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Teenage Dirtbag

Este blog é o meu diário. Mais para mim do que para vocês. Uma tentativa de arquivo de pensamentos. "Teenage" como quem diz... já são 25.

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13 de Março, 2014

Ser uno com alguém ou não

Inês

Até aos meus quinze anos só via a minha mãe à frente. Qualquer pessoa que nos conhecesse diria que eu era uma filha super dependente da mãe. Esta ligação fortaleceu-se com o divórcio dos meus pais, que além de os separar, me uniu imenso a ela. Partilhávamos tudo. De mim para ela, não existiam quaisquer tipo de segredos e, julgava eu, ela também não guardava nada de mim. Pensava , na altura, o que havia a esconder? Considerando melhor, agora, há imensa coisa própria de um adulto, de uma mulher, de uma pessoa. Costumava dizer que ela era eu e eu era ela. Éramos uma mesma pessoa de tão conectadas que éramos. E era feliz assim. Não surpreende dizer que, nos dias de hoje, não concordo nada com esta minha antiga filosofia, certo? Cada um é um individuo e acredito que não há mal nenhum em afirmar isso. Em sermos nós em vez dos outros. Em pensarmos segundo as nossas cabeças e vivências. Em guardarmos o que de melhor e pior passámos. Em sermos nós, seres independentes de qualquer pessoa. Em valermos por nós e nós apenas. Claro que mães e pais constituem uma base fortíssima e, na maior parte, das situações saberão lidar melhor com certas circunstâncias que nos ocorrem. No entanto, faz parte de cada um, quase que um procedimento obrigatório, viver, errar, voltar a viver e, talvez, acertar. Faz parte de cada pessoa ter os segredos, ter direito à sua privacidade, ter a liberdade de fazer asneiras, ter o espaço suficiente para se desenvolver e evoluir enquanto pessoa. Faz parte desse desenvolvimento o afastamento nosso em relação aos outros, e simultaneamente, uma aproximação a outros 'outros', e também, uma certa isolação de nós próprios em relação a todos. ao longo destes últimos três/quatro anos passei por isto e nunca pensei sequer sobre isto. É natural. E de tão natural assim, não debati o assunto. Por outro lado, a minha mãe sentiu este meu crescimento de uma forma gigante, radical e, talvez forte demais. Porque não passei de um oito para oitenta mas talvez de um oito para um sessenta e ninguém o esperava. E nem me orgulho deste caminho, talvez demasiado individualista que escolhi mas, simplesmente, foi o que percorri, foi a pessoa em que me tornei, em que me estou a tornar. A perspetiva dos ditos outros, como a minha mãe, recebem esta mudança quase como que com braços fechados, com receio, com alguma tristeza até. Talvez seja por a minha mãe já ser adulta e não se ter passado com ela um crescimento deste género, pois tal coisa já se passou no passado, com ela, e então, talvez tenha encarado a ligação que mantínhamos como algo mais permanente do que realmente foi. Ou, pelo menos, que a mudança não fosse tão radical. Mas a verdade é que foi e é com uma certa tristeza e culpa que o admito. Se os abraços eram uma constante, agora passam-se semanas em que não a abraço. Se antes lhe dizia todos os dias o quanto gosto dela, agora nem me lembro da última vez que o fiz. Se antes morria por ficar em casa agora, só quero é fugir dela. Estas simples coisas eram como um alimento para a minha mãe, o combustível para alimentar um tipo de vida que tínhamos. Vida essa que agora, contesto. Contesto com discussões, com uma ironia e sarcasmo que ela detesta, com um choque constante de opiniões, com o isolamento, com o deixar de partilhar determinadas coisas e momentos que, mesmo sendo um exagero antigamente, agora também não os considero recomendáveis, pelas razões opostas. Se algum dia me vou arrepender de ser assim? Tenho a certeza. A minha mãe, além de me culpar a mim claro, culpa também este meu espírito jovem igual a tantos outros. Talvez tenha razão. Talvez eu seja apenas uma rapariga de dezassete anos com montes de manias e o egoísmo suficiente para querer sempre a razão e que fala com um tom como se tivesse cansada de ouvir. Mas, para além disso, tenho as vivências, que só eu possuo, dentro desta cabeça e que me obrigam a pensar como penso e agir como ajo. Tenho esta individualidade forte que me obriga a ser quem sou. Tenho esta liberdade para ser como quero ser. E tenho esta independência para poder ser a pessoa que quero. Ser uno com alguém, depender dessa pessoa para a nossa existência é um erro, é tóxico, faz morrer a pessoa que podemos ser ou que somos. Sendo indivíduos, assim como a palavra quer dizer, dá-nos a liberdade e autonomia suficientes para errar se assim tiver que ser e para viver uma vida só nossa se assim for nossa vontade.

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