quando encontramos alguém que faz perfeito sentido. E eu que não acredito muito nisso, em que ponto fico? Ainda na última quinta (e com uma das maiores graças dos últimos tempos) o PeterCastro falava e bem da pressão para se arranjar alguém, para se estar numa relação. Ou pelos outros, ou pelo status ou porque não estamos bem sozinhos e a relação completa o indivíduo. Mas para indivíduos que já se sentem completos, para quê a relação? Claro que há coisas boas que vêm daí mas não é preciso ir à procura deseperadamente ou pensar muito nisso (sobretudo se não aparecer ninguém interessante). Haverá sentido na vida em passá-la sozinha? Irei arrepender-me daqui a vinte, trinta anos? Porque mete medo tomar essa decisão agora e viver com ela para sempre. Por outro lado, não é uma decisão que esteja a tomar deliberadamente. Se não aparece ninguém e eu estou bem o suficiente, para quê panicar? É isso, na teoria funciona bem mas na prática dá medo. E depois de The Good Place, viciei em Russian Doll após ver uma recomendação do Markl e vi-me metida em mais uma experiência de pós-morte (também cómica btw). Agora a protagonista morre sucessivamente até conseguir corrigir alguns erros da sua vida. E aqui a resposta está na entreajuda com o outro e no olharmos para dentro e corrigirmos as nossas falhas para connosco próprios. Achei bonita também mas não apreciei o facto de tropeçar no mesmo tema. No fim, permanecem as dúvidas e a certeza que não há uma resposta, por muito que se pense. Não há "the answer for it all". The answer is tentarmos encontrar o mínimo que faça sentido nesta vida, neste mundo, porque é esse mínimo que nos aquece e talvez seja a procura por esse mínimo que nos incentiva a continuar no meio do pandemónio. E tentarmos ser melhores pessoas também. Apesar de ser estranho o universo inteiro partilhar a mesma noção de "boa pessoa" que nós idealizámos, como nos lembra a sábia Nadia de Russian Doll. É estranho, mas temos que admitir que há conceitos mesmo muito básicos e absolutamente transversais e fáceis de entender sobre como raio ser uma boa e melhor pessoa. É acreditar que o universo achará o mesmo.

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