Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

29 de Janeiro, 2021

Vantagens em Estar Confinado

Inês

Estar confinado pode ter diversas vantagens. Em primeiro lugar, é importante refletir sobre as condições nas quais estamos confinados. Temos casa? É confortável? Se sim, somos desde já previligiados nesta guerra. Se podemos fazer teletrabalho, melhor ainda. É caso para dizer que nos saiu a sorte grande. É como me sinto quando penso que a realidade poderia ser muito diferente.

Acho que já me habituei a esta vida. I mean, habituei-me e estou confortável com a ideia de continuar fechada sabendo que haverá um fim algures. O facto de ter sido confinada infetada, facilitou o meu entendimento e minimizou qualquer margem que eu tivesse para ficar chateada com a situação. Sei que atualmente estamos tipo campo de minas quanto a apanhar ou não o bicho. Ainda assim, não consegui deixar de sentir alguma responsabilidade e culpa, e portanto, longe de mim reclamar com tudo o resto. Foi quase remédio santo para a minha irritabilidade crónica. Foi tipo "Inês, fizeste merda, agora cala-te e fecha-te em casa à espera que passe".

Pois bem, assim foi e continua a ser. Passaram três semanas já. Tive alta entretanto e ainda só saí uma vez à rua. Vestir umas calças de ganga, pegar num cachecol, conduzir, ver gente! Coisas que sempre fizeram parte do meu dia-a-dia e durante três semanas deixaram de fazer. Não é que tenha sentido saudades. Lá está... Habituei-me facilmente às condições do confinamento. Podia ter saído mais vezes mas cá estou eu, de pijama, em frente ao pc. A vontade de sair também não é grande.

Confinar obriga-nos a fazer uma pausa na vida. É como se fosse nossa obrigação não fazer coisa alguma, não realizar, não fazer acontecer. É aliás um favor que nos pedem repetida e encarecidamente. Estar parado e não ser produtivo não parece mal nos dias de hoje. Num período normal, sentiria-me pessimamente se visse quatro episódios seguidos de uma série qualquer a fazer buraco no sofá. Hoje em dia não me sinto. Há uma tranquilidade associada à procrastinação. Claro que podia aproveitar para arrumar, limpar a casa, organizar partes da vida que podem ser organizadas dentro de portas. E faço alguma coisa dessas. Porém, não fazer nada já é alguma coisa. E esta consciencialização, para mim, é importante. Eu sempre quis fazer mais, sempre tive pressa de viver, de fazer acontecer. A pressão que ia colocando em cima de mim desgatava e muito. É com agrado que olho para mim e vejo uma Inês tranquila com a velocidade da vida, imposta por terceiros e que não posso controlar. Lembro-me muitas vezes de uma frase do género "preocupa-te com o podes controlar e esquece o que não podes". Tento levar a vida assim. Não posso controlar quando esta pandemia acabará, não posso interferir com o que se passa dentro dos hospitais and so on. A única coisa que posso fazer é ter calma, tranquilidade e manter-me dentro de casa, ver séries, trabalhar, resolver problemas que tenho arrastado por - pasmem-se! - falta de tempo no que era o dia-a-dia normal. Parece pouco. Numa certa perspetiva parece chato. Até agora, não está a ser.